Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2019
Português›Interpretação de Textos
Código
ce113075
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPC-PA
Ano
2019
Nível
Médio
Infere-se do texto CG3A3-I que, com relação aos gastos da administração pública, é melhor prevenir do que remediar porque
Ao erro custa muito caro à sociedade.
Berros não são admitidos na administração pública.
Cgastos indevidos refletem ausência de cautela e planejamento.
Do dinheiro público gasto irregularmente nunca é recuperado.
Ea administração pública não dispõe de verba para ressarcir eventuais prejuízos causados ao cidadão.
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GabaritoA — o erro custa muito caro à sociedade.
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Inferência sobre a prevenção de gastos públicos
Gabarito: letra A. A questão pede uma inferência (o comando diz "Infere-se"), mas a resposta está ancorada em uma causa explicitamente declarada no texto: é melhor prevenir do que remediar porque o erro custa muito caro à sociedade. Essa ideia aparece literalmente no segundo parágrafo, quando o autor afirma que "o erro custa muito caro à sociedade" e explica que "direta ou indiretamente" isso ocorre. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou restringem indevidamente o seu alcance.
A chave de resolução
O comando "Infere-se" indica que a resposta não está necessariamente literal, mas deve ser uma dedução ancorada em pistas do texto. Aqui, porém, a causa pedida está quase explícita: o autor diz que, na administração pública, "o 'errar é humano' não vale, não pode valer", e justifica: "não porque o ser humano não possa errar, mas porque, direta ou indiretamente, o erro custa muito caro à sociedade". Essa é a razão nuclear que sustenta a tese de que "é melhor prevenir do que remediar".
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é uma paráfrase fiel da causa apresentada pelo autor. Veja o trecho decisivo:
"não porque o ser humano não possa errar, mas porque, direta ou indiretamente, o erro custa muito caro à sociedade"
O autor afirma que o erro "custa muito caro à sociedade" — exatamente o que a alternativa A diz. Não há acréscimo nem restrição: é a causa que o texto aponta para justificar a prevenção. Portanto, é a única inteiramente sustentada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa B afirma que "erros não são admitidos na administração pública", mas o texto diz o contrário: o autor reconhece que "o ser humano não possa errar" — ou seja, o erro é possível; o que não se admite é que ele seja tratado com a mesma tolerância do ditado popular. O texto diz que "o 'errar é humano' não vale, não pode valer" no âmbito da coisa pública, mas isso não significa que erros sejam impossíveis ou não admitidos — significa que suas consequências são graves. A alternativa inverte o sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto menciona que "cautela e planejamento devem ser as palavras de ordem para o gasto público", mas não afirma que gastos indevidos refletem ausência de cautela e planejamento. Essa é uma dedução que vai além do que está escrito: o texto não estabelece essa relação de causa e efeito entre o gasto indevido e a falta de cautela/planejamento. A alternativa acrescenta uma ideia que não está no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: restringe indevidamente. O texto diz que "não se recupera todo o dinheiro público gasto irregularmente" — ou seja, parte pode ser recuperada, mas não todo. A alternativa D afirma que "o dinheiro público gasto irregularmente nunca é recuperado", o que é uma generalização absoluta que o texto não sustenta. A palavra "nunca" é o alerta clássico: o texto fala em "pouco, muito pouco é recuperado", não em recuperação zero.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não menciona, em nenhum momento, que a administração pública "não dispõe de verba para ressarcir eventuais prejuízos". Essa é uma informação externa ao texto, uma suposição do candidato. O texto fala em "limitações de um orçamento" para escolhas de investimento, mas não diz que falta verba para ressarcimento. A alternativa foge ao tema e acrescenta um dado que não está no texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação — oferece alternativas que parecem plausíveis (como a D, com o "nunca") ou que misturam ideias do texto (como a C), mas que não correspondem exatamente ao que o autor afirma. A correta é a que parafraseia a causa explícita.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de inferência, desconfie de palavras absolutas como "nunca", "sempre", "todo" — elas quase sempre restringem o alcance do texto. E lembre-se: a resposta mora no texto, não no seu conhecimento de mundo.