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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce120344
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IBGE
Ano
2021
Nível
Médio
Cargo
Agente de Pesquisas por Telefone
Texto 1A1-I

  Não sei quando começou a necessidade de fazer listas, mas posso imaginar nosso antepassado mais remoto riscando na parede da caverna, à luz de uma tocha, signos que indicavam quanto de alimento havia sido estocado para o inverno que se aproximava ou, como somos competitivos, a relação entre nomes de integrantes da tribo e o número de caças abatidas por cada um deles.
   Se formos propor uma hermenêutica acerca do tema, talvez possamos afirmar que existem dois tipos de listas: as necessárias e as inúteis. Em muitos casos, dialeticamente, as necessárias tornam-se inúteis e as inúteis, necessárias. Tomemos dois exemplos. Todo mês, enumero as coisas que faltam na despensa de minha casa antes de me dirigir ao supermercado; essa lista arrolo na categoria das necessárias. Por outro lado, há pessoas que anotam suas metas para o ano que se inicia: começar a fazer ginástica, parar de fumar, cortar em definitivo o açúcar, ser mais solidário, menos intolerante... Essa elenco na categoria das inúteis.
    Feitas as compras, a lista do supermercado, necessária, torna-se então inútil. A lista contendo nossos desejos de sermos melhores para nós mesmos e para os outros, embora inútil, pois dificilmente a cumprimos, converte-se em necessária, porque estabelece um vínculo com o futuro, e nos projetar é uma forma de vencer a morte.
   Tudo isso para justificar o que se segue. Ninguém me perguntou, mas resolvi organizar uma lista dos melhores romances que li em minha vida — escolhi o número vinte, não por motivos místicos, mas porque talvez, pela amplitude, alinhave, mais que preferências intelectuais, uma história afetiva das minhas leituras. Enquadro-a na categoria das listas inúteis, mas, quem sabe, se consultada, municie discussões, já que toda escolha é subjetiva e aleatória, ou, na melhor das hipóteses, suscite curiosidade a respeito de um título ou de um autor. Ocorresse isso, me daria por satisfeito. 
Luiz Ruffato. Meus romances preferidos.
Internet: <brasil.elpais.com> (com adaptações).

Segundo o texto 1A1-I, a origem da necessidade de fazer listas
  1. Aremonta a pré-história.
  2. Brelaciona-se com o inverno.
  3. Ccoincide com a invenção da escrita.
  4. Dé desconhecida pelo autor do texto.
  5. Efoi desvendada a partir de desenhos nas paredes de cavernas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — é desconhecida pelo autor do texto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da origem da necessidade de fazer listas

Gabarito: letra D. O autor afirma explicitamente não saber quando começou a necessidade de fazer listas. Portanto, a origem é desconhecida pelo autor. A resposta mora na primeira frase do texto:

"Não sei quando começou a necessidade de fazer listas"

A partir dessa afirmação, todas as alternativas que apresentam uma origem específica (A, B, C, E) são descartadas, pois o texto não as sustenta. O que o autor faz no primeiro parágrafo é uma especulação sobre como poderia ter sido, usando o verbo "imaginar" e o subjuntivo "riscando", mas isso não equivale a afirmar a origem.


Alternativa A — ❌ Incorreta

"remonta a pré-história"

O autor não afirma que a necessidade remonta à pré-história. Ele apenas imagina um antepassado remoto fazendo listas. Extrapolação: confunde uma hipótese com um fato.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"relaciona-se com o inverno"

No texto, o inverno aparece como um elemento da imaginação do autor ("alimento estocado para o inverno"), mas não como a origem da necessidade. Novamente, extrapolação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"coincide com a invenção da escrita"

O texto menciona "signos" e "riscando na parede", mas não relaciona a origem das listas com a invenção da escrita. A escrita nem é citada. Extrapolação sem apoio textual.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"é desconhecida pelo autor do texto"

Literalmente: "Não sei quando começou a necessidade de fazer listas". O autor declara seu desconhecimento. É a única alternativa fiel ao texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"foi desvendada a partir de desenhos nas paredes de cavernas"

O texto não diz que os desenhos (ou signos) desvendaram a origem. O autor apenas imagina um ancestral riscando signos; a origem permanece desconhecida. Extrapolação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca usa as imagens sugeridas pelo autor (caverna, inverno, desenhos) para tentar fazer o candidato acreditar que o texto afirma essas origens. Mas o cuidado está em perceber que o autor usa o verbo "imaginar" e o presente do subjuntivo para indicar mera hipótese, não certeza.

PEGA ESSA DICA!

Sempre leia o comando — "Segundo o texto" exige que a resposta esteja literal ou claramente inferida do texto. Se o autor diz "não sei", qualquer alternativa que apresente uma origem conhecida está em contradição com o texto.

Conclusão: A única alternativa compatível com a declaração direta do autor é a letra D. As demais extrapolam ou contradizem o explícito.

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