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Questão de Direito Processual Penal — Da Prisão e da Liberdade Provisória — CESPE / CEBRASPE 2019

Direito Processual PenalDa Prisão e da Liberdade Provisória
Código
ce110995
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ-AM
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
CESPE - - Assistente Judiciário
Jaime foi preso em flagrante por ter furtado uma bicicleta havia dois meses. Conduzido à delegacia, Jaime, em depoimento ao delegado, no auto de prisão em flagrante, confessou que era o autor do furto. Na audiência de custódia, o Ministério Público requereu a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, sob o argumento da gravidade abstrata do delito praticado. No entanto, após ouvir a defesa, o juiz relaxou a prisão em flagrante, com fundamento de que não estava presente o requisito legal da atualidade do flagrante, em razão do lapso temporal de dois meses entre a consumação do crime e a prisão do autor. Dias depois, em nova diligência no inquérito policial instaurado pelo delegado para apurar o caso, Jaime, já em liberdade, retratou-se da confissão, alegando que havia pegado a bicicleta de Abel como forma de pagamento de uma dívida. Ao ser ouvido, Abel confirmou a narrativa de Jaime e afirmou, ainda, que registrou boletim de ocorrência do furto da bicicleta em retaliação à conduta de Jaime, seu credor. Por fim, o juiz competente arquivou o inquérito policial a requerimento de membro do Ministério Público, por atipicidade material da conduta, sob o fundamento de ter havido entendimento mútuo e pacífico entre Jaime e Abel acerca da questão, nos termos do relatório final produzido pelo delegado. 
A respeito da situação hipotética precedente, julgue o item a seguir.O relaxamento da prisão em flagrante de Jaime implica, por derivação, a ilicitude das provas produzidas diretamente em decorrência do flagrante.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prisão em flagrante e ilicitude das provas por derivação

Gabarito: Certo. O relaxamento da prisão em flagrante por ilegalidade (ausência de atualidade) torna ilícitas as provas obtidas diretamente em decorrência do flagrante, como a confissão prestada no auto de prisão, aplicando-se a teoria dos frutos da árvore envenenada (art. 157 do CPP).

A prisão em flagrante exige que o crime esteja ocorrendo ou tenha acabado de ocorrer, ou que haja perseguição imediata. No caso, Jaime foi preso dois meses após o furto, o que não configura flagrante. O juiz, corretamente, relaxou a prisão por falta de atualidade. A confissão de Jaime foi colhida durante esse flagrante ilegal. Pelo art. 157 do CPP, são inadmissíveis as provas obtidas em violação a normas legais; a prisão ilegal é violação legal. A teoria dos frutos da árvore envenenada estabelece que as provas que derivam diretamente de um ato ilegal também são ilícitas. Portanto, a confissão é ilícita. O fato de ter sido relaxada a prisão não convalida a prova; ao contrário, reconhece a ilegalidade que contamina a prova.

  1. 1Prisão em flagrante ilegal
  2. 2Relaxamento da prisão
  3. 3Provas diretamente decorrentes
  4. 4Teoria dos frutos da árvore envenenada
  5. 5Provas ilícitas (art. 157 CPP)
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NÃO CAIA NESSA!

Cuidado para não achar que o relaxamento da prisão apenas liberta o indivíduo, mantendo a validade das provas colhidas. A lógica é inversa: a ilegalidade do flagrante contamina as provas diretamente dele decorrentes, por aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada.

Gabarito: Certo.

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