Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021
Português›Sintaxe
Código
ce131131
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-AP
Ano
2021
Nível
Superior
Texto CG1A1-II
À área da linguística que se ocupa em contribuir para a
solução de problemas judiciais e que auxilia também na
compreensão de discursos e interações produzidos em ambiente
jurídico chamamos de linguística forense. Pouco ainda se fala e
se conhece sobre a aplicação da linguística à esfera forense,
apesar de muitos crimes serem cometidos unicamente ou
parcialmente por meio da língua, como a calúnia, a injúria, a
difamação, a ameaça, o estelionato e a extorsão.
Ao produzir um texto, oral ou escrito, o sujeito lança mão
de um vasto repertório lexical e regras de ordenação sintática
pertencentes à gramática de seu idioma. Entretanto, esse arranjo
não é feito da mesma forma por diferentes pessoas. Ao falarmos
ou ao escrevermos, organizamos o material linguístico que está
disponível em nosso acervo mental de uma forma única, afinal
cada indivíduo constituiu seu vocabulário a partir de experiências
também únicas. Isso significa que imprimimos nosso estilo em
nossos textos, deixando nele nossa “assinatura”. Esse uso
individual do idioma é chamado de idioleto, ou seja, é como se
fosse um dialeto pessoal, uma marca identitária daquele
indivíduo. Embasada nisso, a linguística forense procura
desenvolver metodologias que auxiliem no processo de
atribuição de autoria de um determinado texto.
Welton Pereira e Silva. Linguística forense: como o linguista pode contribuir em uma demanda judicial? In:
Roseta, v. 2, n.º 2, 2019 (com adaptações).
No primeiro período do texto CG1A1-II, o sujeito da oração principal
Aestá indeterminado, haja vista o emprego do vocábulo “se”.
Bé o termo “área da linguística”.
Cé o termo “linguística forense”.
Destá elíptico e corresponde à primeira pessoa do plural.
Eé composto.
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GabaritoD — está elíptico e corresponde à primeira pessoa do plural.
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Sujeito da oração principal — Gabarito: letra D.
No primeiro período do texto, o sujeito da oração principal está elíptico (oculto/desinencial) e corresponde à primeira pessoa do plural (nós), como se lê na passagem:
"À área da linguística que se ocupa em contribuir para a solução de problemas judiciais e que auxilia também na compreensão de discursos e interações produzidos em ambiente jurídico chamamos de linguística forense."
O verbo "chamamos" traz a desinência -mos, que indica a 1ª pessoa do plural. Como o sujeito não está expresso, mas é identificável pela terminação verbal, trata-se de sujeito oculto/elíptico/desinencial — exatamente o que a alternativa D afirma.
Análise sintática do período
O período é composto por subordinação. A oração principal é:
"chamamos de linguística forense"
O sujeito dessa oração é nós (implícito). As orações "que se ocupa..." e "que auxilia..." são subordinadas adjetivas que se referem a "área da linguística" — não são o sujeito da principal. O termo "À área da linguística..." é o objeto indireto do verbo "chamar" (quem chama, chama algo de algo; aqui, chama-se à área de linguística forense).
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o sujeito está indeterminado por causa do "se". Isso é um erro clássico: o "se" presente no texto é partícula apassivadora (ou pronome apassivador), não índice de indeterminação do sujeito. Veja o trecho:
"À área da linguística que se ocupa em contribuir..."
Aqui, "se" integra a locução "se ocupa", que é um verbo pronominal (ocupar-se). O sujeito de "se ocupa" é o pronome relativo "que", que retoma "área da linguística". Portanto, o sujeito é determinado (a área da linguística), e não indeterminado. Além disso, o sujeito da oração principal (chamamos) é elíptico, não indeterminado. A alternativa confunde o valor do "se" e o tipo de sujeito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz que o sujeito é "área da linguística". Isso é uma fuga ao texto: "área da linguística" é o termo que funciona como objeto indireto do verbo "chamar" (quem chama, chama algo a algo). O sujeito da oração principal é o nós implícito. A banca tenta atrair o candidato com o termo mais saliente do período, mas a análise sintática correta mostra que ele não exerce a função de sujeito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o sujeito é "linguística forense". Isso também é fuga ao texto: "linguística forense" é o predicativo do objeto (ou complemento do verbo chamar, dependendo da nomenclatura), pois é o nome que se dá à área. O sujeito continua sendo o nós implícito. A banca tenta confundir com o termo que aparece no final da oração, mas a função sintática é outra.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como vimos, o verbo "chamamos" está na 1ª pessoa do plural, e o sujeito não está expresso, mas é identificável pela desinência -mos. Isso caracteriza o sujeito oculto, elíptico ou desinencial. A alternativa está correta e é a única que descreve com precisão o fenômeno sintático.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o sujeito é composto. Sujeito composto é aquele que tem dois ou mais núcleos (ex.: "João e Maria saíram"). No período, o sujeito da oração principal é um único núcleo (nós), portanto é simples (embora elíptico). A alternativa extrapola ao inventar uma pluralidade de núcleos que não existe no texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o "se" apassivador/reflexivo e o índice de indeterminação, além de tentar atrair o candidato para os termos mais visíveis ("área da linguística", "linguística forense") em vez de analisar a estrutura verbal.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o sujeito, pergunte quem pratica a ação verbal. No caso, "quem chama?" → nós (implícito). A desinência verbal é a pista decisiva.