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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce120328
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IBGE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Agente de Pesquisas por Telefone

Texto 1A2-I

    

    Chamarei de literatura, da maneira mais ampla possível, todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura.

     A literatura aparece como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado.

     Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito.

     A literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura. Desse modo, ela é fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem na sua humanidade. Humanização é o processo que confirma no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso da beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor.

     A literatura desenvolve em nós a quota de humanidade, na medida em que nos torna mais compreensivos e abertos à natureza, à sociedade e ao semelhante. A literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob a pena de mutilar a personalidade, porque, pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo, ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza. A fruição da arte e da literatura, em todas modalidades e em todos os níveis, é um direito inalienável.

Antonio Candido. O direito à literatura. In: Vários escritos.

5ª ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre o azul, 2011 (com adaptações).

Infere-se do trecho “A literatura é o sonho acordado das civilizações”, do texto 1A2-I, que, com a literatura, as pessoas entregam-se à
  1. Acerteza.
  2. Breflexão.
  3. Cdistopia.
  4. Drealização.
  5. Eimaginação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — imaginação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre “A literatura é o sonho acordado das civilizações”

Gabarito: letra E. A expressão “sonho acordado” autoriza a inferência de que, com a literatura, as pessoas entregam-se à imaginação — o sonho é a atividade mental em que a imaginação se liberta, e “acordado” indica que isso ocorre em estado de vigília, ou seja, pela fabulação literária. A passagem que ancora essa leitura está no 1º parágrafo: “ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado”.

O comando pede inferência (“Infere-se”), não mera recorrência: a resposta não está literal, mas é dedução obrigatória a partir das pistas do texto. A metáfora “sonho acordado” só faz sentido se o leitor reconhecer que o sonho é o reino da imaginação; o texto ainda reforça isso ao falar em “universo fabulado” e “ficção e poesia”.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A “certeza” não tem qualquer apoio no trecho. O texto fala em “necessidade universal”, “direito” e “humanização”, mas não associa a literatura a um estado de certeza. A alternativa extrapola: acrescenta uma ideia (segurança/convicção) que não está nem explícita nem pressuposta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A “reflexão” aparece no texto, mas em outro contexto: “o exercício da reflexão” é citado como um dos traços que a humanização confirma. O trecho específico do enunciado (“sonho acordado”) remete à imaginação, não à reflexão. A alternativa tangencia o tema: usa uma palavra que existe no texto, mas desloca o sentido do fragmento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Distopia” é um gênero ficcional específico (sociedade indesejável), e o texto não menciona nada disso. A alternativa extrapola completamente: introduz um conceito de fora, sem pista textual. O “sonho acordado” não é distópico — é uma imagem positiva da literatura como fabulação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Realização” poderia soar plausível (a literatura “organiza”, “humaniza”), mas o trecho citado fala em sonho, não em realização. A alternativa troca o conceito: substitui a ideia de imaginação/fabulação por uma noção de concretização que o texto não sustenta no fragmento.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A metáfora “sonho acordado” só se explica pela imaginação: sonhar é imaginar, e “acordado” indica que isso acontece em vigília, pela literatura. O 1º parágrafo ancora: “sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação” e “entrega ao universo fabulado”. A inferência é legítima porque o texto obriga a essa conclusão — não há outra leitura possível para “sonho acordado”.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de conceito — alternativas como “reflexão” e “realização” usam palavras que aparecem no texto, mas em outros contextos, tentando desviar do sentido central do fragmento. Fique atento ao comando: “infere-se” pede dedução com pista, e a pista aqui é a palavra “sonho”.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver uma metáfora no enunciado, pergunte: qual é o sentido figurado que ela evoca? “Sonho” = imaginação; “acordado” = vigília. A resposta certa é a que traduz a imagem, não a que repete palavras soltas do texto.

Gabarito: letra E.

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