Questão de Auditoria Governamental — Processo de Auditoria — CESPE / CEBRASPE 2019
Auditoria Governamental›Processo de Auditoria
Código
ce109982
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE-RO
Ano
2019
Nível
Superior
Cargo
CESPE - - Auditor de Controle Externo - Administração
A respeito da gestão de riscos no setor público, julgue os itens a seguir.I Nem toda organização está sujeita à ocorrência de fraude e corrupção; devendo-se, por isso, avaliar a abrangência e a profundidade da implantação de controles considerando-se, em primeiro plano, o tamanho e a natureza da organização.II É sempre possível adotar controles para o combate à fraude e à corrupção, contudo eles devem ser empregados de forma a promover, no menor tempo e custo admissíveis, a disponibilização aos cidadãos dos resultados desse combate.III Para uma relação custo-benefício mais vantajosa na aplicação de controles, a organização deve focalizar a sua atuação nas áreas de menor risco e naquelas em que os esforços tenham os maiores impactos.IV Os benefícios decorrentes da implantação de controles antifraude e anticorrupção devem ser maiores que os seus custos.Assinale a opção correta.
AApenas o item I está certo.
BApenas o item II está certo.
CApenas os itens I e III estão
DApenas os itens II e IV estão certos.
EApenas os itens III e IV estão certos.
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GabaritoD — Apenas os itens II e IV estão certos.
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Gestão de Riscos no Setor Público
Gabarito: letra D (apenas os itens II e IV estão certos). A questão testa princípios da gestão de riscos, especialmente no combate a fraudes e corrupção. O item II está correto ao afirmar que controles são sempre possíveis e devem buscar eficiência e transparência; o item IV reflete a análise custo-benefício, que exige que os benefícios superem os custos. Os itens I e III trazem erros conceituais: o primeiro nega a universalidade do risco de fraude e o segundo propõe focar em áreas de baixo risco, contrariando a lógica da gestão de riscos.
Item
Conteúdo
Correto?
Justificativa
I
Nem toda organização está sujeita à ocorrência de fraude e corrupção; deve-se avaliar a abrangência e profundidade dos controles considerando, em primeiro plano, o tamanho e a natureza da organização.
❌ Incorreto
Toda organização está exposta a riscos de fraude e corrupção, embora em intensidade variável; a definição de controles deve basear-se na avaliação de riscos, não primordialmente no tamanho e natureza.
II
É sempre possível adotar controles para combate à fraude e corrupção; eles devem ser empregados para promover, no menor tempo e custo admissíveis, a disponibilização dos resultados aos cidadãos.
✅ Correto
Controles são sempre possíveis e devem buscar eficiência (menor tempo e custo) e transparência (disponibilização dos resultados), alinhando-se ao princípio da eficiência na administração pública.
III
Para relação custo-benefício mais vantajosa, a organização deve focalizar atuação nas áreas de menor risco e naquelas em que os esforços tenham os maiores impactos.
❌ Incorreto
A gestão de riscos concentra controles em áreas de maior risco, não de menor risco; a lógica é priorizar onde o risco é mais significativo.
IV
Os benefícios decorrentes da implantação de controles antifraude e anticorrupção devem ser maiores que seus custos.
✅ Correto
Reflete a análise custo-benefício, princípio fundamental da gestão de riscos, exigindo que benefícios superem custos.
Alternativa A — ❌ Incorreta (apenas o item I está certo)
O item I afirma que "nem toda organização está sujeita à ocorrência de fraude e corrupção". Na gestão de riscos, toda organização está exposta a riscos de fraude e corrupção, embora em intensidade variável. A ISO 31000 estabelece que "gerenciar riscos é parte de todas as atividades associadas com uma organização" e que o processo considera contextos internos e externos. Além disso, a definição dos controles deve ser baseada na avaliação de riscos, não primordialmente no tamanho e natureza da organização. Portanto, o item I é falso, tornando a alternativa A incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta (apenas o item II está certo)
O item II é verdadeiro: é sempre possível adotar controles, e eles devem ser implementados de forma eficiente (menor tempo e custo admissíveis) e transparente (disponibilização dos resultados aos cidadãos). Esse entendimento alinha-se ao princípio da eficiência na administração pública. Contudo, a alternativa B considera apenas o item II como correto, ignorando que o item IV também está correto. Como a banca pede a opção que reúne todos os itens certos, apenas II não é suficiente. Logo, alternativa incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta (apenas os itens I e III estão certos)
Tanto o item I quanto o item III são falsos. O item I já foi analisado: nega a exposição universal a fraudes. O item III propõe que a organização focalize atuação nas áreas de menor risco para obter relação custo-benefício vantajosa. Isso é contrário à lógica da gestão de riscos: os controles devem ser concentrados nas áreas de maior risco, onde o impacto potencial é mais significativo. A ISO 31000 destaca que a gestão de riscos deve ser "personalizada e proporcional aos contextos" e que a avaliação de riscos prioriza riscos mais relevantes. Portanto, a alternativa C, que considera ambos corretos, está errada.
Alternativa D — ✅ Correta (apenas os itens II e IV estão certos) ⟵ GABARITO
Como demonstrado:
Item II: correto — controles são sempre possíveis e devem ser aplicados com eficiência e transparência.
Item IV: correto — "os benefícios decorrentes da implantação de controles antifraude e anticorrupção devem ser maiores que os seus custos". Esse é o princípio da análise custo-benefício, fundamental para justificar investimentos em controles. A gestão de riscos busca que os recursos alocados gerem valor superior ao custo.
Ambos os itens estão de acordo com as boas práticas de governança e gestão de riscos. Nenhum outro item está correto. Portanto, a alternativa D é a resposta certa.
Alternativa E — ❌ Incorreta (apenas os itens III e IV estão certos)
O item III é falso (conforme explicado na alternativa C). O item IV é verdadeiro. Como a alternativa considera ambos corretos, está incorreta. Apenas o item IV não é suficiente para tornar a alternativa válida, pois o item III é falso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas confusões comuns: (1) pensar que algumas organizações estão imunes a fraudes (item I), quando na verdade o risco é universal, variando apenas o grau; (2) inverter a prioridade de alocação de controles, sugerindo foco em áreas de menor risco (item III), quando a lógica manda priorizar as de maior risco para maximizar o custo-benefício. Fique atento a esses desvios!