Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2019
Português›Interpretação de Textos
Código
ce111769
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TJ-PR
Ano
2019
Nível
Médio
Cargo
CESPE - - Técnico Judiciário
Cada uma das opções a seguir apresenta uma proposta de reescrita do seguinte trecho do texto 1A1-I: “A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.” (ℓ. 20 a 23). Assinale a opção em que a proposta apresentada preserva os sentidos do texto.
AA natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, mas lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.
BA natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, porque lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.
CA natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, se lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.
DA natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, logo lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.
EA natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, ou lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.
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GabaritoA — A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, mas lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita que preserva o sentido — o papel dos conectivos
Gabarito: letra A. A única reescrita que preserva os sentidos do texto é a que usa o conectivo "mas", pois mantém a relação de oposição que existe, no trecho original, entre o alerta da natureza e a atitude humana de postergar. Como se lê no trecho:
"A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando. Lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos."
O "e" do original não soma simplesmente duas ideias: ele liga dois fatos que se contrastam — a gravidade do aviso e a inação de quem o recebe. A alternativa A explicita esse contraste com "mas", sem acrescentar nem suprimir nada.
A chave da questão: o que significa "preservar os sentidos"
Quando a banca pede uma reescrita que preserve os sentidos, ela não exige apenas correção gramatical: exige que a relação lógica entre as orações continue a mesma. No trecho, há uma quebra de expectativa: a natureza anuncia um problema gravíssimo (água infecta e acabando), e a reação humana deveria ser agir — mas o texto diz que postergamos a tragédia. Essa quebra é uma oposição (adversidade).
O conectivo "e" no original é um "e" adversativo — fenômeno comum em que a conjunção aditiva assume valor de contraste, como em "estudou muito e não passou". A reescrita correta precisa explicitar esse valor sem alterá-lo. Veja como cada conectivo das alternativas muda a relação:
Conectivo
Relação que instaura
Efeito no trecho
mas
Oposição / contraste
Mantém a quebra de expectativa — correto
porque
Causa
Faz a postergação ser causa do aviso — inverte a lógica
se
Condição
Torna a postergação uma condição — não há condição no original
logo
Conclusão
Faz a postergação ser consequência do aviso — não é o sentido
ou
Alternância / exclusão
Sugere que os fatos se excluem — absurdo lógico
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A reescrita com "mas" é a única que preserva a oposição presente no original. O trecho fica:
"A natureza está dizendo que a água, além de infecta, está acabando, mas lemos a notícia e postergamos a tragédia para nossos netos."
O "mas" é o conectivo adversativo por excelência: ele marca o contraste entre a gravidade do alerta e a atitude de adiar. Nada é acrescentado nem suprimido — apenas se torna explícita a relação que o "e" já sugeria. É exatamente o que o comando pede.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O "porque" instaura uma relação de causa: a segunda oração passaria a ser a causa da primeira. O trecho diria que a natureza está dizendo que a água está acabando porque lemos a notícia e postergamos — o que inverte a lógica. No original, a postergação é uma reação ao aviso, não a causa dele. Erro: troca de relação semântica (causa no lugar de oposição).
Alternativa C — ❌ Incorreta
O "se" introduz uma condição: a segunda oração passaria a ser condição para a primeira. O trecho diria que a natureza está dizendo que a água está acabando se lemos a notícia e postergamos — o que não faz sentido, pois o aviso da natureza não depende da nossa reação. Erro: troca de relação semântica (condição no lugar de oposição).
Alternativa D — ❌ Incorreta
O "logo" é um conectivo de conclusão: a segunda oração passaria a ser consequência da primeira. O trecho diria que, como a natureza avisa, logo postergamos — o que sugere que a postergação é um resultado lógico do aviso. No original, a postergação é uma falha diante do aviso, não uma consequência natural. Erro: troca de relação semântica (conclusão no lugar de oposição).
Alternativa E — ❌ Incorreta
O "ou" estabelece alternância ou exclusão: as duas orações passariam a ser opções que se excluem. O trecho diria que a natureza avisa ou nós postergamos — o que não corresponde ao original, em que os dois fatos coexistem e se contrastam. Erro: troca de relação semântica (alternância no lugar de oposição).
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o conectivo "e" por outros que alteram a relação lógica entre as orações. A única que mantém o sentido é a que explicita a oposição já presente no original — o "mas".
PEGA ESSA DICA!
Ao reescrever, pergunte-se: "que relação o conectivo original estabelece?" Se o "e" liga ideias que se contrastam, ele é adversativo — troque por "mas", "porém", "contudo". Nunca troque por conectivo de causa, condição, conclusão ou alternância sem verificar se o sentido continua o mesmo.
PEGA ESSA DICA!
MAS = MAS não é só adição: é o conectivo da quebra de expectativa. Se a segunda ideia contraria a primeira, o "e" vira "mas".