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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce120343
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IBGE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Agente de Pesquisas por Telefone
Texto 1A1-I

  Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido estocado para o inverno que se aproximava ou, como somos competitivos, a relação entre nomes de integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles.
   Se formos propor uma hermenêutica acerca do tema, talvez possamos afirmar que existem dois tipos de listas: as necessárias e as inúteis. Em muitos casos, dialeticamente, as necessárias tornam-se inúteis e as inúteis, necessárias. Tomemos dois exemplos. Todo mês, enumero as coisas que faltam na despensa de minha casa antes de me dirigir ao supermercado; essa lista arrolo na categoria das necessárias. Por outro lado, há pessoas que anotam suas metas para o ano que se inicia: começar a fazer ginástica, parar de fumar, cortar em definitivo o açúcar, ser mais solidário, menos intolerante... Essa elenco na categoria das inúteis.
    Feitas as compras, a lista do supermercado, necessária, torna-se então inútil. A lista contendo nossos desejos de sermos melhores para nós mesmos e para os outros, embora inútil, pois dificilmente a cumprimos, converte-se em necessária, porque estabelece um vínculo com o futuro, e nos projetar é uma forma de vencer a morte.
   Tudo isso para justificar o que se segue. Ninguém me perguntou, mas resolvi organizar uma lista dos melhores romances que li em minha vida — escolhi o número vinte, não por motivos místicos, mas porque talvez, pela amplitude, alinhave, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras. Enquadro-a na categoria das listas inúteis, mas, quem sabe, se consultada, municie discussões, já que toda escolha é subjetiva e aleatória, ou, na melhor das hipóteses, suscite curiosidade a respeito de um título ou de um autor. Ocorresse isso, me daria por satisfeito. 
Luiz Ruffato. Meus romances preferidos.
Internet: <brasil.elpais.com> (com adaptações).

Assinale a opção que indica o principal critério adotado pelo autor do texto 1A1-I na seleção de vinte obras para compor a lista dos melhores romances da sua vida.
  1. Aa história afetiva das suas leituras
  2. Ba variedade das obras
  3. Cas suas preferências intelectuais
  4. Das suas crenças religiosas
  5. Ea curiosidade sobre as obras
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — a história afetiva das suas leituras

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Critério de seleção dos romances no texto 1A1-I

Gabarito: letra A. O autor afirma claramente que sua lista alinha, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras. Esse é o principal critério declarado.

O comando da questão pede o principal critério adotado pelo autor na seleção das vinte obras. Trata-se de compreensão textual (informação explícita, sem inferência). Basta localizar o trecho em que ele explica sua escolha.

No 4º parágrafo, lê-se:

"escolhi o número vinte, não por motivos místicos, mas porque talvez, pela amplitude, alinhave, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras. "

A expressão "mais que" estabelece um contraste: ele afasta as preferências intelectuais e valoriza a história afetiva. Portanto, o critério central é a afetividade, não a intelectualidade.


Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Conforme o trecho citado, o autor declara que alinhou "mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras". Logo, o critério é a história afetiva. A alternativa é uma paráfrase fiel do texto.


Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (fora do escopo). O texto não menciona variedade de obras como critério. Ele cita "amplitude" (pela quantidade de obras possíveis), mas não variedade temática ou estilística. A banca cria uma informação ausente.


Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (inverte o sentido). O autor explícita e textualmente diz "mais que preferências intelectuais" — ou seja, as preferências intelectuais são preteridas em favor da história afetiva. A alternativa afirma o oposto do que o texto diz. É a pegadinha clássica: a banca usa uma expressão que aparece no texto, mas inverte a relação lógica.

PEGA ESSA DICA!

Conectivos contrastivos como "mais que", "mas", "embora" mudam o sentido. Sempre veja o que eles estão contrastando.


Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (assunto ausente). Crenças religiosas não aparecem em nenhum parágrafo do texto. O autor não menciona religião, fé ou crenças. A banca apela para um tema genérico que o candidato poderia associar a "valores", mas não há amparo textual.


Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (confunde efeito com critério). O autor diz que, na melhor das hipóteses, a lista pode "suscitar curiosidade a respeito de um título ou de um autor". Isso é uma consequência desejada, não o critério de seleção. A alternativa confunde o propósito (o que ele espera que ocorra) com o critério (por que escolheu os livros).

NÃO CAIA NESSA!

A banca apresenta um termo que está no texto ("curiosidade"), mas troca sua função: de efeito projetado para causa da escolha.


Resumo: letra A — única que reproduz exatamente o que o autor afirma como critério principal. As demais ou extrapolam, invertem ou confundem elementos do texto.

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