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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce120334
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IBGE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Agente de Pesquisas por Telefone
Texto 1A1-I

  Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido estocado para o inverno que se aproximava ou, como somos competitivos, a relação entre nomes de integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles.
   Se formos propor uma hermenêutica acerca do tema, talvez possamos afirmar que existem dois tipos de listas: as necessárias e as inúteis. Em muitos casos, dialeticamente, as necessárias tornam-se inúteis e as inúteis, necessárias. Tomemos dois exemplos. Todo mês, enumero as coisas que faltam na despensa de minha casa antes de me dirigir ao supermercado; essa lista arrolo na categoria das necessárias. Por outro lado, há pessoas que anotam suas metas para o ano que se inicia: começar a fazer ginástica, parar de fumar, cortar em definitivo o açúcar, ser mais solidário, menos intolerante... Essa elenco na categoria das inúteis.
    Feitas as compras, a lista do supermercado, necessária, torna-se então inútil. A lista contendo nossos desejos de sermos melhores para nós mesmos e para os outros, embora inútil, pois dificilmente a cumprimos, converte-se em necessária, porque estabelece um vínculo com o futuro, e nos projetar é uma forma de vencer a morte.
   Tudo isso para justificar o que se segue. Ninguém me perguntou, mas resolvi organizar uma lista dos melhores romances que li em minha vida — escolhi o número vinte, não por motivos místicos, mas porque talvez, pela amplitude, alinhave, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras. Enquadro-a na categoria das listas inúteis, mas, quem sabe, se consultada, municie discussões, já que toda escolha é subjetiva e aleatória, ou, na melhor das hipóteses, suscite curiosidade a respeito de um título ou de um autor. Ocorresse isso, me daria por satisfeito. 
Luiz Ruffato. Meus romances preferidos.
Internet: <brasil.elpais.com> (com adaptações).

Sabendo que o texto 1A1-I poderia ser classificado como um artigo de opinião, porque, de modo geral, apresenta características que definem esse gênero textual, assinale a opção que apresenta um exemplo dessas características.
  1. Aa utilização da primeira pessoa gramatical para a exposição do ponto de vista do autor
  2. Ba apresentação de argumentos de autoridade para reforçar o ponto de vista do autor
  3. Ca ausência de quaisquer pontos de vista que sejam contrários ao do autor
  4. Da adoção de apenas argumentos isentos de subjetividade
  5. Ea divulgação de informações atualizadas sobre um tema de relevância social
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a utilização da primeira pessoa gramatical para a exposição do ponto de vista do autor

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Características de um artigo de opinião no texto 1A1-I

Gabarito: letra A. O texto emprega a primeira pessoa gramatical para expor o ponto de vista do autor, característica típica de artigos de opinião, como se vê em passagens como:

"Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar..." "resolvi organizar uma lista dos melhores romances que li em minha vida" "me daria por satisfeito"

O autor constrói o texto a partir de suas impressões pessoais, sem disfarçar a subjetividade, o que é próprio do gênero.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A utilização da primeira pessoa (verbos como "posso", "resolvi", "li", "me daria") é explícita e constante, demonstrando a exposição do ponto de vista do autor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto não apresenta argumentos de autoridade (citações de especialistas, dados de fontes reconhecidas etc.). Toda a argumentação é baseada na experiência pessoal do autor, sem recorrer a vozes externas para dar peso ao seu ponto de vista.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação "ausência de quaisquer pontos de vista que sejam contrários ao do autor" não é uma característica exemplificada no texto, e sim uma ausência que pode ocorrer, mas não define o gênero. Além disso, o texto não apresenta, mas também não discute ou refuta opiniões contrárias; simplesmente não entra nesse mérito. O erro está em generalizar e tomar uma ausência como característica positiva do gênero.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Artigo de opinião é, por definição, subjetivo. O texto é repleto de juízos pessoais ("necessárias e inúteis", "inúteis, mas necessárias", "me daria por satisfeito"). A opção D sugere o oposto — "apenas argumentos isentos de subjetividade" — o que contradiz a natureza do texto e do gênero.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O tema do texto é uma lista pessoal de romances preferidos, sem relevância social ampla e sem divulgação de informações atualizadas. O autor afirma que sua lista é "inútil" e "subjetiva e aleatória". Não há pretensão de informar ou atualizar o leitor sobre um assunto de interesse público.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o gênero textual, lembre-se de que o artigo de opinião é marcado pela subjetividade, pelo uso da primeira pessoa e pela defesa de um ponto de vista pessoal. Fique atento a alternativas que atribuem imparcialidade ou objetividade a esse gênero — elas estão quase sempre erradas.

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