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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce119674
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
COREN-CE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Técnico Administrativo - Edital nº 1

Texto CG2A1-I


   Até o final do século XVIII, quando a produção de açúcar começou a ser mecanizada, a maioria das pessoas consumia muito pouco dos chamados açúcares livres, que são adicionados aos alimentos. Um americano médio podia passar a vida inteira sem comer nenhum doce industrializado, muito menos os iogurtes, cereais matinais, bolachas e bebidas adoçadas que encontramos nos supermercados.

   Hoje, esse mesmo americano médio ingere nada menos que 19 colheres de chá, ou 76 gramas, de açúcar livre por dia. É assim, também, porque nossos receptores gustativos que detectam o sabor doce são menos sensíveis do que os outros. A língua consegue detectar o sabor amargo mesmo em baixíssimas concentrações, de poucas partes por milhão, mas, para que um copo d’água fique doce, precisamos colocar nele uma colherada de açúcar.

  Os humanos evoluíram num ambiente cheio de substâncias tóxicas, por isso são altamente sensíveis a sabores que possam significar perigo. Mas os venenos da natureza geralmente não são doces. Além disso, a coisa mais doce que os hominídeos primitivos tinham para comer eram as frutas. Hoje vivemos cercados por alimentos muito doces, mas nossos receptores ainda estão calibrados para a delicada doçura de uma banana.

   Essa discrepância entre os nossos receptores gustativos, que são pouco sensíveis, e a alimentação ultradoce do mundo moderno levou médicos e gurus das dietas a recomendar adoçantes artificiais. O primeiro foi a sacarina, um derivado do alcatrão que chegou ao mercado no final do século XIX. Depois vieram vários outros, dos quais o mais famoso é o aspartame, lançado na década de 80 do século passado. Os adoçantes foram ganhando má reputação — muita gente acha que o seu gosto é ruim e que eles fazem mal à saúde. Em 1951, quando os refrigerantes e sobremesas diet começaram a proliferar, o ciclamato foi banido pela FDA, porque causava câncer de bexiga em ratos. A sacarina também foi banida por muitos anos, depois que alguns estudos preocupantes surgiram na década de 70 do século passado. Hoje, o consenso é que os adoçantes não são cancerígenos nas quantidades em que são consumidos.  


Internet:<super.abril.com.br>  (com adaptações).  

As opções subsequentes apresentam propostas de reescrita para o seguinte período do último parágrafo do texto CG2A1-I: “Os adoçantes foram ganhando má reputação — muita gente acha que o seu gosto é ruim e que eles fazem mal à saúde.”. Assinale a opção em que a proposta de reescrita apresentada é gramaticalmente correta e mantém a coerência do texto original.
  1. AMuitas pessoas acham o gosto dos adoçantes ruins e que eles fazem mal à saúde, por isso eles foram ganhando má reputação.
  2. BO gosto ruim dos adoçantes e o fato de fazerem mal à saúde fez com que eles ganhassem má reputação junto às pessoas.
  3. CMuita gente acha o seu gosto ruim e acreditam que faz mal à saúde — isso fez com que os adoçantes fossem ganhando má reputação.
  4. DOs adoçantes ganharam má reputação, porque muita gente considera o gosto deles ruim e acredita que eles fazem mal à saúde.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Os adoçantes ganharam má reputação, porque muita gente considera o gosto deles ruim e acredita que eles fazem mal à saúde.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase com correção gramatical e coerência

Gabarito: letra D. A única reescrita que respeita a norma-padrão e preserva o sentido original é a alternativa D.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

  • Erro de concordância nominal: "o gosto... ruins" — o adjetivo deve concordar com "gosto" (singular), logo o correto é "ruim".

  • Quebra de paralelismo: a estrutura "acham o gosto... ruins e que eles fazem mal" mistura termos de categorias diferentes (predicativo do objeto + oração subordinada), o que compromete a clareza.

Alternativa B — ❌ Incorreta

  • Erro de concordância verbal: o sujeito composto "O gosto ruim dos adoçantes e o fato de fazerem mal à saúde" exige verbo no plural: "fizeram" (e não "fez").

  • A expressão "junto às pessoas" altera sutilmente o sentido original, que enfatiza a opinião de "muita gente", e não uma relação genérica de adjacência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

  • Erro de concordância verbal: "Muita gente" (singular) rege verbo no singular; "acreditam" está no plural.

  • Estrutura confusa: "que faz mal" — falta sujeito claro (quem faz mal? Os adoçantes?). O original usa "que eles fazem mal", com sujeito explícito.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO**

  • Gramaticalmente perfeita: "considera" e "acredita" concordam com "muita gente" (singular); "o gosto deles" refere-se claramente aos adoçantes.

  • Mantém a coerência: a relação de causa e consequência (a opinião das pessoas → má reputação) é preservada, com a conjunção "porque".

  • A mudança de "foram ganhando" (aspecto durativo) para "ganharam" (pretérito perfeito) não compromete o sentido essencial, sendo aceitável em reescrita.

Conclusão: A única opção que atende aos dois requisitos (correção gramatical e manutenção da coerência) é a letra D.

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