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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsPontuação
Código
ce119688
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
COREN-SE
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Enfermeiro Fiscal
Texto CG1A1-I
     O conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais e de concepções científicas, religiosas, filosóficas. O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças. Aquilo que é considerado doença varia muito.
     Real ou imaginária, a doença é um antigo acompanhante da espécie humana, como o revelam pesquisas paleontológicas. Múmias egípcias apresentam sinais de doença (como, por exemplo, a varíola do faraó Ramsés V). Não admira que, desde muito cedo, a humanidade se tenha empenhado em enfrentar essa ameaça, e de várias formas, baseadas em diferentes conceitos do que vem a ser a doença (e a saúde). Assim, a concepção mágico-religiosa partia, e parte, do princípio de que a doença resulta da ação de forças alheias ao organismo que neste se introduzem por causa do pecado ou de maldição.
     A medicina grega representa uma importante inflexão na maneira de encarar a doença. É verdade que, na mitologia grega, várias divindades estavam vinculadas à saúde. Os gregos cultuavam, além da divindade da medicina, Asclepius ou Aesculapius (que é mencionado como figura histórica no poema épico Ilíada), duas outras deusas, Higieia, a Saúde, e Panacea, a Cura. Higieia era uma das manifestações de Athena, a deusa da razão, e o seu culto, como sugere o nome, representa uma valorização das práticas higiênicas. Se Panacea representa a ideia de que tudo pode ser curado — uma crença basicamente mágica ou religiosa —, deve-se notar que a cura, para os gregos, era obtida pelo uso de plantas e de métodos naturais, e não apenas por procedimentos ritualísticos.
Moacyr Scliar. História do conceito de saúde. In: Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 17, n.º 1, 2007, p. 29-41 (com adaptações).
Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos do texto CG1A1-I, poderia ser suprimida a vírgula empregada imediatamente antes do termo
  1. A“como”, no primeiro período do segundo parágrafo.
  2. B“deve-se”, no último período do terceiro parágrafo.
  3. C“desde”, no terceiro período do segundo parágrafo.
  4. D“duas”, no terceiro período do terceiro parágrafo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “como”, no primeiro período do segundo parágrafo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula antes de "como" – Caso facultativo

Gabarito: letra A. A única vírgula que pode ser suprimida sem prejuízo gramatical ou de sentido é a que antecede o termo "como", no primeiro período do segundo parágrafo. No trecho:

"Real ou imaginária, a doença é um antigo acompanhante da espécie humana, como o revelam pesquisas paleontológicas."

A vírgula antes de "como" separa uma oração subordinada adverbial comparativa (ou conformativa). Nessas construções, quando a oração é explicativa e não restritiva, a vírgula é facultativa. Sua supressão manteria a correção e o sentido: "a doença é um antigo acompanhante da espécie humana como o revelam pesquisas paleontológicas".

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A vírgula é facultativa. O "como" introduz uma explicação (pesquisas paleontológicas revelam). Pode-se retirá-la sem que a frase perca sentido ou gere ambiguidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

No último período do terceiro parágrafo:

"Se Panacea representa a ideia de que tudo pode ser curado — uma crença basicamente mágica ou religiosa —, deve-se notar que a cura..."

A vírgula antes de "deve-se" está após o travessão que fecha o intercalado. Sua supressão deixaria o travessão imediatamente antes de "deve-se", o que é perfeitamente aceitável; portanto, também poderia ser suprimida. Contudo, a banca considerou que a vírgula aqui faz parte do par que isola o intercalado, e sua retirada isolada (sem retirar a outra) quebraria a simetria. Na verdade, a vírgula é desnecessária após o travessão, mas sua supressão isolada exigiria também ajuste no travessão? Não há erro gramatical. Porém, o gabarito oficial aponta que a única supressão possível sem prejuízo é a de A. Portanto, B não é a resposta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No terceiro período do segundo parágrafo:

"Não admira que, desde muito cedo, a humanidade se tenha empenhado..."

A vírgula antes de "desde" é a primeira de um par que isola o adjunto adverbial deslocado "desde muito cedo". Suprimir apenas essa vírgula deixaria o adjunto com uma só vírgula depois (assimetria), o que é inadequado. Ou se retiram ambas, ou nenhuma. Portanto, não pode ser suprimida isoladamente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

No terceiro período do terceiro parágrafo:

"Os gregos cultuavam, além da divindade da medicina, Asclepius ou Aesculapius (que é mencionado como figura histórica no poema épico Ilíada), duas outras deusas, Higieia, a Saúde, e Panacea, a Cura."

A vírgula antes de "duas" separa os elementos de uma enumeração (Asclepius e duas outras deusas). Retirá-la causaria leitura como se "Asclepius" fosse seguido diretamente por "duas outras deusas", gerando ambiguidade e prejudicando a clareza. Portanto, é obrigatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a diferença entre vírgulas obrigatórias e facultativas. Em "como" explicativo, a vírgula é opcional; nos demais casos, ela integra estruturas de isolamento (intercalado, adjunto deslocado) ou de enumeração, cuja supressão isolada traria prejuízo.

Conclusão: Apenas a vírgula antes de "como" pode ser suprimida sem danos. Gabarito: letra A.

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