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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce118216
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANM
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico em Segurança de Barragens
Texto CB1A1-I

   Desde que o almirante Pedro Álvares Cabral oficialmente descobriu a Terra de Santa Cruz, em abril de 1500, o primeiro português a estabelecer uma marca na história mineral do Brasil foi Martim Afonso de Souza. Depois de fundar a pequena vila de São Vicente, no litoral de São Paulo, a primeira base estabelecida na América portuguesa, no ano de 1531, ele tentou descobrir ouro, prata e pedras preciosas antes de sua partida para Lisboa. Esse plano visava confirmar notícias trazidas por quatro homens de sua comitiva sobre a existência de minas abundantes em ouro e prata na região do Rio Paraguai. Sob essa orientação, três expedições foram realizadas, todas em 1531: nas montanhas ao longo da costa do Rio de Janeiro, ao sul do estado de São Paulo e no Rio da Prata, mais ao sul.
   No entanto, as primeiras iniciativas para descoberta de metais e pedras preciosas em terras brasileiras falharam, devido às dificuldades daquela época. Apesar disso, o desejo de descobrir riquezas minerais se manteve entre os habitantes da nova colônia, estimulados pela corte portuguesa, que oferecia promessas de honra e reconhecimento para aqueles que encontrassem tais riquezas.
   Durante todo o século XVI, os portugueses usaram recursos financeiros, trabalho, soldados, artesãos de todos os tipos (cortadores, mineiros, construtores e até mesmo engenheiros estrangeiros) nos trabalhos de pesquisa das expedições, sob a supervisão dos governadores. Mas, infelizmente, o que foi encontrado não estava à altura do que foi despendido. Mesmo os mais positivos resultados tiveram pouco significado econômico, tanto em termos de quantidade quanto de teor dos metais. Os depósitos eram, além de pobres, localizados em lugares remotos. Concluindo, quase candidamente, que as descobertas naquele século eram desapontadoras, o governador-geral Diogo de Meneses Sequeira escreveu uma carta ao rei, afirmando que “sua Alteza precisa acreditar que as atuais minas do Brasil são compostas por açúcar e pau-brasil, muito lucrativos e com os quais o Tesouro e sua Alteza não precisam gastar um simples centavo”.

Iran F. Machado e Silvia F. de M. Figueirôa. 500 anos de mineração no Brasil: breve histórico. Parte I. In: Brasil Mineral. São Paulo, n.º 186, p. 44-47, ago./2000 (com adaptações).

Com relação às ideias do texto CB1A1-I, julgue o item a seguir.
De acordo com o texto, no período colonial brasileiro, a extração de minérios consistiu em uma atividade tão lucrativa quanto a produção de açúcar e a extração de pau-brasil.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Extração de minérios no período colonial — Gabarito: E (ERRADO).

❌ ERRADO. O item afirma que, no período colonial brasileiro, a extração de minérios foi tão lucrativa quanto a produção de açúcar e a extração de pau-brasil. O texto contradiz essa ideia: as descobertas minerais do século XVI foram desapontadoras e sem significado econômico, enquanto açúcar e pau-brasil eram muito lucrativos. A passagem decisiva é a carta do governador-geral Diogo de Meneses Sequeira, citada no texto:

“sua Alteza precisa acreditar que as atuais minas do Brasil são compostas por açúcar e pau-brasil, muito lucrativos e com os quais o Tesouro e sua Alteza não precisam gastar um simples centavo”

Aqui, o governador ironiza a mineração: as “minas” que realmente rendem são o açúcar e o pau-brasil — não os metais. O item inverte essa relação, atribuindo à mineração uma lucratividade que o texto nega.

Análise do item

O comando é de compreensão/recorrência: pede que se verifique se a afirmação está de acordo com o texto. Basta confrontar a afirmação com o que está escrito.

O texto afirma, sobre a mineração no século XVI:

“o que foi encontrado não estava à altura do que foi despendido”

“Mesmo os mais positivos resultados tiveram pouco significado econômico, tanto em termos de quantidade quanto de teor dos metais.”

“Os depósitos eram, além de pobres, localizados em lugares remotos.”

E, sobre açúcar e pau-brasil, o texto os chama de “muito lucrativos”. Portanto, a mineração foi pouco lucrativa (ou até deficitária), enquanto açúcar e pau-brasil eram muito lucrativos. A afirmação do item é o oposto do que o texto sustenta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a relação de lucratividade: o texto diz que a mineração era pouco lucrativa e o açúcar/pau-brasil muito lucrativos; o item afirma que a mineração era tão lucrativa quanto eles. É uma contradição com o texto, disfarçada de paráfrase.

PEGA ESSA DICA!

Em itens de “de acordo com o texto”, desconfie de comparações de igualdade (“tão... quanto”, “tanto quanto”). Verifique se o texto realmente estabelece essa igualdade — aqui, ele estabelece uma oposição.

Conclusão: o item está ERRADO, pois contradiz o texto. Gabarito: E.

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