Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2019
- Código
- ce109087
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SLU-DF
- Ano
- 2019
- Nível
- Superior
- Cargo
- CESPE - - Analista de Gestão de Resíduos Sólidos - Biologia
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque as micorrizas são associações mutualistas entre fungos e raízes de plantas (não animais), nas quais ambos os parceiros se beneficiam: o fungo recebe carboidratos da planta e a planta aumenta sua capacidade de absorção de água e nutrientes minerais do solo. A descrição apresentada — comensalismo entre fungos e animais com proteção do trato respiratório — não corresponde a nenhuma relação ecológica real envolvendo micorrizas.
As micorrizas são um dos exemplos mais importantes de mutualismo no reino vegetal. A palavra vem do grego mykos (fungo) e rhiza (raiz), indicando exatamente a associação entre esses dois organismos. Nessa relação, o fungo coloniza as raízes das plantas, formando uma rede de hifas que se estende pelo solo, aumentando a superfície de absorção de água e nutrientes, especialmente fósforo. Em troca, a planta fornece ao fungo carboidratos produzidos pela fotossíntese. É uma relação de benefício mútuo e, portanto, mutualística — não comensal.
A banca explora aqui uma confusão clássica entre os tipos de relação ecológica. O comensalismo é a relação em que uma espécie é beneficiada e a outra não é prejudicada nem beneficiada (como a rêmora que se prende ao tubarão para se alimentar dos restos de suas presas). Já o mutualismo é a relação em que ambas as espécies são beneficiadas. A micorriza se enquadra claramente no segundo caso, pois tanto o fungo quanto a planta obtêm vantagens da associação.
Além disso, a afirmação erra ao dizer que a relação ocorre entre fungos e animais e que traz benefícios como a proteção do trato respiratório contra infecções. Essa descrição não corresponde a nenhuma relação ecológica conhecida envolvendo fungos. Os fungos podem estabelecer relações com animais (como a microbiota intestinal, que auxilia na digestão), mas isso não é micorriza, e a proteção do trato respiratório não é um benefício típico dessas associações.
A afirmativa está errada por três motivos principais:
Tipo de relação: micorrizas são mutualismo, não comensalismo. No comensalismo, apenas uma espécie é beneficiada; no mutualismo, ambas são beneficiadas. Na micorriza, o fungo obtém carboidratos e a planta obtém maior absorção de nutrientes — benefício mútuo.
Envolvidos: a relação ocorre entre fungos e raízes de plantas, não entre fungos e animais.
Benefício citado: a proteção do trato respiratório contra infecções não é um benefício das micorrizas. Esse benefício não corresponde a nenhuma relação ecológica conhecida envolvendo fungos.
A banca mistura três conceitos para confundir: troca o tipo de relação (comensalismo por mutualismo), troca o parceiro (animais por plantas) e inventa um benefício absurdo (proteção do trato respiratório). O candidato que sabe que micorriza é mutualismo entre fungo e planta elimina a questão rapidamente. Fique atento: a banca adora inverter os termos das relações ecológicas — sempre verifique quem são os envolvidos e quem se beneficia.
Para acertar questões de relações ecológicas, monte uma tabela mental com os sinais de benefício (+), prejuízo (–) e neutralidade (0) para cada espécie envolvida. Mutualismo: +/+; Comensalismo: +/0; Parasitismo: +/–; Predação: +/–; Competição: –/–. Micorriza é sempre +/+ (mutualismo).
Gabarito: letra E (ERRADO).
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