Questão de Biologia — Identidade dos seres vivos — CESPE / CEBRASPE 2019
- Código
- ce109080
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SLU-DF
- Ano
- 2019
- Nível
- Superior
- Cargo
- CESPE - - Analista de Gestão de Resíduos Sólidos - Biologia
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ❌ ERRADO. A forma infectante do Trypanosoma cruzi para humanos não é encontrada na saliva do inseto vetor, mas sim nas fezes do barbeiro (triatomíneo), eliminadas durante ou após o repasto sanguíneo. A transmissão ocorre quando as fezes contaminadas entram em contato com a pele lesada ou mucosas — e não pela picada em si. Essa é uma distinção clássica entre a transmissão da doença de Chagas e a de outras doenças transmitidas por vetores, como a malária e a dengue, nas quais o parasita é inoculado pela saliva do mosquito.
O Trypanosoma cruzi é um protozoário flagelado do filo Zoomastigophora (ou Kinetoplastida), causador da doença de Chagas. O ciclo de transmissão envolve o inseto vetor (barbeiro, da subfamília Triatominae) e o hospedeiro humano. No intestino do barbeiro, o parasita se multiplica e diferencia-se em formas tripomastigotas metacíclicas, que são as formas infectantes. Essas formas são eliminadas nas fezes do inseto. A infecção humana ocorre quando as fezes contaminadas entram em contato com a pele lesada (ferida da picada) ou com as mucosas (olhos, boca). O ato de coçar o local da picada facilita a penetração do parasita. Portanto, a saliva do vetor não contém a forma infectante; a transmissão é fecal, não salivar.
A confusão entre transmissão salivar e fecal é uma pegadinha recorrente em provas de biologia. O candidato pode associar erroneamente a transmissão de todos os parasitas transmitidos por insetos à picada, mas cada doença tem um mecanismo específico. No caso da doença de Chagas, a transmissão vetorial clássica é pelas fezes do barbeiro. Além disso, existem outras formas de transmissão: transfusional, congênita, oral (por alimentos contaminados com as fezes do inseto) e acidental em laboratório. A transmissão oral, inclusive, tem se tornado relevante em surtos recentes, principalmente pela ingestão de caldo de cana ou açaí contaminados.
A banca troca o mecanismo de transmissão: apresenta a saliva do vetor como veículo da forma infectante, quando na verdade é pelas fezes. Essa confusão é comum porque muitos insetos transmitem doenças pela picada (saliva), como o mosquito Anopheles na malária e o Aedes na dengue. No entanto, o barbeiro elimina o parasita nas fezes, e a infecção ocorre por contato das fezes com a pele lesada ou mucosas. Lembre-se: Chagas = fezes; malária/dengue = saliva.
A afirmação está errada porque a forma infectante do Trypanosoma cruzi para humanos é encontrada nas fezes do inseto vetor (barbeiro), e não na saliva. O ciclo do parasita no vetor culmina na eliminação de tripomastigotas metacíclicos nas fezes, que são depositadas sobre a pele do hospedeiro durante o repasto sanguíneo. A infecção ocorre quando essas fezes entram em contato com a solução de continuidade da pele (ferida da picada) ou com mucosas. Portanto, a alternativa contraria o mecanismo real de transmissão da doença de Chagas.
Gabarito: ❌ ERRADO.
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