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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce119606
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
COREN-CE
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Enfermeiro Fiscal - Edital nº 1

Texto CG1A1-I


  Era o jogo da decisão final do Campeonato Mineiro: Atlético contra América. Torcíamos apaixonadamente pelo América, não só por ser o time de nossa predileção, mas porque meu irmão Gérson ia jogar de goleiro, em substituição ao famoso Princesa, que estava contundido.

  Gérson me reservou a primeira surpresa: tinha me arranjado um uniforme completo do time do América, para que eu entrasse no campo como mascote.

   Só o fato de sair do vestiário em meio aos jogadores de verdade já me enchia de emoção. Gérson me conduzia pela mão, quando nos alinhamos para fazer o cumprimento de praxe à assistência. Depois os jogadores se espalharam, fazendo exercícios de aquecimento. Fiquei por ali, ciscando entre um e outro, a viver a minha grande emoção.

   Mas o meu maior momento de glória ainda estava para chegar.

   Aos cinco minutos do término da partida, Jico Leite se choca violentamente com Nariz e rola no chão, contundido.

   Pânico nas hostes americanas: todos os reservas já haviam entrado em campo, não sobrara ninguém para substituições. Que fazer? Segundo as regras daquele tempo, time nenhum podia jogar desfalcado.

   Gérson vem correndo até o banco dos reservas, fala qualquer coisa ao ouvido do treinador, me apontando, e este se volta para mim, com ar grave:

   — Você vai ter de entrar, Fernando.

    Não vacilei. Pois, se o América precisava de mim, contassem comigo.

   E aconteceu. Jorivê deu a saída do meio de campo, atrasou para Pimentão, que adiantou para Jacy. Caieira rouba-lhe a bola, passando para Chafir. Chico Preto aliviou, pondo para fora num chutão.

   Chafir fez a cobrança da lateral, dando de presente para Negrão, que, sem perda de tempo, acionou Bezerra. Quando eu, estrategicamente colocado no setor direito, já pensava que não daria tempo sequer de intervir numa só jogada, eis que Bezerra faz com que a bola venha rolando até mim.

   Depois de dominá-la, driblei Nariz e tabelei com meu companheiro. Este passou ao Jorivê, enquanto eu me deslocava para recebê-la de volta. Então disparei num pique, sob o delírio da assistência, e lá fui eu com minhas perninhas curtas, driblei um, outro, deixei para trás a defesa adversária. Kafunga abria os braços gigantescos, achei que queria me pegar, e não a bola. Fiz que chutava, como se fosse encobri-lo, ele pulou. Então passei com bola e tudo por entre as pernas dele e marquei o gol da vitória.

   Foi aquela ovação, a torcida delirava. Logo em seguida soou o apito final, e meus companheiros de equipe correram para me abraçar e carregar em triunfo.


Fernando Sabino. O menino no espelho. Rio de Janeiro: Record, 1991 (com adaptações).

Infere-se do período “Kafunga abria os braços gigantescos, achei que queria me pegar, e não a bola”, do penúltimo parágrafo do texto CG1A1-I, que, no trecho “e não a bola”, está elíptico o verbo
  1. Aachar.
  2. Bchutar.
  3. Cpegar.
  4. Dabrir.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pegar.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Elipse do verbo no trecho "e não a bola"

Gabarito: C. O verbo elíptico em "e não a bola" é pegar, pois a oração completa seria "e não [pegar] a bola", mantendo paralelismo com o verbo da oração anterior ("queria me pegar"). A inferência é direta: o narrador achou que Kafunga queria pegá-lo (o menino), e não pegar a bola.

"Kafunga abria os braços gigantescos, achei que queria me pegar, e não a bola"

O segmento "e não a bola" retoma o mesmo verbo "pegar" subentendido, formando a estrutura "queria me pegar, e não [queria pegar] a bola". A elipse é um recurso de coesão que evita repetição desnecessária do verbo.

1O que é
Recurso de coesão
Evita repetição desnecessária
2Como identificar
Verbo mais próximo com mesma regência
Paralelismo sintático
3No trecho "e não a bola"
Verbo elíptico: pegar
Oração completa: "e não [pegar] a bola"
Retoma "queria me pegar"
Elipse do verbo
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Elipse do verbo: O que é (Recurso de coesão, Evita repetição desnecessária); Como identificar (Verbo mais próximo com mesma regência, Paralelismo sintático); No trecho "e não a bola" (Verbo elíptico: pegar, Oração completa: "e não [pegar] a bola", Retoma "queria me pegar")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. O verbo "achar" não se relaciona com a ação de pegar a bola. A frase "achei que queria me pegar" já contém o verbo "achar" na oração principal, e o trecho "e não a bola" não poderia retomá-lo, pois "achar" exige complemento oracional ("que..."), não um objeto direto como "a bola".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O verbo "chutar" não aparece em nenhum momento no período. A ação de chutar é associada ao atacante, não ao goleiro Kafunga, que está abrindo os braços. Inserir "chutar" alteraria o sentido do texto.

Alternativa C — ✅ Correta

Gabarito. Conforme demonstrado, o verbo "pegar" é o único que se encaixa na elipse, mantendo a ideia de que Kafunga queria agarrar o menino, não a bola.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O verbo "abrir" já aparece na oração "Kafunga abria os braços gigantescos". A elipse de "abrir" faria com que a frase repetisse o mesmo verbo de forma ilógica: "e não [abria] a bola" — o goleiro não abre a bola, ele a pega. Portanto, é incompatível.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o verbo elíptico, busque o verbo mais próximo que se relacione sintaticamente com os termos da oração elíptica. No caso, "pegar" rege objeto direto ("a bola") e está presente na oração anterior com estrutura semelhante.

Gabarito: letra C.

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