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Questão de Direito Penal — Tipicidade — CESPE / CEBRASPE 2019

Direito PenalTipicidade
Código
ce107717
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-PI
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
CESPE - - Promotor de Justiça Substituto
Assinale a opção que indica a teoria sobre a relação de causalidade penal, que define causa como uma condição sem a qual o resultado não teria ocorrido, sendo um antecedente invariável e incondicionado de algum fenômeno, sem distinção entre causa e condição.
  1. Ateoria da equivalência das condições
  2. Bteoria da causalidade adequada
  3. Cteoria da prognose objetiva posterior
  4. Dteoria da causa próxima ou última de Ortmann
  5. Eteoria da imputação objetiva de resultado
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GabaritoA — teoria da equivalência das condições

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Teoria da relação de causalidade penal

Gabarito: Alternativa A. A definição apresentada — "causa como uma condição sem a qual o resultado não teria ocorrido, sendo um antecedente invariável e incondicionado de algum fenômeno, sem distinção entre causa e condição" — corresponde exatamente à teoria da equivalência das condições (também chamada de teoria da conditio sine qua non), que foi acolhida pelo Código Penal em seu art. 13. O dispositivo adota essa teoria ao considerar causa "a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido".

Art. 13CP

Art. 13 — "O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido."

A teoria da equivalência das condições, também chamada de teoria dos antecedentes equivalentes ou da conditio sine qua non, equipara todas as condições que concorreram para o resultado, sem hierarquizá-las. Para verificá-la, emprega-se o método da eliminação hipotética (processo de Thyrén): suprime-se mentalmente a conduta do agente e, se o resultado desaparecer, há nexo causal. Essa teoria é adotada como regra geral no direito penal brasileiro, conforme doutrina majoritária.

As demais teorias divergem justamente por tentar distinguir entre causa e condição ou por impor critérios adicionais de imputação.

1Equivalência das condições (art. 13, CP)
Conditio sine qua non
Sem distinção entre causa e condição
Método: eliminação hipotética
2Causalidade adequada
Só a condição mais idônea
3Prognose objetiva posterior
Juízo ex post
4Causa próxima (Ortmann)
Última condição
5Imputação objetiva
Risco + alcance do tipo
Teorias da causalidade penal
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Teorias da causalidade penal: Equivalência das condições (art. 13, CP) (Conditio sine qua non, Sem distinção entre causa e condição, Método: eliminação hipotética); Causalidade adequada (Só a condição mais idônea); Prognose objetiva posterior (Juízo ex post); Causa próxima (Ortmann) (Última condição); Imputação objetiva (Risco + alcance do tipo)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A descrição do enunciado é a definição clássica da teoria da equivalência das condições. O art. 13 do CP estabelece que "considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido", sem qualquer distinção entre causa e condição, o que corresponde à conditio sine qua non. Portanto, a alternativa está correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A teoria da causalidade adequada sustenta que causa é apenas a condição mais adequada ou idônea a produzir o resultado, distinguindo-a das demais condições (meras circunstâncias). Como o enunciado afirma expressamente que não há distinção entre causa e condição, essa teoria está excluída.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A teoria da prognose objetiva posterior (também chamada de teoria do incremento do risco) é utilizada no âmbito da imputação objetiva, não para definir o nexo causal, mas para verificar se a conduta criou um risco juridicamente proibido que se realizou no resultado. Não se confunde com a definição de causa como condição necessária.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A teoria da causa próxima ou última de Ortmann propõe que se considere como causa somente o último antecedente imediatamente anterior ao resultado, o que contraria a ideia de que todos os antecedentes necessários são equivalentes. Não é a teoria adotada pelo CP.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A teoria da imputação objetiva do resultado é uma construção posterior que não se limita ao nexo causal naturalístico; ela agrega critérios normativos (criação de risco, alcance do tipo, etc.). O enunciado trata exclusivamente da relação de causalidade em sentido natural, sem elementos normativos, portanto não se aplica.

Gabarito: letra A.

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