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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce120269
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IBGE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Agente de Pesquisas e Mapeamento
Texto 1A2-II

    Quando a covid-19 começou a se espalhar pelo Brasil em março de 2020 e exigiu a adoção de medidas mais restritivas, especialistas em saúde mental passaram a usar o termo “quarta onda” para se referir à avalanche de novos casos de depressão, ansiedade e outros transtornos psiquiátricos que viriam pela frente.
    Mas, contrariando todas as expectativas, os primeiros 12 meses pandêmicos não resultaram em mais diagnósticos dessas doenças: estudos publicados em março de 2021 indicam que os números de indivíduos acometidos tiveram até uma ligeira subida no início da crise, mas depois eles se mantiveram estáveis dali em diante.
     Outros achados recentes também apontam que políticas mais extremas como o lockdown, adotadas em vários países e tão necessárias para achatar as curvas de contágio e evitar o colapso dos sistemas de saúde, não resultaram numa piora do bem-estar nem no aumento dos casos de suicídio.
    O que as pesquisas mais recentes nos apontam é que, ao menos em 2020, aquela “quarta onda” de transtornos mentais que era prevista pelos especialistas não aconteceu na prática graças à resiliência do ser humano e a despeito de uma piora na qualidade de vida e de um esperado aumento de sentimentos como tristeza, frustração, raiva e nervosismo.
     Em todo caso, é preciso destacar que alguns grupos foram mais atingidos que outros, como é o caso dos profissionais da saúde e das mulheres, que precisaram lidar com a sobrecarga de trabalho.

Internet: <uol.com.br>  (com adaptações).  
Em cada uma das opções a seguir, é apresentada uma proposta de reescrita do seguinte trecho do texto 1A2-II “não resultaram numa piora do bem-estar nem no aumento dos casos de suicídio” (terceiro parágrafo). Assinale a opção cuja proposta de reescrita, além de estar gramaticalmente correta, preserva os sentidos originais do texto.
  1. Anão aumentaram o bem-estar nem os casos de suicídio
  2. Bnão pioraram o bem estar nem aumentaram os casos de suicídio
  3. Cresultaram a melhora do bem-estar e a diminuição dos casos de suicídio
  4. Dnão causaram uma piora do bem-estar nem no aumento dos casos de suicídio
  5. Enão promoveram uma piora do bem-estar nem o aumento dos casos de suicídio
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GabaritoE — não promoveram uma piora do bem-estar nem o aumento dos casos de suicídio

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita que preserva o sentido: “não promoveram uma piora do bem-estar nem o aumento dos casos de suicídio”

Gabarito: letra E. A reescrita correta é a que mantém a negação dupla do original — “não resultaram numa piora do bem-estar nem no aumento dos casos de suicídio” — e a regência do verbo “resultar” (resultar em algo). A letra E troca “resultaram” por “promoveram” (verbo transitivo direto, que dispensa a preposição) e preserva exatamente o mesmo sentido: não houve piora do bem-estar nem aumento dos casos de suicídio. Como se lê no texto: “políticas mais extremas como o lockdown […] não resultaram numa piora do bem-estar nem no aumento dos casos de suicídio”.

A questão é de reescritura com preservação de sentido e correção gramatical. O comando pede que a proposta, além de gramaticalmente correta, preserve os sentidos originais. Isso significa: manter a ideia de negação (não houve piora, não houve aumento) e a estrutura sintática (dois complementos coordenados pela conjunção aditiva “nem”). Vamos analisar cada alternativa.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“não aumentaram o bem-estar nem os casos de suicídio”

Erro: contradiz o texto (inversão de sentido). O original diz que não houve piora do bem-estar — ou seja, o bem-estar não piorou (podendo até ter se mantido). A reescrita diz que não aumentaram o bem-estar — ou seja, o bem-estar não melhorou. São coisas opostas: “não piorar” ≠ “não melhorar”. Além disso, “não aumentaram os casos de suicídio” está correto, mas o primeiro membro já invalida a alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“não pioraram o bem estar nem aumentaram os casos de suicídio”

Erro: contradiz o texto (inversão de sentido) e problema de grafia. O original diz que não houve piora do bem-estar — ou seja, o bem-estar não piorou. A reescrita diz que não pioraram o bem-estar — ou seja, o bem-estar não foi piorado (sentido passivo). Isso é diferente: “não pioraram o bem-estar” significa que não causaram piora, mas o original diz que não resultou em piora — a diferença é sutil, mas a banca considera que “não pioraram” implica uma ação ativa de não piorar, enquanto “não resultou em piora” é uma consequência. Além disso, “bem estar” sem hífen está incorreto (o correto é “bem-estar”).

Alternativa C — ❌ Incorreta

“resultaram a melhora do bem-estar e a diminuição dos casos de suicídio”

Erro: contradiz o texto (inversão de sentido) e erro de regência. O original diz que não houve piora nem aumento — ou seja, não houve melhora nem diminuição. A reescrita diz que resultaram a melhora do bem-estar e a diminuição dos casos de suicídio — ou seja, houve melhora e diminuição. Isso é o oposto do que o texto afirma. Além disso, o verbo “resultar” exige a preposição “em” (resultar em algo), e aqui está sem preposição: “resultaram a melhora” é incorreto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“não causaram uma piora do bem-estar nem no aumento dos casos de suicídio”

Erro: erro de regência e paralelismo. O original usa “resultaram numa piora” e “no aumento” — ambos com a preposição “em” (contraída com artigo). A reescrita usa “causaram uma piora” (sem preposição, pois “causar” é transitivo direto) e “no aumento” (com preposição). Isso quebra o paralelismo sintático: o primeiro complemento é objeto direto, o segundo é objeto indireto. Além disso, “causaram uma piora” é diferente de “resultaram numa piora” — “causar” implica ação direta, “resultar em” implica consequência. A banca considera que a mistura de regências torna a frase incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“não promoveram uma piora do bem-estar nem o aumento dos casos de suicídio”

Correta: preserva o sentido e é gramaticalmente correta. O verbo “promover” é transitivo direto, portanto não exige preposição: “promover uma piora” e “promover o aumento” são construções corretas. A reescrita mantém a negação dupla (“não promoveram … nem …”) e o paralelismo (dois objetos diretos coordenados por “nem”). O sentido é idêntico ao original: não houve piora do bem-estar nem aumento dos casos de suicídio. A troca de “resultaram em” por “promoveram” é uma paráfrase válida, pois ambos expressam a ideia de causar/ocasionar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a regência verbal e a inversão de sentido. Em A e B, inverte o sentido ao trocar “piora” por “melhora” ou “aumento” por “diminuição”. Em C, inverte completamente ao afirmar que houve melhora e diminuição. Em D, quebra o paralelismo ao misturar regências. A correta (E) é a única que mantém a negação e o paralelismo.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, grife o verbo e seus complementos no original. Verifique se a reescrita mantém a mesma regência (preposição ou não) e o mesmo sentido (negação, causa, consequência). Desconfie de alternativas que trocam “piora” por “melhora” ou “aumento” por “diminuição” — isso é inversão de sentido.

Gabarito: letra E

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