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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce119603
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
COREN-CE
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Enfermeiro Fiscal - Edital nº 1

Texto CG1A1-I


  Era o jogo da decisão final do Campeonato Mineiro: Atlético contra América. Torcíamos apaixonadamente pelo América, não só por ser o time de nossa predileção, mas porque meu irmão Gérson ia jogar de goleiro, em substituição ao famoso Princesa, que estava contundido.

  Gérson me reservou a primeira surpresa: tinha me arranjado um uniforme completo do time do América, para que eu entrasse no campo como mascote.

   Só o fato de sair do vestiário em meio aos jogadores de verdade já me enchia de emoção. Gérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para fazer o cumprimento de praxe à assistência. Depois os jogadores se espalharam, fazendo exercícios de aquecimento. Fiquei por ali, ciscando entre um e outro, a viver a minha grande emoção.

   Mas o meu maior momento de glória ainda estava para chegar.

   Aos cinco minutos do término da partida, Jico Leite se choca violentamente com Nariz e rola no chão, contundido.

   Pânico nas hostes americanas: todos os reservas já haviam entrado em campo, não sobrara ninguém para substituições. Que fazer? Segundo as regras daquele tempo, time nenhum podia jogar desfalcado.

   Gérson vem correndo até o banco dos reservas, fala qualquer coisa ao ouvido do treinador, me apontando, e este se volta para mim, com ar grave:

   — Você vai ter de entrar, Fernando.

    Não vacilei. Pois, se o América precisava de mim, contassem comigo.

   E aconteceu. Jorivê deu a saída do meio de campo, atrasou para Pimentão, que adiantou para Jacy. Caieira rouba-lhe a bola, passando para Chafir. Chico Preto aliviou, pondo para fora num chutão.

   Chafir fez a cobrança da lateral, dando de presente para Negrão, que, sem perda de tempo, acionou Bezerra. Quando eu, estrategicamente colocado no setor direito, já pensava que não daria tempo sequer de intervir numa só jogada, eis que Bezerra faz com que a bola venha rolando até mim.

   Depois de dominá-la, driblei Nariz e tabelei com meu companheiro. Este passou ao Jorivê, enquanto eu me deslocava para recebê-la de volta. Então disparei num pique, sob o delírio da assistência, e lá fui eu com minhas perninhas curtas, driblei um, outro, deixei para trás a defesa adversária. Kafunga abria os braços gigantescos, achei que queria me pegar, e não a bola. Fiz que chutava, como se fosse encobri-lo, ele pulou. Então passei com bola e tudo por entre as pernas dele e marquei o gol da vitória.

   Foi aquela ovação, a torcida delirava. Logo em seguida soou o apito final, e meus companheiros de equipe correram para me abraçar e carregar em triunfo.


Fernando Sabino. O menino no espelho. Rio de Janeiro: Record, 1991 (com adaptações).

Assinale a opção que apresenta uma proposta de reescrita que, além de gramaticalmente correta, mantém os sentidos do trecho “Gérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para fazer o cumprimento de praxe à assistência.”, no terceiro parágrafo do texto CG1A1-I.
  1. AGérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para fazermos os comprimentos de praxe à assistência.
  2. BGérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para que fosse feito os cumprimentos de praxe à assistência.
  3. CGérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para que fossem feitos os comprimentos de praxe à assistência.
  4. DGérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para que fizéssemos os cumprimentos de praxe à assistência.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Gérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para que fizéssemos os cumprimentos de praxe à assistência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da reescrita do trecho “Gérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para fazer o cumprimento de praxe à assistência.”

Gabarito: Alternativa D. A única reescrita gramaticalmente correta e que preserva o sentido original é a alternativa D, pois mantém o vocábulo “cumprimentos” (saudação) e emprega a estrutura “para que fizéssemos”, equivalente semântico da finalidade expressa por “para fazer”, com concordância adequada.

O texto original usa “cumprimento” (com ‘u’), que significa saudação, e a locução final “para fazer”. A reescrita deve conservar esse significado e seguir a norma culta.

Alternativa A — ❌ Incorreta

  • “para fazermos os comprimentos” — troca o sentido: “comprimentos” (com ‘o’) significa dimensões, não saudação. Além disso, o original usa “fazer” (infinitivo impessoal), e a forma “fazermos” (infinitivo pessoal) é gramatical, mas a alteração semântica invalida a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

  • “para que fosse feito os cumprimentos” — erro de concordância: o sujeito “os cumprimentos” exige verbo no plural (“fossem feitos”). Além disso, repete o homônimo errado “comprimentos” (medidas), descaracterizando o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

  • “para que fossem feitos os comprimentos” — a concordância está correta (“fossem feitos”), mas o vocábulo “comprimentos” muda o significado: não se trata de saudações, mas de medidas. O sentido original se perde.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

  • “para que fizéssemos os cumprimentos de praxe à assistência” — preserva o sentido: “cumprimentos” (com ‘u’) é sinônimo de saudações, e a oração “para que fizéssemos” expressa finalidade, assim como “para fazer” no original. A concordância está correta: “fizéssemos” (1ª pessoa do plural) concorda com o sujeito implícito “nós”, coerente com “nos alinhamos”.

NÃO CAIA NESSA!

Em questões de reescrita, desconfie sempre de palavras parônimas (cumprimento × comprimento) e verifique a concordância verbal. A banca costuma mesclar erro semântico e gramatical na mesma armadilha.

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