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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce119687
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
COREN-SE
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Enfermeiro Fiscal
Texto CG1A1-I
     O conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais e de concepções científicas, religiosas, filosóficas. O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças. Aquilo que é considerado doença varia muito.
     Real ou imaginária, a doença é um antigo acompanhante da espécie humana, como o revelam pesquisas paleontológicas. Múmias egípcias apresentam sinais de doença (como, por exemplo, a varíola do faraó Ramsés V). Não admira que, desde muito cedo, a humanidade se tenha empenhado em enfrentar essa ameaça, e de várias formas, baseadas em diferentes conceitos do que vem a ser a doença (e a saúde). Assim, a concepção mágico-religiosa partia, e parte, do princípio de que a doença resulta da ação de forças alheias ao organismo que neste se introduzem por causa do pecado ou de maldição.
     A medicina grega representa uma importante inflexão na maneira de encarar a doença. É verdade que, na mitologia grega, várias divindades estavam vinculadas à saúde. Os gregos cultuavam, além da divindade da medicina, Asclepius ou Aesculapius (que é mencionado como figura histórica no poema épico Ilíada), duas outras deusas, Higieia, a Saúde, e Panacea, a Cura. Higieia era uma das manifestações de Athena, a deusa da razão, e o seu culto, como sugere o nome, representa uma valorização das práticas higiênicas. Se Panacea representa a ideia de que tudo pode ser curado — uma crença basicamente mágica ou religiosa —, deve-se notar que a cura, para os gregos, era obtida pelo uso de plantas e de métodos naturais, e não apenas por procedimentos ritualísticos.
Moacyr Scliar. História do conceito de saúde. In: Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 17, n.º 1, 2007, p. 29-41 (com adaptações).
Mantendo-se a coerência do texto CG1A1-I, o termo “deve-se”, no último período do terceiro parágrafo, poderia ser substituído por
  1. Aé importante.
  2. Bé certo.
  3. Cé obrigatório.
  4. Dé possível.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — é importante.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “deve-se” — Manutenção da Coerência Textual

Gabarito: letra A. A expressão “deve-se”, no trecho “deve-se notar que a cura, para os gregos, era obtida pelo uso de plantas e de métodos naturais, e não apenas por procedimentos ritualísticos”, indica importância ou necessidade de se observar um fato, e não certeza, obrigação ou possibilidade. A única alternativa que preserva esse sentido no contexto é “é importante”.

“Se Panacea representa a ideia de que tudo pode ser curado — uma crença basicamente mágica ou religiosa —, deve-se notar que a cura, para os gregos, era obtida pelo uso de plantas e de métodos naturais, e não apenas por procedimentos ritualísticos.”

O autor introduz uma ressalva fundamental: embora Panacea simbolize cura mágica, o importante é que os gregos recorriam a métodos naturais. “Deve-se notar” equivale, portanto, a “é importante notar” — uma orientação ao leitor para prestar atenção a esse contraste.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“É importante notar” é a paráfrase mais fiel. Mantém o valor de recomendação ou destaque que o verbo “dever” assume no contexto. A coerência é preservada porque a oração continua a expressar uma observação relevante que o autor faz sobre a prática grega.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“É certo notar” altera o sentido: transforma a recomendação em constatação de certeza. O texto não afirma que “é certo” que se nota algo, mas sim que é relevante notar. Há uma troca de valor modal (de necessidade para certeza), o que quebra a coerência.

PEGA ESSA DICA!

Quando o enunciado pedir substituição sem alterar a coerência, foque no valor semântico do termo original no contexto. “Deve-se” pode expressar obrigação, certeza ou importância; só o contexto decide.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“É obrigatório notar” impõe um grau de obrigatoriedade que não existe no texto. O autor não está dizendo que o leitor é obrigado a notar algo, apenas que é um ponto digno de atenção. A substituição generaliza indevidamente o sentido de “dever” para uma ordem impositiva, o que contradiz o tom explicativo do parágrafo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“É possível notar” indica factibilidade — ou seja, que é viável notar algo. O texto, porém, não discute a possibilidade de notar, mas a importância de fazê-lo. A troca muda completamente a função do enunciado: de um alerta do autor para uma mera constatação de que algo pode ser notado.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode escolher “é certo” ou “é obrigatório” por associar “dever” automaticamente a certeza ou obrigação. A banca explora justamente os múltiplos sentidos desse verbo. Sempre verifique o contexto antes de substituir.

Conclusão: A única alternativa que preserva o sentido de “deve-se notar” como um conselho ou destaque do autor é “é importante” (A). As demais introduzem valores modais distintos (certeza, obrigação, possibilidade) que rompem a coerência textual.

Gabarito: letra A.

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