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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2020

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce117018
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-CE
Ano
2020
Nível
Superior

Imagem da questão

Acerca das ideias, dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o próximo item.A substituição da expressão “metade delas” (l.15) por cuja metade manteria a correção gramatical e a coesão do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “metade delas” por “cuja metade” — coesão e correção gramatical

Gabarito: Errado (E). A substituição de “metade delas” por “cuja metade” quebraria a coesão e a correção gramatical do período, porque o pronome relativo “cuja” exige um termo possuidor e um termo possuído que estabeleçam relação de posse, o que não ocorre no trecho original. No texto, lê-se:

“Nas Américas, estima-se que 77 milhões de pessoas sofram um episódio de doenças transmitidas por alimentos a cada ano — metade delas são crianças com menos de 5 anos de idade.”

A expressão “metade delas” é um pronome indefinido (“metade”) seguido do pronome pessoal oblíquo “delas” (= de + elas), que retoma anaforicamente “77 milhões de pessoas”. Já “cuja metade” introduziria uma oração adjetiva com o relativo “cujo”, que exige que o substantivo seguinte (“metade”) seja possuído por um antecedente possuidor — relação que não existe entre “pessoas” e “metade”. Além disso, a estrutura sintática mudaria: “cuja metade” funcionaria como sujeito de uma oração subordinada adjetiva, exigindo reestruturação completa do período, o que não preservaria a coesão original.

Análise da assertiva

A assertiva afirma que a troca “manteria a correção gramatical e a coesão do texto”. Isso é falso por dois motivos:

  1. Correção gramatical: “cujo” (e suas flexões) é pronome relativo que estabelece relação de posse entre o antecedente e o termo seguinte. No trecho, “metade” não é algo que “as pessoas” possuam; é uma quantidade que se refere a elas. A construção “cuja metade” exigiria um contexto como “as pessoas, cuja metade é criança”, o que não é o caso.

  2. Coesão: “metade delas” é uma anáfora que retoma “77 milhões de pessoas” de forma direta e natural. “Cuja metade” criaria uma oração subordinada adjetiva que mudaria a estrutura sintática e o fluxo do período, prejudicando a coesão sequencial.

Por que a banca considerou errado?

A banca explora a aparência de equivalência entre “delas” e “cuja”, ambos com valor possessivo/partitivo. No entanto, “cujo” é um pronome relativo que exige oração subordinada adjetiva, enquanto “delas” é um pronome pessoal oblíquo que funciona como complemento nominal de “metade”. A troca não é uma simples substituição de sinônimos; é uma mudança de classe e função que altera a estrutura do período.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que “cuja” pode substituir “delas” por terem sentido possessivo, mas ignora que “cujo” exige reestruturação sintática e relação de posse que não existe no trecho.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituições, verifique se a classe gramatical e a função sintática do termo são preservadas. “Cujo” é relativo; “delas” é pronome pessoal. Não basta o sentido aproximado.

Gabarito: letra E (Errado).

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