Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2019
- Código
- ce113350
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- SLU-DF
- Ano
- 2019
- Nível
- Superior


- CCerto
- EErrado


GabaritoE — Errado
Gabarito: E (ERRADO). O item afirma que, ao chamar de inúteis as atividades de lazer, o autor sugere que elas não devem ser realizadas de segunda a sexta-feira. Isso é uma extrapolação: o texto jamais diz que tais atividades devem ser evitadas nos dias úteis. Pelo contrário, o autor as defende e critica a lógica que as desvaloriza.
A chave está no comando: o item pede uma inferência (“sugere”), mas a conclusão proposta não tem pista no texto. Vejamos o que o autor realmente diz:
“E inútil, portanto: ir ao cinema e ao teatro, fazer piquenique no parque com os filhos, almoçar com a família, tomar cerveja com os amigos, ler um livro, passar a madrugada acordado vendo séries.”
A palavra “inútil” aqui é usada em sentido irônico, medindo as atividades pela “régua da produtividade” — como o próprio texto explica logo em seguida:
“De fato, todas as atividades supracitadas são inúteis se medidas pela régua da produtividade.”
Ou seja, o autor não está dizendo que elas são ruins ou proibidas; está criticando a lógica que só valoriza o que gera produtividade. Tanto que, no parágrafo seguinte, ele afirma preferir “tentar encontrar o que há de útil no supostamente inútil a enxergar o que há de inútil no útil”.
O item comete o erro clássico de extrapolação: acrescenta uma ideia que não está no texto — a de que as atividades de lazer “não devem ser realizadas” nos dias úteis. O texto apenas as classifica como “inúteis” sob a ótica da produtividade, e isso é dito de forma irônica, não como uma recomendação de conduta.
Veja: o autor não diz “não façam isso de segunda a sexta”. Ele diz que, se aceitamos que os dias úteis são os “úteis”, então sábado e domingo seriam “inúteis” — e, por extensão, tudo o que se faz neles também. Mas essa é uma provocação irônica para criticar a lógica produtivista, não uma prescrição.
Além disso, o texto defende essas atividades: fala em “enriquecimento cultural”, “laços familiares e sociais”, e conclui que prefere encontrar o útil no inútil. Portanto, a ideia de que elas “não devem ser realizadas” contradiz a posição do autor.
A banca tenta fazer você acreditar que “inútil” = “não deve ser feito”. Mas o texto usa “inútil” em sentido irônico, medido pela régua da produtividade — e o autor valoriza essas atividades. Desconfie sempre de itens que transformam uma crítica em uma proibição.
Quando o item disser “sugere”, procure a pista no texto. Se a conclusão não estiver ancorada em nenhuma passagem, é extrapolação. Aqui, a pista da ironia está em “se medidas pela régua da produtividade”.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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