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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
ce118724
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
BANESE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico Bancário III - Área de Informática - Desenvolvimento

Texto CB1A1-I

    Em meados dos anos 80 do século passado, Haroldo de Campos tentava definir o sentimento geral de uma época marcada pela descrença no projeto estético e ideológico proposto pelo Modernismo. De acordo com o termo criado por ele, estaríamos vivendo um tempo pós-utópico.

    A designação me parece mais precisa que pós-moderno por dois motivos. Primeiro, porque evita certas ambiguidades — por exemplo, supor que se trata de um período cujo objetivo é encerrar definitivamente a modernidade, o “pós” sugerindo a ruptura radical, e não uma redefinição de caminhos. Depois, porque aponta para a diferença principal entre o imaginário estampado na produção estética ― não só a literária ― da primeira metade do século (e um pouco além) e aquele que temos vivenciado desde, pelo menos, o final dos anos 60 do século passado.

    Tanto a geração de 20 quanto a de 30 eram guiadas por um projeto definido, ousado. Havia uma luta, havia algo a ser combatido: o gosto aristocrático, a mesmice burguesa, para os modernistas da Semana de Arte Moderna de 1922; o atraso político, a opressão, as desigualdades sociais, no caso da geração seguinte. Por mais que existam diferenças entre esses dois momentos do Modernismo, há, em ambos, algo de missionário.

    No balanço do movimento modernista feito por Oswald e, sobretudo, Mário de Andrade, destacam-se, como crítica, o caráter superficial do movimento, sua “festividade”, seu descompromisso com questões estruturais mais “sérias”, o não enfrentamento das mazelas sociais, econômicas e políticas que mereceriam atenção prioritária. Mesmo reconhecendo as inestimáveis contribuições do movimento no sentido de ser um preparador das mudanças sociopolíticas posteriores, Mário condena certa ignorância dos modernistas acerca das verdadeiras condições culturais (em sentido lato) do país.

Flávio Carneiro. No país do presente: ficção brasileira do início do século XXI. Rocco Digital. Edição do Kindle (com adaptações). 

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o item que se segue.A correção gramatical do texto seria mantida caso, no trecho “supor que se trata de um período” (segundo parágrafo), o pronome “se” fosse deslocado para depois da forma verbal “trata” ― trata-se.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal em “supor que se trata” — ❌ ERRADO

Gabarito: letra E (ERRADO). O item está errado porque o deslocamento do pronome “se” para depois da forma verbal “trata” — “trata-se” — quebraria a correção gramatical do trecho, já que a oração subordinada substantiva é introduzida pela conjunção “que”, palavra atrativa que obriga a próclise (pronome antes do verbo). A passagem original é: “supor que se trata de um período”.

O que a questão cobra

A banca testa a colocação pronominal em orações subordinadas. A regra é clara: conjunções subordinativas (como “que”, “se”, “quando”, “embora”) atraem o pronome oblíquo átono para antes do verbo — é a próclise obrigatória. No trecho, “que” é a conjunção integrante que introduz a oração subordinada substantiva objetiva direta (“que se trata de um período”).

“supor que se trata de um período”

Aqui, o “se” é índice de indeterminação do sujeito (o sujeito é indeterminado: “trata-se de um período” = “algo é tratado como um período”). Mas a posição do pronome não é livre: a presença do “que” impede a ênclise. Escrever “que trata-se” viola a norma culta, pois a conjunção atrativa exige próclise.

Por que a alternativa está errada

A afirmação do item diz que a correção seria mantida com “trata-se”. Isso é falso: a forma correta, obrigatória, é “que se trata”. A ênclise (“trata-se”) só seria aceitável se não houvesse palavra atrativa antes do verbo — por exemplo, em início de oração: “Trata-se de um período pós-utópico.” Mas, após o “que”, a próclise é obrigatória.

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavras atrativas
      • Conjunção subordinativa ("que")
      • Pronome relativo
      • Advérbio
      • Palavra negativa
    • Obrigatória com atrativo
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Início de oração
    • Após pausa
    • Vedada após atrativo
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Ao julgar itens de colocação pronominal, grife a palavra que antecede o verbo. Se houver conjunção subordinativa, pronome relativo, advérbio ou palavra negativa, a próclise é obrigatória — desconfie de qualquer proposta de ênclise nesse contexto.

Conclusão

O item está errado porque a reescrita “que trata-se” desrespeita a regra de próclise exigida pela conjunção “que”. A correção gramatical não seria mantida.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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