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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce118718
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
BANESE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico Bancário III - Área de Informática - Desenvolvimento

Texto CB1A1-I

    Em meados dos anos 80 do século passado, Haroldo de Campos tentava definir o sentimento geral de uma época marcada pela descrença no projeto estético e ideológico proposto pelo Modernismo. De acordo com o termo criado por ele, estaríamos vivendo um tempo pós-utópico.

    A designação me parece mais precisa que pós-moderno por dois motivos. Primeiro, porque evita certas ambiguidades — por exemplo, supor que se trata de um período cujo objetivo é encerrar definitivamente a modernidade, o “pós” sugerindo a ruptura radical, e não uma redefinição de caminhos. Depois, porque aponta para a diferença principal entre o imaginário estampado na produção estética ― não só a literária ― da primeira metade do século (e um pouco além) e aquele que temos vivenciado desde, pelo menos, o final dos anos 60 do século passado.

    Tanto a geração de 20 quanto a de 30 eram guiadas por um projeto definido, ousado. Havia uma luta, havia algo a ser combatido: o gosto aristocrático, a mesmice burguesa, para os modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922; o atraso político, a opressão, as desigualdades sociais, no caso da geração seguinte. Por mais que existam diferenças entre esses dois momentos do Modernismo, há, em ambos, algo de missionário.

    No balanço do movimento modernista feito por Oswald e, sobretudo, Mário de Andrade, destacam-se, como crítica, o caráter superficial do movimento, sua “festividade”, seu descompromisso com questões estruturais mais “sérias”, o não enfrentamento das mazelas sociais, econômicas e políticas que mereceriam atenção prioritária. Mesmo reconhecendo as inestimáveis contribuições do movimento no sentido de ser um preparador das mudanças sociopolíticas posteriores, Mário condena certa ignorância dos modernistas acerca das verdadeiras condições culturais (em sentido lato) do país.

Flávio Carneiro. No país do presente: ficção brasileira do início do século XXI. Rocco Digital. Edição do Kindle (com adaptações). 

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.No trecho “(em sentido lato)” (último parágrafo), a palavra “lato” poderia ser substituída por literal, sem alteração do sentido original do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “lato” por “literal” — ❌ ERRADO

Gabarito: letra E (ERRADO). O item está errado porque “lato” e “literal” não são sinônimos no contexto: “lato” significa amplo, abrangente, ao passo que “literal” significa restrito ao sentido exato das palavras. No texto, a expressão “(em sentido lato)” amplia o alcance de “condições culturais”, como se vê no trecho: “Mário condena certa ignorância dos modernistas acerca das verdadeiras condições culturais (em sentido lato) do país.” A substituição por “literal” inverteria o sentido, restringindo indevidamente o que o autor quis ampliar.

O que a questão cobra

A banca testa o sentido contextual de uma palavra — não o sentido de dicionário isolado, mas o efeito que a troca produz no texto. O comando é de compreensão/reescritura: pergunta se a substituição preserva o sentido original. Para responder, é preciso saber o que cada termo significa e qual deles o contexto exige.

  • Lato (do latim latus): largo, amplo, extenso. Em “sentido lato”, significa sentido amplo/abrangente, que inclui várias acepções.

  • Literal: restrito ao sentido exato, próprio, denotativo das palavras; não figurado.

São quase antônimos nesse uso: um amplia, o outro restringe.

A prova no texto

“Mário condena certa ignorância dos modernistas acerca das verdadeiras condições culturais (em sentido lato) do país.”

O autor quer dizer que os modernistas ignoravam as condições culturais em sentido amplo — não apenas a literatura, mas também aspectos sociais, econômicos, políticos etc. Isso fica claro no parágrafo anterior, quando ele fala em “mazelas sociais, econômicas e políticas”. Se trocássemos por “literal”, diríamos que a ignorância se restringe ao sentido estrito da palavra “cultura”, o que contradiz a intenção do autor.

Por que a substituição altera o sentido

Termo

Sentido

Efeito no texto

lato

amplo, abrangente

amplia o alcance de “condições culturais”

literal

restrito, exato

restringe o alcance a uma acepção específica

A troca inverte a direção semântica: o que era abrangente torna-se limitado. Logo, não há preservação de sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa sinonímia entre “lato” e “literal” — palavras que, em certos contextos técnicos, podem parecer equivalentes, mas que aqui são opostas (amplo × restrito).

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar substituições, pergunte-se: “o termo amplia ou restringe o sentido?”. Se a troca muda essa direção, o item está errado.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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