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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce120338
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IBGE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Agente de Pesquisas por Telefone
Texto 1A1-I

  Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido estocado para o inverno que se aproximava ou, como somos competitivos, a relação entre nomes de integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles.
   Se formos propor uma hermenêutica acerca do tema, talvez possamos afirmar que existem dois tipos de listas: as necessárias e as inúteis. Em muitos casos, dialeticamente, as necessárias tornam-se inúteis e as inúteis, necessárias. Tomemos dois exemplos. Todo mês, enumero as coisas que faltam na despensa de minha casa antes de me dirigir ao supermercado; essa lista arrolo na categoria das necessárias. Por outro lado, há pessoas que anotam suas metas para o ano que se inicia: começar a fazer ginástica, parar de fumar, cortar em definitivo o açúcar, ser mais solidário, menos intolerante... Essa elenco na categoria das inúteis.
    Feitas as compras, a lista do supermercado, necessária, torna-se então inútil. A lista contendo nossos desejos de sermos melhores para nós mesmos e para os outros, embora inútil, pois dificilmente a cumprimos, converte-se em necessária, porque estabelece um vínculo com o futuro, e nos projetar é uma forma de vencer a morte.
   Tudo isso para justificar o que se segue. Ninguém me perguntou, mas resolvi organizar uma lista dos melhores romances que li em minha vida — escolhi o número vinte, não por motivos místicos, mas porque talvez, pela amplitude, alinhave, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras. Enquadro-a na categoria das listas inúteis, mas, quem sabe, se consultada, municie discussões, já que toda escolha é subjetiva e aleatória, ou, na melhor das hipóteses, suscite curiosidade a respeito de um título ou de um autor. Ocorresse isso, me daria por satisfeito. 
Luiz Ruffato. Meus romances preferidos.
Internet: <brasil.elpais.com> (com adaptações).

No trecho “como somos competitivos” (primeiro parágrafo do texto 1A1-I), a conjunção “como” expressa o mesmo que
  1. Aconforme.
  2. Btanto quanto.
  3. Capesar de.
  4. Dporque.
  5. Eembora.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — porque.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Valor causal da conjunção "como" no texto

Gabarito: letra D. No trecho "como somos competitivos", a conjunção "como" expressa causa (razão), equivalendo a "porque". A passagem narra que o antepassado listava caças abatidas motivado pela competição – exatamente uma relação causal.

"ou, como somos competitivos, a relação entre nomes..."

O contexto mostra que a competitividade é a justificativa para a existência da lista comparativa.


Conjunção

Valor semântico

Substitui "como" no trecho?

como (original)

Causal (causa/razão)

porque (D)

Causal

✅ Sim

conforme (A)

Conformidade (modo)

❌ Não

tanto quanto (B)

Comparação de igualdade

❌ Não

apesar de (C)

Concessão (obstáculo)

❌ Não

embora (E)

Concessão (obstáculo)

❌ Não

Alternativa A — ❌ Incorreta

"conforme" expressa conformidade (modo como algo é feito). O texto não diz "conforme somos competitivos", mas sim "porque somos competitivos".

Alternativa B — ❌ Incorreta

"tanto quanto" estabelece comparação de igualdade. A frase compararia a intensidade, e não a causa. O texto não sustenta essa relação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"apesar de" é concessivo (ideia de obstáculo ou contrariedade). A competitividade não é apresentada como algo que se opõe à ação – ao contrário, é a motivação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"porque" é a conjunção causal por excelência. Substitui perfeitamente "como" no trecho, mantendo o sentido de explicação: "porque somos competitivos, [fazíamos a lista]".

Alternativa E — ❌ Incorreta

"embora" também é concessivo. A competitividade não é uma ressalva ou obstáculo; é a razão direta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora os múltiplos significados de "como" (causa, comparação, conformidade). O candidato precisa se apoiar no contexto – especificamente na relação lógica entre a oração e o restante do período. A presença de "ou, como somos competitivos, a relação..." mostra que a segunda oração explica a primeira (a existência da lista comparativa).

Conclusão: a única alternativa que preserva a relação de causa é D – porque.

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