Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2020
- Código
- ce117201
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Prefeitura de Barra dos Coqueiros - SE
- Ano
- 2020
- Nível
- Fundamental

- Aimplicava.
- Binteressava.
- Cimpedia.
- Dpromovia.
- Eestimulava.

GabaritoA — implicava.
Gabarito: letra A. A forma verbal “importava” (R.32) pode ser substituída por “implicava” sem prejuízo dos sentidos, pois ambas expressam a ideia de acarretar, trazer como consequência. No trecho, o autor afirma que o afastamento do Estado “importava no antagonismo a existência de grupos intermediários” — ou seja, esse afastamento acarretava a oposição a esses grupos. A substituição por “implicava” mantém exatamente essa relação de causa e consequência, além de preservar a correção gramatical, já que “implicar” também rege a preposição “em” (implicava no antagonismo).
A questão exige compreensão do sentido contextual do verbo, não apenas seu significado isolado. O comando pede uma substituição que não altere os sentidos — logo, a alternativa correta deve ser um sinônimo contextual de “importava”, e não um verbo que mude a relação lógica do período.
No texto, lê-se:
“Esse afastamento significava, em primeiro lugar, a não interferência do Estado na sociedade; dai as reduzidas funções que lhe cabiam e a inibição do Estado no âmbito econômico e social. Em segundo lugar, importava no antagonismo a existência de grupos intermediários que pudessem interpor-se entre o indivíduo e o Estado, como associações políticas, culturais, profissionais.”
O verbo “importava” aqui tem o sentido de “acarretava”, “trazia como consequência”. O sujeito é “Esse afastamento” (o afastamento do Estado), e o complemento é “no antagonismo a existência de grupos intermediários”. Ou seja: o afastamento acarretava a oposição à existência desses grupos. A substituição por “implicava” preserva essa relação de causa e consequência, pois “implicar” também significa acarretar, ter como consequência, e rege a preposição “em” (implicava no antagonismo). Portanto, a alternativa A é a única que mantém o sentido original e a correção gramatical.
“Interessava” muda o sentido: o afastamento não interessava (despertava interesse) no antagonismo; ele acarretava o antagonismo. A relação de causa e consequência se perde, e a regência também muda (interessar-se por algo, não em algo). A alternativa troca o sentido do verbo, transformando uma consequência em um mero interesse.
“Impedia” inverte a relação: o afastamento não impedia o antagonismo; ele causava o antagonismo. O texto diz que o afastamento importava no antagonismo — ou seja, acarretava a oposição. “Impedia” expressa o oposto: impedir é evitar, obstar. A alternativa contradiz o texto, pois inverte a relação de causa e consequência.
“Promovia” tem sentido de fomentar, incentivar, o que se aproxima de “acarretar”, mas não é exato. O texto não diz que o afastamento promovia (incentivava ativamente) o antagonismo; diz que ele importava (acarretava, trazia como consequência). A substituição por “promovia” altera sutilmente o sentido, pois introduz uma ideia de ação deliberada que não está no original.
“Estimulava” também tem sentido de incentivar, encorajar, o que não corresponde a acarretar. O afastamento não estimulava o antagonismo; ele acarretava o antagonismo como consequência. A substituição por “estimulava” muda o sentido, pois introduz uma ideia de estímulo ativo que não está no original.
A banca explora a polissemia do verbo “importar”. Em outros contextos, “importar” pode significar “interessar” (não me importa) ou “trazer de fora” (importar mercadorias). Aqui, porém, o sentido é acarretar, ter como consequência — e apenas “implicar” preserva esse sentido e a regência com “em”.
Ao substituir um verbo, verifique três coisas: (1) o sentido no contexto; (2) a regência (preposição exigida); (3) a concordância (mesma pessoa, número e tempo). Se qualquer um desses mudar, a substituição é inadequada.
Gabarito: letra A — a única que mantém o sentido de acarretar e a regência com “em”.
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