Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2020
- Código
- ce113742
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-CE
- Ano
- 2020
- Nível
- Médio
- Cargo
- CESPE - - Técnico Ministerial

- CCerto
- EErrado

GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O item está errado porque a autora não repudia o passado; ela apenas descreve, com ironia, a postura dos "modernos" que se julgam livres dos rituais. A passagem citada é: “Tudo se passa como se nós, modernos, guiados pela livre vontade, estivéssemos liberados desse fenômeno do passado”. O verbo "como se" indica uma hipótese contrafactual — ou seja, algo que não corresponde à realidade — e o texto, ao longo de todo o desenvolvimento, refuta essa ideia, mostrando que os rituais continuam presentes e importantes.
O comando pede uma inferência ("depreende-se"), mas a inferência legítima deve estar ancorada em pistas do texto. Aqui, a pista é o modo subjuntivo e a conjunção condicional comparativa "como se", que sinalizam uma suposição contrária aos fatos. A autora não diz "sou moderna e repudio o passado"; ela diz que parece que os modernos estão liberados — e esse "parecer" é justamente o que ela critica ao longo do texto.
Observe o contexto imediato:
"Agimos como se desconhecêssemos que forma e conteúdo estão sempre combinados e associamos o ritual apenas à forma, isto é, à convencionalidade, à rigidez, ao tradicionalismo."
A autora afirma que agimos como se desconhecêssemos — ou seja, nós, modernos, é que estamos equivocados ao associar ritual a algo arcaico. Ela não repudia o passado; ela repudia a visão que reduz o ritual a "fenômeno formal e arcaico".
Contradiz o texto: a autora não repudia o passado; ela critica quem o repudia. O texto defende que os rituais são parte essencial da vida social em qualquer tempo.
Extrapolação: a alternativa acrescenta um juízo de valor ("repudia") que não está no texto. O trecho apenas constata uma ilusão dos modernos, não uma adesão da autora a essa ilusão.
Ignora o "como se": a locução conjuntiva é a pista decisiva — ela instaura uma hipótese irreal, e não uma declaração factual.
A banca explora a literalidade do trecho, ignorando o valor semântico de "como se" (hipótese contrafactual) e o tom crítico da autora em relação à postura dos modernos. Quem lê superficialmente acha que a autora concorda com a ideia de que os modernos estão livres dos rituais — mas o texto inteiro desmonta essa ideia.
Em questões de inferência, grife os conectivos e modos verbais. "Como se" + subjuntivo = irrealidade. Se a alternativa transforma uma hipótese irreal em fato, ela está extrapolando.
Conclusão: o item está ERRADO, pois a autora não repudia o passado; ela apenas descreve ironicamente a crença dos modernos, que o próprio texto refuta. Gabarito: letra E.
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