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Questão de Economia — Macroeconomia — CESPE / CEBRASPE 2018

EconomiaMacroeconomia
Código
ce102652
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-MG
Ano
2018
Nível
Superior
Cargo
CESPE - - Analista de Controle Externo - Ciências Econômicas
Em relação à política monetária e à fiscal em uma pequena economia aberta, com plena mobilidade de capitais e câmbio fixo, assinale a opção correta.
  1. AExiste a possibilidade de déficit crônico e persistente do balanço de pagamentos.
  2. BOs movimentos das reservas internacionais ficam exógenos.
  3. CMovimentos de elevação das taxas de juros internacionais não podem ser esterilizados por intermédio de operações no mercado aberto.
  4. DAmpliações da carteira de títulos públicos em posse do banco central são compensadas por reduções na base monetária.
  5. ENesse modelo de economia, o banco central deve abrir mão da política monetária como instrumento de política macroeconômica.
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GabaritoE — Nesse modelo de economia, o banco central deve abrir mão da política monetária como instrumento de política macroeconômica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Política Monetária e Fiscal em uma Pequena Economia Aberta com Câmbio Fixo e Plena Mobilidade de Capitais

Gabarito: letra E. No modelo Mundell-Fleming, sob regime de câmbio fixo e perfeita mobilidade de capitais, a política monetária é totalmente ineficaz para alterar o produto real, pois qualquer tentativa de expandir ou contrair a oferta monetária é neutralizada por fluxos de capital que restauram a taxa de juros internacional e mantêm o câmbio fixo. O banco central perde o controle sobre a oferta monetária, que se torna endógena, de modo que a política monetária não pode ser usada como instrumento macroeconômico independente.

A questão explora as implicações do modelo de Mundell-Fleming para uma pequena economia aberta com as seguintes premissas: perfeita mobilidade de capitais, regime de câmbio fixo e preços rígidos no curto prazo. Nesse contexto, a taxa de juros doméstica é igual à taxa de juros internacional (i=ii = i^*), e qualquer desvio gera fluxos de capitais instantâneos que corrigem o desequilíbrio. A oferta monetária é endógena: o banco central perde o controle sobre a base monetária, que se ajusta para manter o câmbio fixo. Assim, a política monetária expansionista (compra de títulos) aumenta a base monetária, mas isso reduz a taxa de juros abaixo de ii^*, provocando fuga de capitais, que força o banco central a vender reservas internacionais para defender o câmbio, contraindo a base novamente. O resultado é que o produto não se altera, apenas a composição do balanço do banco central (expansão de crédito doméstico é compensada por perda de reservas).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que existe a possibilidade de déficit crônico e persistente do balanço de pagamentos. No modelo com câmbio fixo e perfeita mobilidade de capitais, o balanço de pagamentos (BP) está sempre equilibrado no curto prazo, pois qualquer déficit ou superávit é automaticamente corrigido por fluxos de capitais. O BP é zero por definição (BP = 0) no equilíbrio, já que a conta corrente e a conta de capital e financeira se compensam instantaneamente. Não há déficit crônico, pois a paridade das taxas de juros garante que o BP retorne ao equilíbrio. O erro é supor que o BP possa persistir em desequilíbrio.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que os movimentos das reservas internacionais ficam exógenos. Sob câmbio fixo, as reservas internacionais são endógenas: o banco central as utiliza para manter a taxa de câmbio fixa. Qualquer excesso de oferta ou demanda por moeda estrangeira é absorvido pelo banco central, que compra ou vende reservas. Elas não são determinadas externamente, mas sim pelas condições internas (como política fiscal ou choques). O erro é tratar reservas como exógenas quando são variáveis de ajuste.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que movimentos de elevação das taxas de juros internacionais não podem ser esterilizados por intermédio de operações no mercado aberto. Na verdade, sob câmbio fixo, o banco central pode esterilizar o efeito de entradas ou saídas de capitais sobre a base monetária, comprando ou vendendo títulos públicos para neutralizar a variação das reservas. Embora a eficácia da esterilização seja limitada no longo prazo (devido à impossibilidade de sustentar déficits ou superávits externos), no curto prazo é possível esterilizar. A alternativa nega essa possibilidade, o que é incorreto. O banco central pode realizar operações de mercado aberto para manter a base monetária alvo, compensando a variação das reservas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que ampliações da carteira de títulos públicos em posse do banco central são compensadas por reduções na base monetária. Na verdade, quando o banco central compra títulos (operação expansionista), a base monetária aumenta, não diminui. A relação é direta: compra de títulos → aumento da base monetária. Se houver compensação, seria o contrário: venda de títulos reduz a base. O erro é inverter o sinal. Além disso, sob câmbio fixo, a variação da carteira de títulos pode ser compensada por variação das reservas (não da base), mas a frase está trocada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme explicado, em uma pequena economia aberta com câmbio fixo e plena mobilidade de capitais, a política monetária é ineficaz para alterar o produto. O banco central não consegue controlar a oferta monetária de forma independente, pois qualquer tentativa de expansionista é revertida pela saída de capitais (ou entrada, no caso contracionista). Portanto, o banco central deve abrir mão da política monetária como instrumento de política macroeconômica, restando apenas a política fiscal como ferramenta eficaz para influenciar a demanda agregada. Essa conclusão é a essência do modelo Mundell-Fleming com câmbio fixo e perfeita mobilidade de capitais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a possibilidade de esterilização (alternativa C) e a eficácia da política monetária. Muitos candidatos pensam que o banco central pode atuar sobre a oferta monetária mesmo sob câmbio fixo, mas o modelo mostra que a política monetária é anulada pelos fluxos de capital. A alternativa C está errada por negar a possibilidade de esterilização, mas a pegadinha central é a inefetividade da política monetária, que é o foco da alternativa E.

Gabarito: letra E.

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