IA em concursos de TI: como as bancas cobram o eixo técnico e as normas (LGPD, Marco Legal da IA, CNJ)
Inteligência artificial em concursos de TI cai em dois eixos: o técnico (tipos de aprendizado, overfitting, redes neurais, deep learning, PLN e IA generativa) e o regulatório. Aprenda a distinguir o que já é lei (LGPD, art. 20) do que ainda é projeto (Marco Legal da IA, PL 2338/2023), da política de governo (EBIA/PBIA) e da resolução do CNJ (615/2025).

Estratégia
Neste artigo
As bancas de concurso cobram inteligência artificial (IA) em dois eixos que caem juntos: um eixo técnico — conceitos de IA e aprendizado de máquina (tipos de aprendizado, overfitting, redes neurais, deep learning, PLN e IA generativa) — e um eixo regulatório, que cobra como a IA aparece nas normas brasileiras. E aqui mora a armadilha nº 1: só uma dessas normas é lei em vigor (a LGPD, Lei nº 13.709/2018); o Marco Legal da IA (PL 2338/2023) ainda é projeto em tramitação. Confundir os dois é errar questão.
Resumo direto: estude IA em duas frentes. No técnico, domine os três tipos de aprendizado (supervisionado, não supervisionado e por reforço) e os conceitos-armadilha (overfitting × underfitting, treino × teste). No regulatório, saiba distinguir o que é lei (LGPD, art. 20), projeto (Marco Legal da IA — PL 2338/2023), política de governo (EBIA/PBIA) e resolução (CNJ nº 615/2025). Confirme sempre a versão vigente de cada norma.
O que as bancas cobram de IA no eixo técnico?
O eixo técnico é conceitual: a banca quer ver se você distingue as ideias centrais de aprendizado de máquina, não se você programa um modelo. O ponto de partida quase obrigatório são os três tipos de aprendizado — trocá-los entre si é a pegadinha mais comum da área:
| Tipo de aprendizado | Como funciona | Exemplo típico |
|---|---|---|
| Supervisionado | Aprende com dados rotulados (entrada com a resposta correta conhecida). | Classificação (spam × não spam) e regressão (previsão de valor). |
| Não supervisionado | Encontra padrões em dados sem rótulo, sem resposta prévia. | Agrupamento (clustering) e redução de dimensionalidade. |
| Por reforço | Um agente aprende por tentativa e erro, buscando maximizar uma recompensa. | Jogos, robótica e controle de sistemas. |
Além dos tipos de aprendizado, o edital costuma listar um conjunto estável de conceitos. Vale dominar as definições de cada um, porque a banca cobra exatamente a fronteira entre eles:
- Overfitting × underfitting — os dois erros clássicos de ajuste de um modelo.
- Divisão treino × teste (e conjunto de validação) — como se avalia se o modelo generaliza.
- Redes neurais e deep learning — redes com muitas camadas; deep learning é um subcampo do aprendizado de máquina.
- PLN (processamento de linguagem natural) — IA aplicada a texto e fala.
- IA generativa e LLMs — modelos que geram conteúdo (texto, imagem); os grandes modelos de linguagem são o exemplo do momento.
- Aplicações — visão computacional, sistemas de recomendação, detecção de fraude.
O que é overfitting (e por que quase sempre aparece)?
Overfitting (sobreajuste) é quando o modelo "decora" os dados de treino e vai mal em dados novos: ele capturou até o ruído, não só o padrão. O oposto é o underfitting (subajuste), quando o modelo é simples demais e não capta o padrão nem no treino. É justamente para flagrar isso que se separa a base em treino e teste: bom desempenho no treino e ruim no teste é o sintoma típico de overfitting. Uma questão frequente inverte esses dois termos — leia com atenção qual é qual.
Como as bancas formulam as questões de IA?
Como o tema é novo e conceitual, o enunciado raramente pede cálculo. Ele testa domínio de definição e capacidade de distinguir conceitos parecidos. Os três formatos que mais aparecem:
- Definição direta — "assinale a alternativa que conceitua corretamente aprendizado supervisionado".
- Associação — ligar cada tipo de aprendizado ao seu exemplo (clustering ↔ não supervisionado, recompensa ↔ reforço).
- Certo/Errado com troca de termo — o item afirma algo verdadeiro, mas troca "supervisionado" por "não supervisionado" ou "overfitting" por "underfitting". Um termo trocado torna o item inteiro errado.
Para reconhecer esses padrões antes da prova, o caminho é volume de questões da sua banca. Meça seu domínio real resolvendo itens no banco de questões e volte aos conceitos que você ainda confunde — é onde a banca mira.
IA já é lei no Brasil? O que está em vigor e o que ainda é projeto
Esta é a parte que mais gera erro, porque a imprensa e os cursinhos misturam quatro coisas diferentes. Para concurso, você precisa separar lei, projeto de lei, política de governo e resolução. O quadro abaixo resume o status de cada norma em meados de 2026 — sempre confirme a versão vigente, porque o cenário está em movimento:
| Norma | O que é | Status (jul/2026) | Fonte oficial |
|---|---|---|---|
| LGPD — Lei nº 13.709/2018 | Lei geral de proteção de dados; alcança a IA nas decisões automatizadas (art. 20). | Lei em vigor | Planalto |
| Marco Legal da IA — PL 2338/2023 | Projeto que cria o marco regulatório da IA (modelo baseado em risco). | Projeto em tramitação (na Câmara) | Senado |
| EBIA (2021) e PBIA 2024-2028 | Estratégia e Plano nacionais de IA (diretrizes e investimento do governo federal). | Política pública (não é lei) | MCTI |
| Resolução CNJ nº 615/2025 | Regras de desenvolvimento e uso de IA no Poder Judiciário. | Norma vigente (atualiza a Res. 332/2020) | CNJ |
Como a IA aparece na LGPD (art. 20)?
A ponte IA × LGPD que mais cai é o art. 20: o titular dos dados tem direito a solicitar a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado que afetem seus interesses — por exemplo, perfil de crédito, de consumo ou de personalidade. Um detalhe fino e muito citável: a redação original exigia revisão "por pessoa natural" (um humano), mas essa expressão foi retirada pela Lei nº 13.853/2019. Hoje existe o direito à revisão, mas a lei não obriga que ela seja feita por uma pessoa, e a ANPD ainda não regulamentou o procedimento. Fonte: Lei nº 13.709/2018, art. 20.
O que propõe o Marco Legal da IA (PL 2338/2023)?
O PL 2338/2023 é o projeto que pretende ser o marco regulatório da IA no Brasil. Foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e remetido à Câmara dos Deputados em março de 2025, onde seguia em tramitação em meados de 2026 — ou seja, ainda não é lei. O texto adota um modelo baseado em risco (inspirado no AI Act europeu): classifica os sistemas por nível de risco (excessivo, alto, baixo) e prevê direitos de quem é afetado, além de estrutura de governança. Como projeto pode mudar de redação, trate-o como "em tramitação" e confirme a versão vigente antes da prova. Fonte: tramitação do PL 2338/2023 no Senado.
Atenção — a pegadinha clássica: o item afirma que "o Marco Legal da IA é a lei que regula a inteligência artificial no Brasil". Em meados de 2026, isso está errado: trata-se de projeto de lei em tramitação. A lei em vigor que já alcança a IA é a LGPD.
E a EBIA, o PBIA e a Resolução CNJ nº 615/2025?
Fora de lei e projeto, a IA aparece como política pública e como regulação setorial:
- EBIA — Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (2021) e PBIA — Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028: diretrizes e investimento do governo federal, conduzidos pelo MCTI. São política de Estado, não lei — não crie obrigação a partir deles.
- Resolução CNJ nº 615/2025: regula o desenvolvimento e o uso de IA no Poder Judiciário e atualiza a antiga Resolução CNJ nº 332/2020. Traz supervisão humana obrigatória, classificação por nível de risco e auditoria dos sistemas — tema quente para quem faz concurso de tribunais. Fonte: Resolução CNJ nº 615/2025.
Como estudar IA para concursos de TI?
IA é um assunto emergente: ainda não tem o histórico de cobrança de uma disciplina clássica, e por isso não existe um número honesto único de "quantas questões de IA já caíram". O que dá para afirmar com segurança é a direção — os temas ligados a dados e proteção da informação vêm ganhando espaço. Na LEVEL, você pode treinar com questões de provas recentes das principais bancas e refinar o estudo pelos filtros do catálogo público.
Um roteiro honesto para não perder ponto:
- Comece pelo edital do seu cargo. Veja se IA aparece dentro de "Segurança da Informação", "Governança" ou como tópico próprio — o peso muda tudo.
- Fixe as definições do eixo técnico. Os três tipos de aprendizado e os pares overfitting × underfitting e treino × teste rendem a maioria das questões conceituais.
- Separe lei × projeto × política. Decore o status: LGPD é lei; Marco Legal da IA é projeto; EBIA/PBIA são política; a Resolução CNJ nº 615/2025 vale no Judiciário.
- Resolva questões e revise o que confunde. Termos trocados são a armadilha número um da área.
Este artigo faz parte do nosso guia sobre como se preparar para concursos de TI; se você quer entender por que dados, segurança e IA vêm crescendo nos editais, veja também as tendências dos concursos de TI. E quando estiver pronto para testar o conteúdo, meça seu domínio real resolvendo itens no banco de questões — é a diferença entre reconhecer o conceito na prova e travar na hora.
Perguntas frequentes
Não existe ainda uma lei geral e específica de IA em vigor. Em meados de 2026, o Marco Legal da IA (PL 2338/2023) foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e seguia em tramitação na Câmara dos Deputados — continua sendo projeto de lei. A norma em vigor que já alcança a IA é a LGPD (Lei nº 13.709/2018), sobretudo no tratamento de dados e nas decisões automatizadas. Confirme sempre a versão vigente antes da prova.
O art. 20 da LGPD (Lei nº 13.709/2018) garante ao titular o direito de solicitar a revisão de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de dados que afetem seus interesses, como perfis de crédito ou de consumo. Um detalhe importante: a redação original previa revisão 'por pessoa natural', mas essa expressão foi retirada pela Lei nº 13.853/2019 — hoje há direito à revisão, mas a lei não obriga que ela seja feita por um humano.
Os três tipos clássicos: aprendizado supervisionado (com dados rotulados, para classificação e regressão), não supervisionado (busca padrões em dados sem rótulo, como agrupamento/clustering) e por reforço (um agente aprende por tentativa e erro maximizando uma recompensa). A banca costuma trocar um pelo outro para criar pegadinha, então domine a diferença entre eles e seus exemplos.
Overfitting (sobreajuste) é quando o modelo 'decora' os dados de treino, capturando até o ruído, e vai mal em dados novos. Underfitting (subajuste) é o oposto: o modelo é simples demais e não capta o padrão nem no treino. A divisão da base em treino e teste serve justamente para detectar esses erros — bom desempenho no treino e ruim no teste é o sintoma típico de overfitting.
Pela Resolução CNJ nº 615/2025, aprovada em fevereiro de 2025, que atualizou a antiga Resolução CNJ nº 332/2020. Ela define diretrizes para o desenvolvimento, uso e auditoria de ferramentas de IA nos tribunais, com supervisão humana obrigatória, classificação dos sistemas por nível de risco e exigência de auditorias. É norma infralegal (resolução), não lei, e é tema recorrente em concursos de tribunais.
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