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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
ce122852
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PRF
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Policial Rodoviário Federal
Texto 1A18-I

    Nos Estados Unidos da América, no século XIX, a passagem da polícia do sistema de justiça para o de governo da cidade significou também a passagem da noção de caça aos criminosos para a prevenção dos crimes, em um deslocamento do ato para o ator. Como na Europa, a ênfase na prevenção teria representado nova atitude diante do controle social, com o desenvolvimento pela polícia de uma habilidade específica, a de explicar e prevenir o comportamento criminoso. Isso acabou redundando no foco nas “classes perigosas”, ou seja, em setores específicos da sociedade vistos como produtores de comportamento criminoso. Nesse processo, desenvolveram-se os vários campos de saber vinculados aos sistemas de justiça criminal, polícia e prisão, voltados para a identificação, para a explicação e para a prevenção do comportamento criminoso, agora visto como “desviante”, como a medicina legal, a psiquiatria e, especialmente, a criminologia.
     Na Europa ocidental, as novas instituições estatais de vigilância deveriam controlar o exercício da força em sociedades em que os níveis de violência física nas relações interpessoais e do Estado com a sociedade estavam em declínio. De acordo com a difundida teoria do processo civilizador, de Norbert Elias, no Ocidente moderno, a agressividade, assim como outras emoções e prazeres, foi domada, “refinada” e “civilizada”. O autor estabelece um contraste entre a violência “franca e desinibida” do período medieval, que não excluía ninguém da vida social e era socialmente permitida e até certo ponto necessária, e o autocontrole e a moderação das emoções que acabaram por se impor na modernidade. A conversão do controle que se exercia por terceiros no autocontrole é relacionada à organização e à estabilização de Estados modernos, nos quais a monopolização da força física em órgãos centrais permitiu a criação de espaços pacificados. Em tais espaços, os indivíduos passaram a ser submetidos a regras e leis mais rigorosas, mas ficaram mais protegidos da irrupção da violência na sua vida, na medida em que as ameaças físicas tornaram-se despersonalizadas e monopolizadas por especialistas.

C. Mauch. Considerações sobre a história da polícia. In: MÉTIS: história & cultura, v. 6, n.º 11, jan./jun. 2007, p. 107-19 (com adaptações).  
Considerando os sentidos e os aspectos linguísticos do texto 1A18-I, julgue o item que se segue.O pronome “Isso”, que introduz o terceiro período do primeiro parágrafo do texto, poderia ser corretamente substituído por O que.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de “Isso” por “O que” – Pronomes

ERRADO. O pronome “Isso” não pode ser corretamente substituído por “O que” no trecho indicado. A substituição alteraria a estrutura sintática e o sentido do período.

Gabarito: ERRADO (E).

Por que a afirmação está errada

No terceiro período do primeiro parágrafo, lê-se:

“Isso acabou redundando no foco nas ‘classes perigosas’, ou seja, em setores específicos da sociedade vistos como produtores de comportamento criminoso.”

O pronome “Isso” é um pronome demonstrativo (neutro, anafórico) que retoma toda a ideia anterior – a ênfase na prevenção e o desenvolvimento da habilidade policial de explicar e prevenir o crime. Ele exerce a função de sujeito do verbo “acabou redundando”.

“O que” (grafado sem acento quando é pronome relativo ou interrogativo) teria dois usos possíveis:

  1. Pronome relativo: exige um antecedente explícito (ex.: “A situação, o que me deixou preocupado…”). No texto, não há um antecedente imediatamente antes que justifique o relativo; “Isso” não tem um termo nominal anterior que “o que” pudesse retomar.

  2. Pronome interrogativo: iniciaria uma pergunta, o que não é o caso.

Se substituíssemos “Isso” por “O que”, a frase ficaria:

“O que acabou redundando no foco nas ‘classes perigosas’…” – soaria como uma oração subordinada substantiva ou uma pergunta indireta, desestruturando o período e perdendo a coesão referencial.

PEGA ESSA DICA!

Na análise de substituições, verifique a classe gramatical e a função sintática do termo original. Pronomes demonstrativos (“isto”, “isso”, “aquilo”) podem ter valor anafórico amplo, enquanto “o que” (relativo) sempre se refere a um termo antecedente específico e introduz uma oração adjetiva.

Análise das alternativas

  • C (Certo) – ❌ Incorreta: A substituição proposta não é correta pelos motivos expostos.

  • E (Errado) – ✅ Correta: A banca afirma que a substituição não é correta, o que está de acordo com a análise.

Conclusão: O item está ERRADO, pois “Isso” é pronome demonstrativo com função de sujeito, insubstituível por “O que” sem prejuízo da correção gramatical e do sentido.

Gabarito: ERRADO (E).

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