Concordância: as regras verbal e nominal que mais caem em concursos
As regras de concordância que a banca mais cobra, explicadas com exemplos corretos: sujeito composto, coletivo, os impessoais "haver" e "fazer", a concordância do "se" (vendem-se casas × precisa-se de) e os casos especiais da concordância nominal.

Método
Neste artigo
A concordância é o ajuste do verbo ao sujeito (concordância verbal) e das palavras que acompanham o substantivo — artigo, adjetivo, pronome e numeral — ao próprio substantivo (concordância nominal). Em concurso, tudo se resume a três eixos: o verbo concorda com o sujeito em número e pessoa, o adjetivo e o artigo concordam com o substantivo em gênero e número e alguns verbos são impessoais e ficam presos ao singular. Dominar os casos que a banca mais gosta — sujeito composto, coletivo, os impessoais "haver" e "fazer" e a partícula "se" — é o que separa o item Certo do Errado.
Resumo direto: o verbo concorda com o sujeito; o adjetivo concorda com o substantivo. Guarde três coringas de prova: sujeito composto antes do verbo vai para o plural; "haver" (existir) e "fazer" (tempo) são impessoais e ficam no singular; e o "se" concorda com o sujeito quando é partícula apassivadora ("vendem-se casas"), mas fica no singular quando é índice de indeterminação ("precisa-se de funcionários").
Como funciona a concordância verbal com sujeito composto?
Sujeito composto é o que tem dois ou mais núcleos (por exemplo, "o professor e o aluno"). A regra-base depende da posição em relação ao verbo:
- Sujeito composto antes do verbo → verbo no plural. "O professor e o aluno chegaram cedo."
- Sujeito composto depois do verbo (posposto) → o verbo pode ir ao plural ou concordar com o núcleo mais próximo. "Chegaram o professor e o aluno" e "Chegou o professor e o aluno" são ambas aceitas pela norma-padrão.
E quando os núcleos têm pessoas gramaticais diferentes?
Aí vale a hierarquia das pessoas: a 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª e a 3ª; a 2ª prevalece sobre a 3ª.
- 1ª + 3ª → nós: "Eu e ela resolvemos a prova." (eu + ela = nós)
- 2ª + 3ª → vós ou, no uso atual, "vocês" na 3ª pessoa do plural: "Tu e ele ganhareis" ou "Tu e ele ganharão".
E os núcleos ligados por "ou", "nem" e "com"?
- "Ou" com ideia de exclusão (só um pode) → verbo no singular: "Pedro ou Paulo será o aprovado." Quando o "ou" não exclui, o verbo vai ao plural: "Português ou Matemática abrem muitas portas."
- "Nem... nem" → em geral, verbo no plural: "Nem João nem Maria faltaram à prova."
- "A com B" → o verbo costuma ir ao plural quando os dois agem juntos ("O delegado com os agentes prenderam o suspeito") ou fica no singular para destacar o primeiro núcleo ("O delegado, com os agentes, conduziu a operação").
Sujeito coletivo: o verbo vai para o singular ou o plural?
Substantivo coletivo no singular (multidão, povo, bando, turma) pede verbo no singular, mesmo passando ideia de muitos: "A multidão gritava". A pegadinha mora nos coletivos partitivos — "a maioria de", "grande parte de", "metade de" — seguidos de um termo no plural:
- "A maioria dos candidatos passou" (concordando com o coletivo) e "A maioria dos candidatos passaram" (concordando com o especificador) são ambas corretas pela norma-padrão.
Cuidado ainda com as expressões de quantidade aproximada: "mais de um" pede verbo no singular ("Mais de um candidato se inscreveu"), enquanto "mais de dois" já leva ao plural ("Mais de dois candidatos se inscreveram").
Por que "haver" e "fazer" ficam sempre no singular?
Porque, em empregos específicos, eles são verbos impessoais: não têm sujeito, então ficam travados na 3ª pessoa do singular.
- "Haver" no sentido de existir ou ocorrer: "Havia muitos candidatos na sala" (nunca "Haviam"); "Houve problemas na correção."
- "Haver" e "fazer" indicando tempo decorrido: "Há dez anos não estudo isso"; "Faz dois anos que passei"; "Fazia meses que ele não aparecia."
- "Fazer" referente a fenômeno da natureza ou clima: "Faz calor hoje"; "Fazia dez graus naquela manhã."
Detalhe que a banca adora: a impessoalidade se transmite ao verbo auxiliar nas locuções. O certo é "Deve haver muitos inscritos" e "Vai fazer dois anos" — nunca "Devem haver" nem "Vão fazer". E não confunda com o verbo "existir", que tem sujeito e concorda normalmente: "Existiam muitos candidatos" (plural correto). Trocar "haver" por "existir" só é seguro colocando o verbo no plural.
Como identificar a concordância do "se"?
O pronome "se" muda a concordância conforme a sua função na frase. São dois casos que a banca cobra sem cansar:
- Partícula apassivadora (voz passiva sintética) — com verbo transitivo direto. O verbo concorda com o sujeito paciente: "Vendem-se casas" (casas = sujeito, plural); "Alugam-se salas"; "Compra-se ouro" (singular, porque "ouro" é singular).
- Índice de indeterminação do sujeito — com verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação. O verbo fica sempre no singular: "Precisa-se de funcionários" (quem precisa, precisa "de" algo — objeto indireto, não sujeito); "Vive-se bem aqui."
O atalho prático: se houver preposição logo depois do verbo ("de", "em"…), o "se" indetermina o sujeito e o verbo fica no singular. Se o termo seguinte for objeto direto capaz de virar sujeito, o "se" apassiva e o verbo concorda. É por isso que "Precisam-se de funcionários" está errado: o correto é "Precisa-se de funcionários". Reconhecer a função do "se" rende ponto certo — treine com questões de concordância até virar automatismo.
Quais são os casos especiais de concordância nominal?
Na concordância nominal, o artigo, o adjetivo, o pronome e o numeral acompanham o substantivo em gênero e número. Um punhado de palavras vive em prova justamente porque muda de comportamento conforme a função. Veja as principais:
| Palavra / expressão | Regra da norma-padrão | Exemplo correto |
|---|---|---|
| anexo / incluso | São adjetivos: concordam com o substantivo em gênero e número. | "Seguem anexas as fotos"; "As cópias vão inclusas". |
| em anexo | Locução adverbial invariável. | "As fotos seguem em anexo". |
| meio | Advérbio (= um pouco): invariável. Numeral (= metade): concorda. | "Ela está meio cansada"; "meia hora". |
| bastante | Advérbio (= muito): invariável. Adjetivo (= muitos): concorda. | "Eles estão bastante cansados"; "bastantes candidatos". |
| menos | Sempre invariável ("menas" não existe). | "Havia menos pessoas hoje". |
| obrigado | Concorda com o gênero de quem fala. | Homem: "Obrigado"; mulher: "Obrigada". |
| mesmo / próprio | Concordam quando reforçam (= ele mesmo / ela própria). | "Elas mesmas fizeram"; "os próprios alunos". |
| é proibido / é necessário / é bom | Invariável sem artigo; concorda quando há artigo ou determinante. | "É proibido entrada"; "É proibida a entrada". |
E o adjetivo que se refere a vários substantivos?
Depende da posição do adjetivo:
- Adjetivo posposto (depois dos substantivos): pode concordar com o mais próximo ou ir ao plural (masculino, se os gêneros forem diferentes). "Estudei a lei e o decreto atualizados" ou "…o decreto atualizado".
- Adjetivo anteposto (antes dos substantivos): em geral concorda com o mais próximo. "É preciso ter boa vontade e ânimo."
Como transformar essas regras em pontos na prova?
Concordância não se decora em lista — se reconhece resolvendo questões até o padrão da banca virar reflexo. O catálogo público da LEVEL prioriza questões recentes das principais bancas, organizadas por disciplina, assunto, órgão e ano. Para fixar cada regra deste artigo, filtre por questões de Português no banco e resolva blocos de concordância verbal e nominal, conferindo o comentário de cada item. E, para ver como a concordância se encaixa no restante da matéria, volte ao nosso guia completo de Português para concursos.
Perguntas frequentes
A concordância verbal é o ajuste do verbo ao sujeito em número (singular ou plural) e pessoa. A concordância nominal é o ajuste das palavras que acompanham o substantivo — artigo, adjetivo, pronome e numeral — ao substantivo, em gênero e número. Na frase "os alunos estudiosos passaram", há concordância nominal (os/estudiosos com alunos) e concordância verbal (passaram com alunos).
O correto é "Havia muitas pessoas". Quando "haver" significa existir ou ocorrer, ele é impessoal e fica na 3ª pessoa do singular, sem concordar com o termo que vem depois. "Haviam pessoas" é um erro clássico. Se você quer o plural, troque por "existir", que tem sujeito e concorda: "Existiam muitas pessoas".
Sujeito composto (dois ou mais núcleos) antes do verbo leva o verbo ao plural: "O juiz e o promotor chegaram". Se o sujeito vem depois do verbo, ele pode ir ao plural ou concordar com o núcleo mais próximo: "Chegaram" ou "Chegou o juiz e o promotor". Com pessoas diferentes, a 1ª prevalece sobre a 2ª e a 3ª: "eu e ele resolvemos".
O correto é "Vendem-se casas". Nesse caso o "se" é partícula apassivadora e "casas" é o sujeito, então o verbo concorda no plural. É diferente de "Precisa-se de funcionários", em que o "se" indetermina o sujeito (há a preposição "de") e o verbo fica no singular. A regra: com objeto direto que vira sujeito, o verbo concorda; com preposição, fica no singular.
Sim, quando não há artigo. Expressões como "é proibido", "é necessário" e "é bom" ficam invariáveis se o sujeito não tem determinante: "É proibido entrada", "É necessário paciência". Mas concordam quando há artigo ou determinante antes do substantivo: "É proibida a entrada", "É necessária muita paciência".
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