Segundo parágrafo da crônica: posicionamento do autor
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que reflete a visão pessoal do autor no segundo parágrafo: ele afirma que fragmentos do mundo anterior à guerra, como a servidão civil da mulher, ainda persistiam (como "rabo de lagartixa") apesar de já pertencerem a um contexto liquidado. Essa é uma posição interpretativa, e não um dado meramente factual.
O comando pede que identifiquemos o posicionamento do autor – sua opinião, seu juízo de valor. O segundo parágrafo diz que a Primeira Guerra acabou com o mundo do século XIX, mas pedaços dele (colonialismo, opressão, servidão civil da mulher) ainda "andam por aí", embora desprovidos de sentido, como um "rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido". O autor se posiciona ao constatar que esses vestígios persistem, o que carrega uma crítica: são resquícios anacrônicos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a guerra foi um acontecimento europeu. O texto realmente diz "Era apenas mais uma guerra na Europa", mas isso é um dado descritivo, não um posicionamento. O autor não se posiciona sobre o caráter europeu da guerra; ele usa essa informação para contrastar com a enormidade das consequências. Logo, extrapola o que se pede (posicionamento) – é um fato, não opinião.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que pessoas que assistiram à morte do mundo em 1914 ainda estavam vivas naquela época. O texto afirma literalmente: "Pessoas que aí estão vivas assistiram à morte do mundo em agosto de 1914". No entanto, isso é uma proposição factual, não um posicionamento do autor. Além disso, o trecho não expressa juízo de valor – é meramente constatação. A banca pede onde o autor se posiciona, não onde ele relata um fato.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a guerra acabou com a belle époque e os hábitos vitorianos. De fato, o texto diz que a guerra "acabou com a belle époque, a respeitabilidade vitoriana...". Embora seja uma opinião do autor, ela é genérica e literal – o autor está apenas narrando o que aconteceu, mas o posicionamento mais marcante e peculiar do parágrafo é a persistência dos resquícios (D). Além disso, a alternativa C é uma paráfrase direta de parte do texto, sem o tom crítico que o autor imprime ao falar dos "pedaços" que ainda vagam. A banca considerou que C não capta o posicionamento central: a visão de que o velho mundo morreu, mas seus fragmentos ainda existem.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O texto afirma: "Pedacos dele andam por ai, vagando, como o colonialismo, a opressao de grupos financeiros, a servidao civil da mulher, mas pertencem a um contexto liquidado, rabo de lagartixa vibrando depois que o corpo foi abatido." O autor posiciona-se ao assinalar que, mesmo após a morte do mundo antigo, estruturas como a servidão civil feminina ainda perduravam ("andam por aí"). Essa é uma opinião que revela a visão do cronista sobre a permanência anacrônica de certas práticas. A alternativa capta exatamente esse juízo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que alguns hábitos e conceitos anteriores à guerra pareciam eternos. O texto menciona "mundo que parecia eterno". Contudo, essa é uma percepção anterior à guerra, não o posicionamento do autor no momento da escrita. O autor não afirma que eles pareciam eternos; ele afirma que a guerra os destruiu. A alternativa toma a aparência de eternidade como um fato, quando no parágrafo o autor a usa para realçar o contraste com a destruição. Além disso, não revela a opinião do autor sobre o presente, mas apenas uma característica do passado.
Conclusão: A única alternativa que expressa a opinião/posicionamento do autor no segundo parágrafo é a D, pois ele aponta a sobrevivência de elementos opressivos como a servidão civil da mulher, mesmo após o fim do mundo antigo.