Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021
Português›Sintaxe
Código
ce124930
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED-PR
Ano
2021
Nível
Superior
Cargo
Professor - Língua Portuguesa
Texto 5A1-I
As palavras têm um poder tremendo. Repito com
assertividade: as palavras têm um poder tremendo. Há palavras
que edificam, outras que destroem; umas trazem bênção, outras,
maldição. E é entre estas duas balizas que a comunicação vai
moldando a nossa vida.
Há palavras que deviam ser escondidas num baú fechado
a sete chaves. Porque não edificam, porque magoam, porque
destroem…
Há uns tempos fui fazer um exame médico. Após o
questionário clínico habitual, a médica prosseguiu: “Agora, vou
fazer-lhe umas maldades”. Nesse instante, o meu corpo sucumbiu
e o desmaio tornou-se iminente. Ora, a palavra maldade magooume mais do que o próprio exame. Teria sido muito sensato ter
escondido tal palavra num quarto escuro. Não teria magoado
tanto.
Mas voltemos às palavras amigas, as que mimam, as que
confortam, as que aquecem o coração.
Sabiam que podem mudar o dia de alguém com uma
calorosa saudação? “Bom dia, como está?” Experimentem,
sempre que comunicam, escolher palavras com carga afetiva
positiva! Por exemplo, se substituírem a palavra “problema” por
“situação”, o problema parece tornar-se mais pequeno, não
parece? Ou então acrescentar adjetivos robustos quando
agradecem a alguém: “Obrigada pela sua preciosa, valiosa
ajuda”.
Se queremos relações pessoais e profissionais mais
saudáveis e felizes, usemos e abusemos das palavras positivas na
nossa vida. E não nos cansemos de elogiar. Palavras de louvor e
honra trazem felicidade não só a quem as recebe, mas também, e
sobretudo, a quem as oferece.
Sandra Duarte Tavares. O poder das palavras. In: Visão, ed. 1298, 2017.
Internet: <visao.sapo.pt> (com adaptações)
No texto 5A1-I, a expressão “mas também”, no trecho “Palavras de louvor e honra trazem felicidade não só a quem as recebe, mas também, e sobretudo, a quem as oferece”, está empregada com sentido
Aadversativo.
Bconcessivo.
Cexplicativo.
Dconclusivo.
Eaditivo.
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GabaritoE — aditivo.
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Valor aditivo de “mas também” — correlação aditiva
Gabarito: letra E. A expressão “mas também”, no trecho “Palavras de louvor e honra trazem felicidade não só a quem as recebe, mas também, e sobretudo, a quem as oferece”, está empregada com sentido aditivo, pois integra a correlação “não só… mas também”, que soma duas informações: a felicidade alcança tanto quem recebe quanto quem oferece o elogio. A pista decisiva está no próprio texto, na estrutura correlativa que liga os dois complementos de “trazem felicidade”.
A questão é de sintaxe/semântica dos conectivos: pede que se identifique o valor da locução “mas também” no contexto. Não se trata de interpretação de ideias do texto, mas de reconhecer a função do conectivo na construção da frase. O comando é direto: “está empregada com sentido…”.
Adversativo é o valor de “mas” quando introduz oposição, contraste, quebra de expectativa (ex.: “Estudou, mas não passou”). No trecho, “mas também” não opõe ideias; ao contrário, soma “a quem as recebe” e “a quem as oferece”. A presença de “não só” antes já anuncia a correlação aditiva — se fosse adversativo, não haveria o “não só” preparando a soma.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Concessivo é o valor de conectivos como “embora”, “ainda que”, “mesmo que”, que introduzem uma ressalva que não impede a realização do fato principal (ex.: “Embora cansado, continuou”). No trecho, não há ressalva nem obstáculo; há acréscimo de um segundo beneficiário da felicidade. A locução “mas também” não tem natureza concessiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Explicativo é o valor de conectivos como “pois”, “porque”, “que” (ex.: “Vá, que é tarde”). No trecho, “mas também” não explica nem justifica nada; apenas adiciona um segundo elemento à ideia de quem recebe felicidade. Não há relação de causa/explicação entre as partes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Conclusivo é o valor de conectivos como “logo”, “portanto”, “por isso” (ex.: “Estudou, logo passou”). No trecho, “mas também” não conclui um raciocínio; apenas amplia o alcance da afirmação anterior. A conclusão, se houvesse, viria com outro conectivo, não com “mas também”.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A locução “mas também” integra a correlação aditiva “não só… mas também”, que serve para somar dois termos ou orações. No texto:
“Palavras de louvor e honra trazem felicidade não só a quem as recebe, mas também, e sobretudo, a quem as oferece”
A estrutura “não só X, mas também Y” equivale a “tanto X quanto Y” — ou seja, adiciona Y a X. Aqui, soma-se “a quem as recebe” e “a quem as oferece” como destinatários da felicidade. O valor é, portanto, aditivo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora o fato de “mas” ser tipicamente adversativo; o candidato desatento marca “adversativo” sem perceber que, na correlação “não só… mas também”, o “mas” perde a oposição e ganha valor de soma.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver “não só” antes, espere “mas também” (ou “como também”) — é a marca clássica da adição. Desconfie de “adversativo” quando houver correlação aditiva.