Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2020
- Código
- ce113741
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-CE
- Ano
- 2020
- Nível
- Médio
- Cargo
- CESPE - - Técnico Ministerial

- CCerto
- EErrado

GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O item está errado porque extrapola o que o texto afirma: a autora diz que forma e conteúdo estão sempre combinados, mas não estabelece qualquer hierarquia entre eles — não diz que o ritual (a forma) é a dimensão que mais contribui para a transmissão de valores e conteúdos. A passagem decisiva é:
"Agimos como se desconhecêssemos que forma e conteúdo estão sempre combinados e associamos o ritual apenas à forma"
A expressão "estão sempre combinados" indica parceria, junção, jamais superioridade de um sobre o outro. O item, ao afirmar que o ritual é "a dimensão que mais contribui", restringe e hierarquiza o que o texto apresenta como equilibrado — é a clássica armadilha de extrapolação (acrescentar uma gradação que o autor não fez).
A tese central é que tendemos a desvalorizar os rituais, tratando-os como "apenas um ritual" — algo vazio, formal, arcaico. A autora critica essa visão:
"Ritual, nesse caso, é a dimensão menos importante de um evento, sinal de uma forma vazia, algo pouco sério"
Repare: o texto cita a visão comum (ritual como dimensão menos importante), mas é para criticá-la. A autora contrapõe que forma e conteúdo estão sempre combinados — ou seja, o ritual não é vazio, mas parte integrante do evento. No entanto, em nenhum momento ela inverte a hierarquia para dizer que o ritual é o mais importante. Ela apenas equipara forma e conteúdo.
Extrapolação: o texto fala em "combinados" (parceria), a alternativa transforma em "mais contribui" (superioridade).
Restrição indevida: o advérbio "mais" cria uma gradação que não existe no original.
Contradição com a crítica: o texto critica justamente quem diminui o ritual; a alternativa, ao elevá-lo ao topo, comete o erro oposto, mas igualmente não autorizado pelo texto.
Grife o comando: "O texto defende que" — pede compreensão (informação explícita ou paráfrase fiel), não inferência livre.
Identifique a tese: a autora critica a desvalorização do ritual e afirma a combinação entre forma e conteúdo.
Desconfie de superlativos: "mais", "sempre", "apenas" — verifique se o texto realmente sustenta essa intensidade.
Compare com o original: a alternativa diz "mais contribui"; o texto diz "estão sempre combinados". A troca de "combinados" por "mais" é a pegadinha.
A banca extrapola ao transformar a combinação (forma + conteúdo) em hierarquia (forma > conteúdo). O advérbio "mais" é o sinal de alerta: o texto não estabelece gradação.
Em questões de compreensão, desconfie de qualquer alternativa que introduza um superlativo ou comparativo ("mais", "menos", "o principal") se o texto não o usar. A resposta correta é sempre uma paráfrase fiel, sem acréscimos.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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