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Questão de Direito Processual Penal — Inquérito Policial — CESPE / CEBRASPE 2021

Direito Processual PenalInquérito Policial
Código
ce120579
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-AP
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto
Considerando a hipótese de que decisão judicial transitada em julgado tenha homologado o arquivamento de inquérito policial a pedido do Ministério Público estadual, assinale a opção correta, de acordo com as disposições processuais penais em vigor.
  1. AO arquivamento do inquérito policial por insuficiência de provas produz coisa julgada material.
  2. BO acolhimento do pedido pelo juiz possibilita ao ofendido ou a seu representante legal o manejo da queixa subsidiária.
  3. CO oferecimento de denúncia, pelo mesmo crime, devido a novas provas caracteriza, em regra, violação do princípio que veda a revisão pro societate.
  4. DA decisão judicial de arquivamento por insuficiência probatória possui efeitos de coisa julgada formal.
  5. EDa sentença homologatória do arquivamento caberá recurso em sentido estrito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A decisão judicial de arquivamento por insuficiência probatória possui efeitos de coisa julgada formal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Arquivamento de Inquérito Policial – Efeitos da Decisão Homologatória

Gabarito: letra D. A decisão judicial que homologa o arquivamento de inquérito policial por insuficiência probatória produz apenas coisa julgada formal, e não material. Isso significa que a mesma investigação pode ser reaberta se surgirem novas provas, conforme admite o art. 18 do CPP e a Súmula 524 do STF. A alternativa D é a única que descreve corretamente esse efeito.

O instituto da coisa julgada, previsto no art. 6º, §3º, da LINDB, é definido como a decisão judicial de que já não caiba recurso. No entanto, no âmbito do inquérito policial, o arquivamento possui eficácia formal (preclusão dentro do procedimento investigatório), e não material (que impediria definitivamente a persecução penal). A diferença é crucial: a coisa julgada material só ocorre na sentença penal condenatória ou absolutória transitada em julgado.

A jurisprudência consolidada do STF (Súmula 524) e do STJ firma que o arquivamento por insuficiência de provas não obsta a propositura de nova ação penal se surgirem elementos probatórios novos. Assim, a decisão tem efeito de coisa julgada formal rebus sic stantibus (enquanto não houver novas provas).

LINDB (Decreto-Lei 4.657/1942):

Art. 6º, §3º — "Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não caiba recurso."

Aspecto

Arquivamento de Inquérito Policial (por insuficiência de provas)

Sentença Penal (condenatória/absolutória)

Natureza da decisão

Homologatória (juiz acolhe pedido do MP)

Decisão de mérito (após instrução)

Efeito da coisa julgada

Formal (rebus sic stantibus)

Material (impede nova ação pelo mesmo fato)

Possibilidade de reabertura

Sim, se surgirem novas provas (art. 18 CPP; Súmula 524 STF)

Não, salvo revisão criminal (pro societate é vedada)

Instrumento processual

Inquérito policial (fase investigatória)

Ação penal (fase processual)

Arquivamento do inquérito (art. 18 CPP)
  • 1Efeitos
    • Coisa julgada material (A)
    • Coisa julgada formal (D)
      • Rebus sic stantibus
      • Novas provas reabrem
  • 2Queixa subsidiária (art. 29 CPP)
    • Cabível: inércia do MP
    • Incabível: MP requereu arquivamento (B)
  • 3Recurso
    • RESE (E)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o arquivamento por insuficiência de provas produz coisa julgada material. Erro: o efeito é apenas formal, pois podem surgir novas provas. A coisa julgada material é própria de sentenças penais definitivas (absolvição ou condenação).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que o acolhimento do pedido de arquivamento possibilita ao ofendido o manejo da queixa subsidiária. A queixa subsidiária (art. 29 CPP) só é cabível quando o Ministério Público fica inerte (não oferece denúncia no prazo legal). Se o MP requer o arquivamento, não há inércia; ele se manifestou formalmente. Portanto, o ofendido não pode substituir a ação pública.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Alega que o oferecimento de denúncia com novas provas após o arquivamento viola o princípio da vedação da revisão pro societate. Esse princípio aplica-se a recursos contra decisões penais transitadas em julgado (revisão criminal), e não ao desarquivamento de inquérito. Como o arquivamento não produz coisa julgada material, novas provas autorizam o regular exercício da ação penal.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: a decisão de arquivamento por insuficiência probatória possui efeitos de coisa julgada formal. Ela impede o reexame da mesma investigação enquanto não houver novas provas, mas não preclude a persecução penal para sempre. É a posição pacífica dos tribunais superiores (STF Súmula 524; STJ REsp 791.471/RJ).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que da sentença homologatória do arquivamento cabe recurso em sentido estrito (RESE). O art. 581 do CPP lista taxativamente as hipóteses de RESE, e entre elas não se encontra a decisão que homologa o arquivamento. Portanto, não há previsão legal para esse recurso; eventual impugnação seria por mandado de segurança ou outra via, jamais RESE.

NÃO CAIA NESSA!

Na hora da prova, lembre-se da fórmula: arquivamento por falta de provas = coisa julgada formal (pode desarquivar com novas provas); sentença absolutória = coisa julgada material (impede nova ação penal). A banca adora trocar esses conceitos!

MNEMÔNICO
DEITAA IDOSO
DDispensávelEEscritoIInquisitivoTTransitórioAAdministrativoApresidido por Autoridade pública competenteIIndisponívelDDiscricionárioOOficialSSigilosoOOficioso
Características do inquérito policial

Gabarito: letra D — correta a alternativa D.

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