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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2020

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce113742
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-CE
Ano
2020
Nível
Médio
Cargo
CESPE - - Técnico Ministerial

Imagem da questão

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.Depreende-se do trecho “Tudo se passa como se nós, modernos, guiados pela livre vontade, estivéssemos liberados desse fenômeno do passado” (l. 19 a 21) que a autora, ao se declarar moderna, repudia o que pertence ao passado.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Depreende-se que a autora repudia o passado? — ❌ ERRADO

Gabarito: letra E (ERRADO). O item está errado porque a autora não repudia o passado; ela apenas descreve, com ironia, a postura dos "modernos" que se julgam livres dos rituais. A passagem citada é: “Tudo se passa como se nós, modernos, guiados pela livre vontade, estivéssemos liberados desse fenômeno do passado”. O verbo "como se" indica uma hipótese contrafactual — ou seja, algo que não corresponde à realidade — e o texto, ao longo de todo o desenvolvimento, refuta essa ideia, mostrando que os rituais continuam presentes e importantes.

A chave de resolução

O comando pede uma inferência ("depreende-se"), mas a inferência legítima deve estar ancorada em pistas do texto. Aqui, a pista é o modo subjuntivo e a conjunção condicional comparativa "como se", que sinalizam uma suposição contrária aos fatos. A autora não diz "sou moderna e repudio o passado"; ela diz que parece que os modernos estão liberados — e esse "parecer" é justamente o que ela critica ao longo do texto.

Observe o contexto imediato:

"Agimos como se desconhecêssemos que forma e conteúdo estão sempre combinados e associamos o ritual apenas à forma, isto é, à convencionalidade, à rigidez, ao tradicionalismo."

A autora afirma que agimos como se desconhecêssemos — ou seja, nós, modernos, é que estamos equivocados ao associar ritual a algo arcaico. Ela não repudia o passado; ela repudia a visão que reduz o ritual a "fenômeno formal e arcaico".

Por que a alternativa está errada

  • Contradiz o texto: a autora não repudia o passado; ela critica quem o repudia. O texto defende que os rituais são parte essencial da vida social em qualquer tempo.

  • Extrapolação: a alternativa acrescenta um juízo de valor ("repudia") que não está no texto. O trecho apenas constata uma ilusão dos modernos, não uma adesão da autora a essa ilusão.

  • Ignora o "como se": a locução conjuntiva é a pista decisiva — ela instaura uma hipótese irreal, e não uma declaração factual.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a literalidade do trecho, ignorando o valor semântico de "como se" (hipótese contrafactual) e o tom crítico da autora em relação à postura dos modernos. Quem lê superficialmente acha que a autora concorda com a ideia de que os modernos estão livres dos rituais — mas o texto inteiro desmonta essa ideia.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, grife os conectivos e modos verbais. "Como se" + subjuntivo = irrealidade. Se a alternativa transforma uma hipótese irreal em fato, ela está extrapolando.

Conclusão: o item está ERRADO, pois a autora não repudia o passado; ela apenas descreve ironicamente a crença dos modernos, que o próprio texto refuta. Gabarito: letra E.

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