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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsSintaxe
Código
ce131136
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
MPE-AP
Ano
2021
Nível
Superior
Texto CG1A1-I

   Há relações diversas e fundamentais entre o discurso e as verdades. Ao longo da história, já se acreditou que a verdade existiria independentemente da linguagem, que nada mais seria, além de sua mera expressão. Também já se afirmou que as coisas ditas seriam entraves ou acessos à verdadeira essência dos seres e fenômenos. Já foi dito ainda que as verdades consistiriam em construções históricas dos fatos, para as quais o discurso é decisivo. Mais recentemente, vimos multiplicarem-se as alegações de que os fatos não existem, de sorte que haveria apenas versões e interpretações alternativas.
   No que se refere às tendências contemporâneas de conceber as relações entre discurso e verdade, elas são frequentemente consideradas um movimento libertário, uma vez que nos permitem desprender-nos de dogmas, ortodoxias e autoridades exclusivas de pesadas e passadas tradições. Assim, domínios e instituições que antes nos guiavam, com base em suas verdades fundamentais e numa quase cega fé que depositávamos nelas, tornam-se cada vez mais suscetíveis às nossas dúvidas e críticas. A religião, a política, a mídia e a ciência já não são mais do mesmo modo consideradas como fontes das quais brotariam a certeza dos fatos e os devidos caminhos a seguir. Com frequência e intensidade aparentemente inéditas, a crença e a confiança que nelas assentávamos passaram a ser ladeadas ou suplantadas por suspeitas e por ceticismos, por postura crítica e por emancipações.

Carlos Piovezani, Luzmara Curcino e Vanice Sargentini. O discurso e as verdades: relações entre a fala, os feitos e os fatos. In: Luzmara Curcino, Vanice Sargentini e Carlos Piovezani. Discurso e (pós)verdade. São Paulo: Parábola, 2021, p.7-18 (com adaptações).  
No segundo período do segundo parágrafo do texto CG1A1-I, o conectivo “Assim” foi empregado com a finalidade de
  1. Aintroduzir uma afirmação que conclui um raciocínio.
  2. Besclarecer a afirmação apresentada no período imediatamente anterior.
  3. Cdestacar uma afirmação como a mais forte de uma sequência.
  4. Dincluir uma nova afirmação numa lista de argumentos.
  5. Erevelar um raciocínio implícito.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — introduzir uma afirmação que conclui um raciocínio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O conectivo “Assim” no segundo parágrafo — função conclusiva

Gabarito: letra A. O conectivo “Assim”, no início do segundo período do segundo parágrafo, foi empregado para introduzir uma afirmação que conclui um raciocínio — mais especificamente, para apresentar a consequência do que foi dito no período anterior. A pista está na própria estrutura do texto: o período anterior afirma que as tendências contemporâneas são vistas como um movimento libertário, e o período iniciado por “Assim” apresenta o efeito prático dessa visão: instituições antes guias tornam-se suscetíveis a dúvidas e críticas.

Veja o trecho que comprova:

“elas são frequentemente consideradas um movimento libertário, uma vez que nos permitem desprender-nos de dogmas, ortodoxias e autoridades exclusivas de pesadas e passadas tradições. Assim, domínios e instituições que antes nos guiavam, com base em suas verdades fundamentais e numa quase cega fé que depositávamos nelas, tornam-se cada vez mais suscetíveis às nossas dúvidas e críticas.”

A relação é de causa-consequência: a primeira parte explica por que as tendências são libertárias (permitem desprender-nos de dogmas); a segunda, introduzida por “Assim”, apresenta o que decorre disso (instituições perdem a autoridade absoluta). O conectivo “Assim” é um operador argumentativo de conclusão/consequência, equivalente a “portanto”, “por isso”, “dessa forma”.

  1. 1Período anterior: causa
  2. 2“Assim” sinaliza consequência
  3. 3Período seguinte: efeito
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque “Assim” introduz exatamente a conclusão do raciocínio desenvolvido no período anterior. O texto estabelece uma cadeia lógica: (1) as tendências são libertárias → (2) logo, instituições que antes guiavam tornam-se suscetíveis a dúvidas. O segundo período é a consequência lógica do primeiro, e o conectivo sinaliza essa relação conclusiva.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de função do conectivo. “Assim” não esclarece (explica, parafraseia) a afirmação anterior; ele conclui a partir dela. Esclarecer seria usar “ou seja”, “isto é”, “em outras palavras” — conectivos que retomam a mesma ideia com outras palavras. Aqui há avanço do raciocínio, não repetição explicativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: fora do escopo. O texto não apresenta uma “sequência” de afirmações em que uma seria a “mais forte”. O período com “Assim” não é um clímax argumentativo; é a consequência do que foi dito. A ideia de “mais forte” não tem apoio no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação lógica. “Incluir numa lista de argumentos” seria função de um conectivo aditivo (e, também, além disso). “Assim” não adiciona um argumento novo a uma lista; ele conclui o raciocínio anterior. A relação é de consequência, não de adição.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O raciocínio não está implícito; está explícito no período anterior. O conectivo “Assim” apenas explicita a conclusão que já estava preparada. Não há nada de oculto a ser revelado — a relação de causa e consequência está clara na superfície textual.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os valores dos conectivos. “Assim” pode ter valor conclusivo (como aqui) ou comparativo (“assim como”), mas nunca aditivo ou explicativo. A chave é identificar a relação lógica entre os períodos: se o segundo é consequência do primeiro, o conectivo é conclusivo.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a função de um conectivo, pergunte: o que ele faz com a informação anterior? Conclui (portanto), explica (ou seja), adiciona (e), opõe (mas), causa (porque)? A resposta define a função.

Gabarito: letra A.

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