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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2020

PortuguêsPontuação
Código
ce117012
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-CE
Ano
2020
Nível
Superior

Imagem da questão

Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item seguinte.É facultativo o emprego da vírgula presente na afirmação atribuída a Voltaire, no primeiro período do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula Obrigatória: Separação de Oração Subordinada Adverbial Anteposta

Gabarito: letra E (ERRADO). A vírgula na frase atribuída a Voltaire é obrigatória, não facultativa, pois separa uma oração subordinada adverbial concessiva anteposta da oração principal. A passagem do texto é:

"Desprezo o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito a dizê-lo."

A vírgula após "dizes" isola a oração "Desprezo o que dizes" (que traz ideia de concessão: embora eu despreze o que dizes) da oração principal "mas defenderei até a morte o teu direito a dizê-lo". Quando uma oração adverbial (concessiva, condicional, temporal etc.) vem antes da principal, a vírgula é de uso obrigatório pela norma-padrão.

A Estrutura Sintática da Frase

A frase é um período composto por coordenação e subordinação. Vejamos:

  • Oração 1: "Desprezo o que dizes" — oração subordinada adverbial concessiva (equivale a "embora despreze o que dizes").

  • Oração 2: "mas defenderei até a morte o teu direito a dizê-lo" — oração coordenada sindética adversativa, introduzida pela conjunção "mas".

A vírgula após "dizes" marca o fim da oração subordinada anteposta. Sem ela, a leitura ficaria prejudicada e a estrutura sintática seria violada, pois não se pode unir diretamente a subordinada à coordenada sem o sinal de separação.

Por que a vírgula é obrigatória?

A regra é clara: orações subordinadas adverbiais deslocadas (antepostas ou intercaladas) devem ser separadas por vírgula. Isso inclui as concessivas, condicionais, causais, temporais, etc. Exemplos:

  • "Se chover, não sairei." (condicional anteposta — vírgula obrigatória)

  • "Embora cansado, continuou trabalhando." (concessiva anteposta — vírgula obrigatória)

  • "Quando cheguei, ele já tinha saído." (temporal anteposta — vírgula obrigatória)

A banca tenta confundir o candidato fazendo-o pensar que a vírgula seria facultativa por ser uma pausa de leitura. Mas a vírgula não é pausa; é marca de função sintática. Aqui, ela é exigida pela anteposição da oração adverbial.

Vírgula em oração adverbial anteposta
  • 1Obrigatória
    • Concessiva ("Embora cansado, ...")
    • Condicional ("Se chover, ...")
    • Temporal ("Quando cheguei, ...")
  • 2Facultativa
    • Adjunto adverbial curto ("Ontem, fui...")
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa diz que o emprego da vírgula é facultativo. Isso está errado, pois a vírgula é obrigatória para separar a oração subordinada adverbial concessiva anteposta da oração principal. A banca comete o erro de generalização indevida: pega um caso em que a vírgula é facultativa (como em adjuntos adverbiais curtos) e aplica a uma estrutura em que ela é obrigatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre vírgula facultativa (em adjuntos adverbiais deslocados de pequena extensão) e vírgula obrigatória (em orações adverbiais antepostas). A frase de Voltaire contém uma oração, não um simples adjunto, o que torna a vírgula obrigatória.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre vírgula, identifique primeiro a função sintática do trecho isolado. Se for uma oração adverbial anteposta, a vírgula é obrigatória. Se for um adjunto adverbial curto (ex.: "Ontem, fui ao cinema"), a vírgula é facultativa.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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