Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2019
- Código
- ce113072
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPC-PA
- Ano
- 2019
- Nível
- Médio

fosse substituído por- Aassim.
- Bvisto que.
- Cembora.
- Dao passo que.
- Epor conseguinte.

fosse substituído porGabaritoB — visto que.
A substituição do termo “pois” por “visto que” preserva o sentido original e a correção gramatical, pois ambos são conectivos que introduzem uma justificativa/causa para a afirmação anterior. Como se lê no trecho:
“...deficiência que, uma vez executado e pago o serviço, feito está, pois não se recupera todo o dinheiro público gasto irregularmente.”
O “pois” aqui explica por que o dinheiro não é recuperado: porque o serviço já foi executado e pago. “Visto que” mantém exatamente essa relação de causa/justificativa, sem alterar a lógica do período.
O comando pede que a troca preserve os sentidos originais e a correção gramatical. Isso significa que o conectivo substituto deve ter o mesmo valor semântico do “pois” no contexto — e não apenas ser gramaticalmente possível. O “pois” pode ser:
Explicativo (quando introduz uma justificativa): “Ele não veio, pois estava doente.”
Conclusivo (quando vem após o verbo, equivalendo a “portanto”): “Estudou muito; passou, pois.”
No trecho, o “pois” está antes do verbo e introduz a causa de algo não acontecer (não se recuperar o dinheiro). Logo, é explicativo/causal — e “visto que” é a locução conjuntiva causal por excelência.
Conectivo | Valor semântico | Preserva o sentido? |
|---|---|---|
Visto que | Causal/explicativo | ✅ Sim |
Assim | Conclusivo | ❌ Não |
Embora | Concessivo | ❌ Não |
Ao passo que | Proporcional/adversativo | ❌ Não |
Por conseguinte | Conclusivo | ❌ Não |
“Assim” é um conectivo conclusivo (equivale a “portanto”, “dessa forma”). Substituir “pois” por “assim” transformaria a justificativa em uma conclusão, invertendo a relação lógica: em vez de explicar por que o dinheiro não é recuperado, o período passaria a afirmar que, por isso, o dinheiro não é recuperado. O sentido original seria alterado.
“Visto que” é uma locução conjuntiva causal/explicativa, perfeitamente intercambiável com “pois” neste contexto. Mantém a relação de causa e efeito: o fato de o serviço já ter sido executado e pago é a razão pela qual não se recupera o dinheiro. A troca preserva tanto o sentido quanto a correção gramatical.
“Embora” é uma conjunção concessiva — introduz uma ideia de oposição/ressalva (equivale a “ainda que”, “mesmo que”). Substituir “pois” por “embora” criaria um contrassenso: o período passaria a dizer que, mesmo que o serviço tenha sido executado, não se recupera o dinheiro — o que não é a intenção do autor, que apresenta uma causa, não uma ressalva.
“Ao passo que” é uma locução conjuntiva proporcional (equivale a “à medida que”) ou, em alguns usos, adversativa (equivale a “enquanto que”). Nenhum desses valores corresponde ao de “pois”. A substituição introduziria uma relação de proporção ou contraste que não existe no texto, alterando completamente o sentido.
“Por conseguinte” é uma locução conclusiva (equivale a “portanto”, “logo”). Assim como “assim”, ela inverteria a relação lógica: em vez de explicar a causa, o período passaria a apresentar uma consequência. O sentido original seria perdido.
A banca explora a polissemia do “pois” — ele pode ser explicativo ou conclusivo. Quem não percebe que, no texto, ele é explicativo (vem antes do verbo e introduz justificativa) tende a marcar “assim” ou “por conseguinte”, que são conclusivos. A dica é observar a posição e a função: se o “pois” explica por que, o substituto deve ser causal.
Ao trocar conectivos, pergunte-se: que relação lógica o conectivo original estabelece? Se for causa, procure um causal; se for conclusão, um conclusivo; se for oposição, um adversativo. Nunca troque apenas por “soar bem” — o sentido tem de ser preservado.
Gabarito: letra B.
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