Questão de Direito Penal — Concurso de Pessoas — CESPE / CEBRASPE 2017
Direito Penal›Concurso de Pessoas
Código
ce077706
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-GO
Ano
2017
Nível
Superior
Cargo
CESPE - - Delegado de Polícia Substituto
Álvaro e Samuel assaltaram um banco utilizando arma de fogo. Sem ter ferido ninguém, Álvaro conseguiu fugir. Samuel, nervoso por ter ficado para trás, atirou para cima e acabou atingindo uma cliente, que faleceu. Dias depois, enquanto caminhava sozinho pela rua, Álvaro encontrou um dos funcionários do banco e, tendo sido por ele reconhecido como um dos assaltantes, matou-o e escondeu seu corpo.Acerca dessa situação hipotética, assinale a opção correta.
AÁlvaro cometeu os crimes de roubo qualificado e homicídio simples.
BSamuel cometeu os crimes de roubo simples e homicídio culposo.
CÁlvaro cometeu os crimes de roubo e homicídio qualificados.
DÁlvaro cometeu o crime de homicídio qualificado e será responsabilizado pelo resultado morte ocorrido durante o roubo.
EÁlvaro e Samuel cometeram o crime de roubo qualificado pelo resultado morte.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Álvaro cometeu o crime de homicídio qualificado e será responsabilizado pelo resultado morte ocorrido durante o roubo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Roubo e homicídio em co-autoria: latrocínio e homicídio autônomo
Gabarito: letra D. Álvaro cometeu homicídio qualificado ao matar o funcionário do banco para eliminar testemunha e, em co-autoria com Samuel, será responsabilizado pela morte da cliente ocorrida durante o roubo, configurando latrocínio (art. 157, §3º, II, CP). A banca explora a diferença entre a morte que qualifica o roubo (resultado previsível da violência empregada no roubo) e a morte posterior, independente, que constitui crime autônomo.
No caso, Álvaro e Samuel praticaram roubo majorado pelo uso de arma de fogo (art. 157, §2º, I, CP) e pelo concurso de pessoas (art. 157, §2º, II, CP). Durante a execução, Samuel, nervoso, disparou para cima e matou uma cliente. Essa morte decorreu da violência do roubo e foi previsível, portanto ambos respondem pelo latrocínio (roubo qualificado pelo resultado morte — art. 157, §3º, II, CP). A doutrina e jurisprudência, conforme exposto no material de apoio, afirmam que no roubo a mão armada todos os co-autores respondem pelo resultado morte quando este é previsível, independentemente de quem efetuou o disparo (excesso quantitativo). Posteriormente, Álvaro, sozinho, matou o funcionário que o reconheceu — crime autônomo de homicídio qualificado (art. 121, §2º, IV ou V, CP). Samuel não participou desse homicídio, logo só responde pelo latrocínio.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que Álvaro cometeu "roubo qualificado e homicídio simples". Erro duplo: (1) o roubo praticado por Álvaro, em co-autoria, configura latrocínio (qualificado pela morte), e não simples roubo qualificado (que seria hipótese de arma, por exemplo); (2) o homicídio do funcionário foi qualificado (motivo torpe, para assegurar impunidade), não simples.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que Samuel cometeu "roubo simples e homicídio culposo". Erro: (1) o roubo foi majorado pelo uso de arma de fogo e concurso de pessoas (não simples); (2) o homicídio da cliente foi decorrência da violência do roubo, caracterizando latrocínio (crime doloso qualificado pelo resultado), e não homicídio culposo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A redação é ambígua: "Álvaro cometeu os crimes de roubo e homicídio qualificados". A interpretação mais comum seria que ele praticou roubo qualificado (latrocínio) e homicídio qualificado (do funcionário). Isso seria materialmente correto, mas a alternativa não distingue que a morte da cliente é resultado do roubo (e não homicídio autônomo), e a morte do funcionário é homicídio. A alternativa D é mais precisa ao separar as duas mortes e atribuir o resultado morte do roubo como responsabilidade, sem chamá-lo de "roubo qualificado" de forma genérica. Além disso, a expressão "roubo qualificado" pode ser interpretada como apenas o roubo com causa de aumento (art. 157, §2º), e não o latrocínio, o que tornaria a alternativa errada.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente: Álvaro cometeu homicídio qualificado (matou o funcionário por reconhecimento, com motivação torpe ou para assegurar impunidade, art. 121, §2º, IV ou V, CP) e, em co-autoria, responderá pela morte da cliente ocorrida durante o roubo — que qualifica o roubo para latrocínio (art. 157, §3º, II, CP). A alternativa usa a expressão "será responsabilizado pelo resultado morte" para indicar que essa morte é um resultado agravador do roubo, e não um crime separado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Considera que Álvaro e Samuel cometeram apenas o crime de roubo qualificado pelo resultado morte (latrocínio). Ignora o homicídio autônomo praticado por Álvaro contra o funcionário, que ocorreu em momento e circunstância diversos, sem participação de Samuel. Portanto, Álvaro responde também por esse homicídio.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura conceitos de co-autoria e responsabilidade por resultado no roubo com a prática de um homicídio autônomo posterior. O candidato pode pensar que a morte do cliente é homicídio simples ou culposo, ou que Álvaro não responde por ela por ter fugido antes. Lembre-se: no latrocínio, todos os co-autores respondem pela morte previsível decorrente da violência do roubo, mesmo sem tê-la causado diretamente. Já a morte posterior é crime independente.