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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce119689
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
COREN-SE
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Enfermeiro Fiscal
Texto CG1A1-I
     O conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais e de concepções científicas, religiosas, filosóficas. O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças. Aquilo que é considerado doença varia muito.
     Real ou imaginária, a doença é um antigo acompanhante da espécie humana, como o revelam pesquisas paleontológicas. Múmias egípcias apresentam sinais de doença (como, por exemplo, a varíola do faraó Ramsés V). Não admira que, desde muito cedo, a humanidade se tenha empenhado em enfrentar essa ameaça, e de várias formas, baseadas em diferentes conceitos do que vem a ser a doença (e a saúde). Assim, a concepção mágico-religiosa partia, e parte, do princípio de que a doença resulta da ação de forças alheias ao organismo que neste se introduzem por causa do pecado ou de maldição.
     A medicina grega representa uma importante inflexão na maneira de encarar a doença. É verdade que, na mitologia grega, várias divindades estavam vinculadas à saúde. Os gregos cultuavam, além da divindade da medicina, Asclepius ou Aesculapius (que é mencionado como figura histórica no poema épico Ilíada), duas outras deusas, Higieia, a Saúde, e Panacea, a Cura. Higieia era uma das manifestações de Athena, a deusa da razão, e o seu culto, como sugere o nome, representa uma valorização das práticas higiênicas. Se Panacea representa a ideia de que tudo pode ser curado — uma crença basicamente mágica ou religiosa —, deve-se notar que a cura, para os gregos, era obtida pelo uso de plantas e de métodos naturais, e não apenas por procedimentos ritualísticos.
Moacyr Scliar. História do conceito de saúde. In: Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 17, n.º 1, 2007, p. 29-41 (com adaptações).
Com relação aos aspectos linguísticos do texto CG1A1-I, é correto afirmar que,
  1. Ano primeiro parágrafo, a expressão “O mesmo” se refere à afirmação presente no trecho “Aquilo que é considerado doença varia muito”.
  2. Bno primeiro período do segundo parágrafo, o termo “o”, em “o revelam”, se refere à afirmação presente no trecho “Real ou imaginária, a doença é um antigo acompanhante da espécie humana”.
  3. Cno trecho “forças alheias ao organismo que neste se introduzem por causa do pecado ou de maldição” (último período do segundo parágrafo), o termo “que” se refere a “organismo”.
  4. Dno segundo parágrafo, a expressão “essa ameaça” (terceiro período) se refere à expressão “a varíola” (segundo período).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — no primeiro período do segundo parágrafo, o termo “o”, em “o revelam”, se refere à afirmação presente no trecho “Real ou imaginária, a doença é um antigo acompanhante da espécie humana”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão Referencial no Texto CG1A1-I

Gabarito: Letra B. No primeiro período do segundo parágrafo, o termo "o" (pronome demonstrativo neutro) retoma a afirmação de que a doença é um antigo acompanhante da espécie humana. As demais alternativas erram ao identificar o referente.


Coesão referencial
  • 1Pronomes/expressões
    • "O mesmo" → retoma ideia anterior (variação)
    • "o" (demonstrativo) → retoma oração inteira
    • "que" (relativo) → retoma "forças alheias"
    • "essa ameaça" → retoma "doença" (geral)
  • 2Erros comuns
    • Restringir referente (A)
    • Trocar sujeito/objeto (C)
    • Vincular a exemplo específico (D)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A expressão "O mesmo" retoma a ideia anterior de que saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas, e não especificamente a frase "Aquilo que é considerado doença varia muito". Veja o contexto:

"Dependerá de valores individuais e de concepções científicas, religiosas, filosóficas. O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças. Aquilo que é considerado doença varia muito."

"O mesmo" refere-se à variação já mencionada (saúde), e a frase sobre doença apenas complementa. A alternativa restringe indevidamente o referente.


Alternativa B — ✅ Correta

No trecho:

"Real ou imaginária, a doença é um antigo acompanhante da espécie humana, como o revelam pesquisas paleontológicas."

O "o" é um pronome demonstrativo que retoma toda a oração anterior: o fato de a doença ser um antigo acompanhante. A banca pede exatamente isso.


Alternativa C — ❌ Incorreta

No trecho:

"forças alheias ao organismo que neste se introduzem por causa do pecado ou de maldição"

O pronome relativo "que" retoma "forças alheias" (sujeito de "se introduzem"), e não "organismo". A estrutura é: as forças que se introduzem no organismo. A alternativa troca o referente.


Alternativa D — ❌ Incorreta

No trecho:

"desde muito cedo, a humanidade se tenha empenhado em enfrentar essa ameaça"

"Essa ameaça" refere-se à doença em geral, mencionada no início do parágrafo ("a doença é um antigo acompanhante"). A varíola é apenas um exemplo citado entre parênteses, não o antecedente direto. A alternativa generaliza incorretamente ao vincular a expressão a um exemplo específico.


PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de coesão referencial, identifique o termo ou ideia imediatamente anterior (ou posterior, no caso de catáfora) que o pronome ou expressão substitui. Desconfie de alternativas que apontam para elementos distantes ou exemplos secundários.

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