Reflexões sobre a justiça no texto de Saramago
Gabarito: letra C. O autor não se limita a divagar, supor, constatar ou conjecturar; ele reflete sobre a justiça, partindo de um episódio histórico para extrair lições morais e filosóficas. A tese central é que a justiça morre continuamente e deve ser entendida como um imperativo ético cotidiano, como se vê no trecho: “a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias” e na descrição da “justiça pedestre, justiça companheira cotidiana dos homens”.
O texto começa com uma narrativa (o camponês que toca o sino pela morte da Justiça) e, a partir dela, o autor desenvolve uma reflexão pessoal e crítica sobre o que a justiça deveria ser. Ele não apenas relata o fato (constatação), nem faz suposições aleatórias (conjecturas), nem discorre sem rumo (divagações). A palavra-chave é “reflexão”, pois há análise, questionamento e proposta de um ideal.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Divagações são pensamentos dispersos e sem fio condutor. O texto, ao contrário, é coeso: parte de um fato, extrai uma lição e defende uma tese sobre a justiça. Não há “divagação”, mas argumentação organizada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Embora o autor use “suponho” em um ponto (“Suponho ter sido esta a única vez...”), isso é apenas uma passagem. O conjunto do texto não se baseia em suposições; ele reflete sobre a realidade da injustiça e propõe um conceito de justiça ideal. Reduzir o texto a suposições seria ignorar a maior parte do conteúdo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O autor reflete sobre a justiça: analisa sua morte simbólica, critica a justiça formal e hipócrita (“túnicas de teatro”, “balança viciada”) e propõe uma justiça “pedestre, companheira cotidiana dos homens”. A reflexão é o fio condutor, apoiada na narrativa inicial e desenvolvida com argumentos filosóficos e morais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Constatações seriam meros registros de fatos (ex.: “o camponês tocou o sino”). O texto vai além: interpreta o fato, critica a sociedade e defende um ideal. O autor faz juízos de valor, o que é próprio da reflexão, não da constatação objetiva.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Conjecturas são hipóteses sem fundamento sólido. O autor parte de um fato histórico documentado (a narrativa) e, a partir dele, constrói uma reflexão consistente. Mesmo quando diz “suponho”, é uma especulação circunstancial, não a essência do texto.
Conclusão: O texto é uma reflexão sobre a justiça, mesclando narrativa e argumentação crítica. A alternativa C capta exatamente essa intenção. Gabarito: letra C.