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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsSintaxe
Código
ce124921
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED-PR
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Professor - Língua Portuguesa
Texto 5A2-I

Socorro


Socorro, eu não estou sentindo nada.
Nem medo, nem calor, nem fogo,
não vai dar mais pra chorar
nem pra rir.

Socorro, alguma alma, mesmo que penada,
me empreste suas penas.
Já não sinto amor nem dor,
já não sinto nada.

Socorro, alguém me dê um coração,
que esse já não bate nem apanha.
Por favor, uma emoção pequena,
qualquer coisa que se sinta,
tem tantos sentimentos,
deve ter algum que sirva.

Socorro, alguma rua que me dê sentido,
em qualquer cruzamento,
acostamento, encruzilhada,
socorro, eu já não sinto nada.

Alice Ruiz. Socorro, 1986. 
No verso “que esse já não bate nem apanha”, na terceira estrofe do texto 5A2-I, o termo “que” introduz uma oração
  1. Acoordenada adversativa.
  2. Bcoordenada explicativa.
  3. Csubordinada adverbial condicional.
  4. Dsubordinada adjetiva restritiva.
  5. Esubordinada adverbial concessiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — coordenada explicativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oração introduzida por "que" em "que esse já não bate nem apanha" — Gabarito: letra B.

Gabarito: letra B. O "que" em "que esse já não bate nem apanha" introduz uma oração coordenada explicativa, pois explica/justifica o pedido anterior: "alguém me dê um coração". A pista decisiva é a possibilidade de substituir o "que" por "porque" ("alguém me dê um coração, porque esse já não bate nem apanha"), mantendo o sentido de justificativa — exatamente o valor das explicativas. Como se lê na terceira estrofe:

"Socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate nem apanha."

A oração iniciada por "que" não é coordenada adversativa (não há ideia de oposição), nem subordinada (não depende sintaticamente da anterior; ambas têm sentido completo). Vamos analisar cada alternativa.

O que você precisa saber sobre orações coordenadas

As orações coordenadas são sintaticamente independentes: cada uma tem sentido completo quando isolada. Elas se ligam por conjunções coordenativas, que estabelecem relações de adição, oposição, alternância, conclusão ou explicação. As explicativas são introduzidas por que, porque, pois (antes do verbo), porquanto e expressam motivo, justificativa da oração anterior. Veja o exemplo clássico: "Estude muito, porque a prova não será fácil" — a segunda oração explica por que se deve estudar.

No verso, o eu lírico pede um coração e justifica: o coração atual "já não bate nem apanha". O "que" é conjunção coordenativa explicativa, equivalente a "porque".

1Coordenada explicativa
Equivale a "porque"
Justifica a oração anterior
2Coordenada adversativa
Oposição (mas, porém)
3Subordinada adverbial condicional
Condição (se, caso)
4Subordinada adjetiva restritiva
Pronome relativo (retoma substantivo)
5Subordinada adverbial concessiva
Concessão (embora, ainda que)
Orações introduzidas por "que"
LEVELsoulevel.com.br
Orações introduzidas por "que": Coordenada explicativa (Equivale a "porque", Justifica a oração anterior); Coordenada adversativa (Oposição (mas, porém)); Subordinada adverbial condicional (Condição (se, caso)); Subordinada adjetiva restritiva (Pronome relativo (retoma substantivo)); Subordinada adverbial concessiva (Concessão (embora, ainda que))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Coordenada adversativa exige conjunção com valor de oposição: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto. O "que" do verso não expressa oposição; expressa justificativa. Não há qualquer relação de contraste entre "dê um coração" e "esse já não bate nem apanha" — ao contrário, a segunda oração explica o motivo do pedido. A banca tenta atrair quem confunde "não bate nem apanha" com uma ideia de ressalva, mas o conectivo é que define a relação, e "que" aqui não é adversativo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A oração "que esse já não bate nem apanha" é coordenada explicativa: o "que" equivale a "porque" e introduz a justificativa para o pedido "alguém me dê um coração". A prova é a substituição:

"Socorro, alguém me dê um coração, porque esse já não bate nem apanha."

O sentido permanece idêntico. Além disso, a oração tem autonomia sintática — poderia ser isolada como frase ("Esse já não bate nem apanha") —, o que confirma que é coordenada, não subordinada. As explicativas são justamente as que trazem a causa/motivo da declaração anterior, e é exatamente o que ocorre aqui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Subordinada adverbial condicional seria introduzida por se, caso, contanto que, desde que e expressaria uma condição para o fato da oração principal. O "que" do verso não estabelece condição alguma — não há "se isso acontecer, então aquilo". A oração "que esse já não bate nem apanha" não é condição para alguém dar um coração; é a razão do pedido. Além disso, a oração é sintaticamente independente, o que afasta qualquer subordinação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Subordinada adjetiva restritiva é introduzida por pronome relativo (que, o qual, cujo, onde) e exerce função de adjunto adnominal, restringindo um substantivo antecedente. No verso, o "que" não retoma nenhum substantivo — não há termo anterior a que ele se refira. O antecedente é a oração inteira "alguém me dê um coração", e não um nome. Além disso, a oração não poderia ser substituída por "o qual" ("coração, o qual esse já não bate") sem perder o sentido. Portanto, não é pronome relativo, logo não há oração adjetiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Subordinada adverbial concessiva seria introduzida por embora, conquanto, ainda que, mesmo que e expressaria uma concessão (fato que se admite, mas que não impede a ação principal). O "que" do verso não tem valor concessivo — não há ideia de "apesar de". A oração "que esse já não bate nem apanha" não é uma ressalva; é a explicação do pedido. Além disso, a oração é independente, o que descarta a subordinação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na confusão entre os valores do "que". O candidato que decora as conjunções de cada tipo pode marcar "adversativa" por associar "não bate nem apanha" a uma oposição, ou "condicional" por pensar em hipótese. A chave é testar a substituição: se "que" = "porque", é explicativa.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar uma oração introduzida por "que", pergunte: (1) há um substantivo antecedente que ele retoma? Se sim, é pronome relativo (adjetiva). (2) Posso trocar por "porque"? Se sim, é explicativa. (3) Posso trocar por "embora"? Se sim, é concessiva. (4) Posso trocar por "se"? Se sim, é condicional. O teste da substituição resolve a maioria das questões.

Gabarito: letra B.

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