Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2019
- Código
- ce113189
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- PGE-PE
- Ano
- 2019
- Nível
- Superior

- CCerto
- EErrado

GabaritoE — Errado
Gabarito: E (Errado). A afirmação está incorreta porque o trecho subsequente a “difícil” (l.18) não funciona como complemento desse termo, mas como sujeito oracional da forma verbal “é”. Como se lê no texto: “Mas é difícil dizer se a maior turbulência depende de uma crise moral (...) ou de outras causas”. O que vem depois de “difícil” é a oração “dizer se a maior turbulência depende...”, que exerce a função de sujeito do verbo “é”, e não de complemento nominal.
Observe a oração completa:
“Mas é difícil dizer se a maior turbulência depende de uma crise moral (...) ou de outras causas”
Aqui, o predicado é “é difícil”, formado pelo verbo de ligação “é” e pelo predicativo “difícil”. A oração “dizer se a maior turbulência depende...” é uma oração subordinada substantiva subjetiva, pois funciona como sujeito do verbo “é”. Para confirmar, basta substituí-la por “isso”: “Mas isso é difícil”. O pronome “isso” ocupa a posição de sujeito, o que prova a função sintática da oração.
O termo “difícil” é um adjetivo que exerce função de predicativo do sujeito. Ele não pede complemento nominal; quem pede complemento é um substantivo abstrato, um adjetivo ou um advérbio que exija preposição (ex.: “medo de altura”, “apto para o cargo”). No trecho, “difícil” não é seguido de preposição nem de um termo que lhe complete o sentido — a oração seguinte é o sujeito da oração.
A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que tudo o que vem depois de “difícil” seria seu complemento. No entanto, a análise sintática correta mostra que a oração “dizer se...” é o sujeito do verbo “é”, e não complemento do adjetivo. A pegadinha está em não reconhecer a oração subordinada substantiva subjetiva, que é uma estrutura comum em construções com verbos de ligação + predicativo.
A banca explora a tendência de achar que todo termo posposto a um adjetivo é complemento. A chave é substituir a oração por “isso”: se “isso” funciona como sujeito, a oração é subjetiva, não complemento.
Para identificar o sujeito oracional, pergunte ao verbo “quem?” ou “o quê?”. Em “é difícil”, a pergunta “o que é difícil?” tem como resposta “dizer se...”, o que confirma a função de sujeito.
Gabarito: letra E.
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