Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2020
- Código
- ce117209
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Prefeitura de Barra dos Coqueiros - SE
- Ano
- 2020
- Nível
- Fundamental

- AConquanto.
- BContanto.
- CLogo.
- DNo entanto.
- EOutrossim.

GabaritoC — Logo.
A troca de “Portanto” por “Logo” preserva a correção gramatical e a coerência, pois ambos são conjunções coordenativas conclusivas — introduzem a conclusão de um raciocínio. No trecho final, o autor encerra a argumentação com uma orientação prática: “Portanto, se você é (ou pretende se tornar) um profissional que atua nesse segmento, deve, sempre, estar atualizado com as novidades tecnológicas criadas para essa área.” A relação de conclusão é exatamente a que “Logo” estabelece.
O comando pede que se avalie a manutenção da correção gramatical e da coerência — ou seja, o conectivo substituto deve preservar a relação semântica que “Portanto” estabelece entre o parágrafo anterior (as ferramentas tecnológicas trazem facilidades) e a frase final (por isso, mantenha-se atualizado). Trata-se de uma relação de consequência/conclusão: a segunda ideia decorre da primeira.
Conectivo | Valor semântico | Equivale a | Mantém o sentido? |
|---|---|---|---|
Portanto | Conclusivo | por isso, assim | — (referência) |
Conquanto | Concessivo | embora, ainda que | ❌ Não |
Contanto | Condicional | desde que | ❌ Não |
Logo | Conclusivo | portanto, por isso | ✅ Sim |
No entanto | Adversativo | mas, porém | ❌ Não |
Outrossim | Aditivo | além disso, também | ❌ Não |
“Conquanto” é conjunção concessiva — equivale a “embora”, “ainda que”. Introduz uma ideia de ressalva/oposição que não existe no trecho: o autor não está abrindo exceção, está concluindo. Substituir “Portanto” por “Conquanto” quebraria a coerência, pois a frase final deixaria de ser a conclusão do raciocínio e passaria a expressar uma concessão sem nexo com o parágrafo anterior.
“Contanto” é conjunção condicional — equivale a “desde que”. Exigiria uma condição para a oração principal, o que não há no texto. O autor não condiciona a recomendação a nada; ele a apresenta como consequência do que foi exposto. A troca alteraria o sentido e a coerência.
“Logo” é conjunção conclusiva, sinônima de “portanto”, “por isso”, “assim”. No trecho, o autor conclui: as ferramentas tecnológicas trazem facilidades para a educação e o trânsito; logo, quem atua no segmento deve se manter atualizado. A relação de consequência é preservada integralmente, mantendo a correção gramatical e a coerência.
“No entanto” é locução adversativa — equivale a “mas”, “porém”. Introduz oposição/contraste, o que não ocorre no trecho: a frase final não contraria o parágrafo anterior, mas o conclui. A troca inverteria a relação lógica, prejudicando a coerência.
“Outrossim” é advérbio aditivo — equivale a “além disso”, “também”. Acrescentaria uma ideia nova, em vez de concluir o raciocínio. A frase final não traz informação adicional; ela fecha a argumentação. A troca quebraria a progressão textual.
A banca explora a confusão entre conectivos de valores semânticos distintos. O candidato pode achar que qualquer conectivo “formal” serve, mas a coerência exige que o valor semântico seja mantido. Aqui, a armadilha é a troca de valor — oferecer concessivo, condicional, adversativo e aditivo como se fossem equivalentes ao conclusivo.
Ao substituir conectivos, pergunte: “que relação lógica o trecho exige?”. Se o autor está concluindo, só serve conclusivo (logo, portanto, por isso, assim). Desconfie de conectivos que mudam o valor semântico, mesmo que soem “eruditos”.
Gabarito: letra C.
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