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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce131073
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
DEPEN
Ano
2021
Nível
Superior

Texto CB1A1-I 


    O número inferior de mulheres criminosas e a desconsideração do feminino fizeram com que há muito a criminalidade feminina fosse incorporada aos estudos da criminalidade masculina, processo este que resultou em total desprezo pelas poucas pesquisas acerca das mulheres em situação de encarceramento. Essa realidade se deve principalmente ao fato de que a criminologia nasceu de um discurso proferido por homens, para homens e sobre mulheres. Assim, produziu-se invariavelmente o que a criminologia crítica feminista denominou como dupla violência contra a mulher, pois, desde o seu surgimento, agrediu as mulheres e o sistema de relações de que ela fazia parte. 

    O livro Mulheres na Prisão: um estudo qualititativo, escrito por três pesquisadoras, faz uma imersão corajosa nos submundos das prisões femininas e provoca nosso olhar para as mazelas da vida na prisão, em que o gênero é marcador central da realidade sombria a que estão submetidas as mulheres presas. No entanto, não se limita a estas experiências e transborda os muros do cárcere. Mais que um texto voltado a dar visibilidade às questões referentes ao aprisionamento feminino, as autoras constroem um estudo que apresenta experiências concretas e apontam saídas a partir de propostas de políticas públicas que garantam a atenção aos direitos humanos ou que apontem possibilidades reais de projetos de vida fora da prisão. 


Naiara C. Silva. Mulheres na prisão: uma imersão aos submundos do encarceramento feminino. In: Pretextos - Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, v. 3, n. 6, jul./dez. 2018. (com adaptações).

No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o seguinte item.É elemento que reforça a relevância do livro citado no texto o fato de ele ter sido escrito por três mulheres, contrapondo-se à situação tradicional da criminologia como “discurso proferido por homens, para homens e sobre mulheres”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O livro escrito por três mulheres como contraponto à criminologia tradicional

Gabarito: C — CERTO. A afirmação está correta: o texto diz que o livro foi escrito por três pesquisadoras e que a criminologia nasceu de um discurso proferido por homens, para homens e sobre mulheres. A oposição entre esses dois fatos é explícita no texto, o que reforça a relevância do livro.

A questão pede uma compreensão (o que o texto afirma) com um leve toque de inferência (a relação de contraste). O comando "é elemento que reforça a relevância" exige que você perceba a oposição que o próprio texto constrói: de um lado, a criminologia tradicional, masculina; de outro, o livro escrito por três mulheres. Essa oposição está marcada no texto, não é uma dedução sua.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O texto afirma, logo no início:

"a criminologia nasceu de um discurso proferido por homens, para homens e sobre mulheres"

E, mais adiante, sobre o livro:

"O livro Mulheres na Prisão: um estudo qualitativo, escrito por três pesquisadoras, faz uma imersão corajosa nos submundos das prisões femininas"

A palavra "pesquisadoras" (feminino) contrasta diretamente com o discurso masculino da criminologia tradicional. O texto ainda usa o conectivo "No entanto" para introduzir o livro, sinalizando uma quebra em relação ao que foi dito antes. Portanto, a afirmação de que o livro, por ter sido escrito por três mulheres, contrapõe-se à tradição masculina da criminologia está inteiramente sustentada pelo texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que a afirmação está errada. Mas o texto autoriza exatamente a leitura proposta. Não há nenhuma passagem que negue a oposição; ao contrário, o texto a constrói com os elementos citados. Quem marca E comete o erro de não perceber a relação de contraste que o texto estabelece, ou de achar que a inferência é exagerada. Mas aqui a inferência é mínima: o texto diz que a criminologia nasceu de discurso masculino e diz que o livro foi escrito por três pesquisadoras. A oposição é uma consequência lógica dessas duas afirmações, não uma extrapolação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca não armou uma pegadinha clássica aqui — a afirmação é direta e o texto a sustenta. O erro de quem marca E é não conectar as duas informações que o texto apresenta, tratando-as como fatos isolados.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de CERTO/ERRADO, grife os conectivos (como "No entanto") e os termos que indicam oposição (como "contrapondo-se"). Eles são a chave para perceber a relação entre as ideias.

Gabarito: letra C.

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