Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021
- Código
- ce120268
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- IBGE
- Ano
- 2021
- Nível
- Médio
- Cargo
- Agente de Pesquisas e Mapeamento
- Aapesar.
- Bembora.
- Cdevido a.
- Dcontanto.
- Eapesar de.
GabaritoE — apesar de.
Gabarito: letra E. A expressão “a despeito de” pode ser substituída por “apesar de”, pois ambas têm o mesmo valor semântico de concessão e a mesma regência (exigem a preposição “de”). No texto, a passagem que ancora é: “aquela ‘quarta onda’ de transtornos mentais que era prevista pelos especialistas não aconteceu na prática graças à resiliência do ser humano e a despeito de uma piora na qualidade de vida”. A ideia é de que a piora na qualidade de vida não impediu que a onda não acontecesse — exatamente o sentido concessivo de “apesar de”.
A questão cobra substituição de palavra/expressão mantendo sentido e correção gramatical. O comando pede que você encontre um sinônimo contextual que preserve a relação lógica estabelecida pelo conectivo. Aqui, o conectivo é uma locução prepositiva concessiva: “a despeito de” = “apesar de” = “não obstante”. A chave é reconhecer que a relação é de concessão (fato que se contrapõe à oração principal, sem impedi-la), e não de causa, condição ou oposição pura.
Concessão é a relação em que se admite um fato contrário à expectativa, mas que não impede a realização do que se afirma na oração principal. No texto, a “quarta onda” não aconteceu apesar de (concessão) a piora na qualidade de vida — ou seja, a piora era esperada, mas não foi suficiente para causar a onda. Outros conectivos concessivos: embora, ainda que, mesmo que, conquanto, não obstante, apesar de, a despeito de.
Mesmo sentido: ambos expressam concessão.
Mesma regência: ambos exigem a preposição “de” + sintagma nominal (ou verbo no infinitivo).
Mesma classe: ambos são locuções prepositivas.
As demais alternativas falham por trocar o valor semântico ou quebrar a regência.
“Apesar” (sem “de”) quebra a regência: a locução correta é “apesar de”. No texto, teríamos “apesar uma piora” — agramatical. A banca oferece uma forma truncada que parece sinônimo, mas não funciona na frase.
“Embora” é uma conjunção concessiva, mas exige oração com verbo conjugado (ex.: “embora houvesse uma piora”). No texto, “a despeito de” introduz um sintagma nominal (“uma piora na qualidade de vida”), não uma oração. Substituir por “embora” exigiria reescrever toda a estrutura, alterando a correção gramatical.
“Devido a” expressa causa, não concessão. No texto, a piora na qualidade de vida não é a causa de a onda não ter acontecido; é um fato que contraria a expectativa. Trocar por “devido a” inverteria a relação lógica: diria que a piora causou a não-ocorrência, o que não é o sentido original.
“Contanto” (que) é uma conjunção condicional (equivale a “desde que”). Não tem relação com concessão e exigiria uma oração com verbo no subjuntivo. Além disso, “contanto” sozinho não forma locução prepositiva; seria “contanto que”, que introduz condição, não concessão.
“Apesar de” é a substituição perfeita: mesmo sentido (concessão), mesma regência (preposição “de”) e mesma classe (locução prepositiva). No texto, “apesar de uma piora na qualidade de vida” mantém exatamente a ideia de que a piora não impediu o resultado.
A banca oferece “apesar” sem “de” (A) para pegar quem sabe o sentido, mas não a regência. E “devido a” (C) para pegar quem confunde concessão com causa. A regra de ouro: substituição deve preservar sentido E regência.
Ao substituir conectivos, teste a troca na frase original. Se precisar reescrever a estrutura (como “embora” exigiria verbo), a alternativa está errada. Concessão = “apesar de”, “embora”, “ainda que”; causa = “porque”, “devido a”, “já que”.
Gabarito: letra E — única que mantém sentido e correção gramatical.
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