Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2020
- Código
- ce117026
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPE-CE
- Ano
- 2020
- Nível
- Superior

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
Gabarito: C (CERTO). A troca de “seja” (presente do subjuntivo) por “é” (presente do indicativo) mantém a coerência e a correção gramatical do texto, pois ambos os tempos verbais são compatíveis com o contexto e a estrutura sintática permanece íntegra. A única diferença é de sentido: o subjuntivo expressa uma possibilidade/hipótese, enquanto o indicativo expressa uma certeza — mas isso não compromete a lógica nem a gramática do período.
O trecho original diz: “a ciência e os especialistas caminham para o entendimento de que o preconceito seja um conceito aprendido”. A forma “seja” está no presente do subjuntivo, empregada após a locução “de que”, que introduz uma oração subordinada substantiva. O subjuntivo aqui sugere uma hipótese — algo que se considera possível, mas não necessariamente confirmado. Já “é” está no presente do indicativo, que expressa certeza ou fato.
Correção gramatical: A oração “que o preconceito é um conceito aprendido” é perfeitamente gramatical. O verbo “ser” concorda com o sujeito “o preconceito” (3ª pessoa do singular) em ambos os casos. Não há qualquer violação de regra sintática.
Coerência: O texto, como um todo, apresenta o preconceito como algo aprendido — essa é a tese central defendida ao longo do texto. Veja as pistas:
“o que pode indicar que o racismo é aprendido ao longo da vida”
“o racismo não tem nenhuma justificativa biológica e não passa de uma invenção muito recente”
O uso do indicativo “é” reforça essa tese como uma afirmação, o que é perfeitamente coerente com o restante do texto. A mudança de subjuntivo para indicativo apenas altera o grau de certeza — de “possibilidade” para “fato” — mas não cria contradição lógica.
A banca explora a confusão entre coerência/correção e sentido. Muitos candidatos marcam “errado” porque percebem que há uma mudança de sentido (subjuntivo → indicativo). Porém, a questão pergunta apenas se a substituição manteria a coerência e a correção gramatical — e isso é verdadeiro. A mudança de sentido não é suficiente para tornar a substituição incorreta, pois o texto continua lógico e gramaticalmente perfeito.
A banca troca o critério de julgamento. A questão não pede “manter os sentidos originais”, mas sim “manter a coerência e a correção gramatical”. Quem lê rápido e assume que “mudou o sentido = errado” cai na armadilha.
Em questões de substituição, leia o comando com atenção: “manter os sentidos” é diferente de “manter a coerência e a correção”. A primeira exige equivalência semântica; a segunda, apenas que o texto continue lógico e gramatical.
A substituição de “seja” por “é” é gramaticalmente correta e mantém a coerência do texto, pois o indicativo é compatível com a tese defendida. A única alteração é de sentido (hipótese → certeza), o que não invalida a afirmação do item.
Gabarito: letra C (CERTO).
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