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Questão de Direito Processual Penal — Ação Penal — CESPE / CEBRASPE 2021

Direito Processual PenalAção Penal
Código
ce120575
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-AP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
A respeito da aplicação dos princípios norteadores do processo penal na ação penal, assinale a opção correta.
  1. AO princípio da indivisibilidade afasta a possibilidade de aditamento da queixa-crime.
  2. BNa ação penal pública, o oferecimento de denúncia em relação a um dos agentes, mas não aos outros, impõe a instauração de novo processo.
  3. CO princípio da obrigatoriedade da ação penal pública não comporta mitigação.
  4. DA ação penal privada subsidiária da pública caracteriza exceção ao princípio da oficialidade.
  5. EO pedido de absolvição do réu pelo Ministério Público encontra embasamento no princípio da disponibilidade da ação penal.
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GabaritoD — A ação penal privada subsidiária da pública caracteriza exceção ao princípio da oficialidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Princípios da Ação Penal

Gabarito: letra D. A ação penal privada subsidiária da pública é uma exceção ao princípio da oficialidade, pois permite que o ofendido assuma a titularidade da ação quando o Ministério Público permanece inerte no prazo legal, conforme previsão constitucional (CF, art. 5º, LIX) e legal (CPP, art. 29 e Lei 13.869/2019, art. 3º, §1º).

Os princípios norteadores da ação penal no processo penal brasileiro são fundamentais para compreender a titularidade e o exercício da acusação. O princípio da oficialidade estabelece que a ação penal pública é exclusivamente do Estado, exercida pelo Ministério Público. Já o princípio da obrigatoriedade determina que, presentes as condições, o MP deve oferecer denúncia, mas admite mitigação em casos de transação penal e sursis processual. A indivisibilidade aplica-se à ação privada, obrigando que a queixa abranja todos os autores. A disponibilidade é própria da ação privada, enquanto na pública vigora a indisponibilidade, impedindo o MP de desistir.

Princípio

Ação Penal Pública

Ação Penal Privada

Exceções/Mitigações

Oficialidade

Titularidade exclusiva do Estado (MP)

Titularidade do ofendido

Ação privada subsidiária da pública (exceção à oficialidade)

Obrigatoriedade

MP deve oferecer denúncia, se presentes condições

Faculdade do ofendido

Admite mitigação (transação penal, sursis processual)

Indisponibilidade

MP não pode desistir da ação

Aplicável (disponibilidade)

Indivisibilidade

Não se aplica (MP pode denunciar parcialmente)

A queixa deve abranger todos os autores

Aditamento é permitido para corrigir omissão

Princípios da ação penal
  • 1Ação penal pública
    • Oficialidade (titularidade do Estado/MP)
    • Obrigatoriedade (dever de denunciar)
      • Mitigação: transação penal e sursis
    • Indisponibilidade (MP não desiste)
  • 2Ação penal privada
    • Disponibilidade (ofendido pode dispor)
    • Indivisibilidade (queixa abrange todos)
      • Aditamento é possível
  • 3Ação penal privada subsidiária da pública
    • Exceção à oficialidade
    • Ofendido assume se MP inerte
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O princípio da indivisibilidade (CPP, art. 48) determina que a queixa deve abranger todos os autores do crime. No entanto, isso não impede o aditamento da queixa para incluir coautores omitidos; ao contrário, o MP deve velar pela indivisibilidade, podendo o querelante aditar ou mesmo o MP intervir. A afirmação de que o princípio "afasta" a possibilidade de aditamento é falsa, pois o aditamento é mecanismo justamente para corrigir a falta de indivisibilidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Na ação penal pública, o MP pode, ao descobrir novos envolvidos, oferecer denúncia em separado (novo processo) ou aditar a denúncia original, se cabível. Não há imposição de instauração de novo processo apenas porque denunciou um dos agentes – a regra é a discricionariedade regrada. O termo "impõe" é incorreto, pois o MP tem liberdade para decidir a forma de inclusão, desde que respeitados prazos e garantias.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O princípio da obrigatoriedade da ação penal pública não é absoluto. Admite mitigação, por exemplo, nos crimes de menor potencial ofensivo (Lei 9.099/95), em que o MP pode propor transação penal (art. 76), evitando a propositura da ação penal. Portanto, a afirmação de que "não comporta mitigação" é equivocada. A transação penal é um acordo que suspende a ação penal, sendo uma exceção ao princípio.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O princípio da oficialidade estabelece que a ação penal pública é de titularidade exclusiva do Estado, exercida pelo MP. A ação penal privada subsidiária da pública é uma exceção: quando o MP não oferece denúncia no prazo legal, o ofendido pode propô-la (CF, art. 5º, LIX; CPP, art. 29; Lei 13.869/2019, art. 3º, §1º). Nesse caso, o ofendido atua como substituto processual, mas a ação continua sendo pública, daí ser exceção à oficialidade. É uma hipótese de legitimidade extraordinária.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O princípio da disponibilidade aplica-se à ação penal privada (o querelante pode dispor da ação). Na ação penal pública, vige o princípio da indisponibilidade: o MP não pode desistir ou dispor da ação depois de proposta. O pedido de absolvição pelo MP não decorre de disponibilidade, mas da função de fiscal da lei e da busca pela verdade real. Portanto, a base é o princípio do contraditório e do devido processo, não a disponibilidade.

NÃO CAIA NESSA!

A alternativa C é a mais traiçoeira: muitos candidatos acreditam que a obrigatoriedade é absoluta, mas a transação penal e o sursis processual são exemplos de mitigação previstos na Lei 9.099/95 e no art. 89 da mesma lei. Fique atento!

Gabarito: letra D.

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