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Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsSintaxe
Código
ce131195
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-AL
Ano
2021
Nível
Médio

    Tudo o que vem do povo tem uma lógica, uma razão, uma função. Ele nada faz sem motivo, e o que produz está geralmente ligado ao comportamento do grupo ou a uma norma social ou de cunho psíquico e religioso, um traço que vem de tempos longínquos, lá do fundo de nossas raízes, perdidas na noite dos tempos, quando estávamos em formação. Pastoril, Quilombo, Reisado, Coco-de-Roda, literatura de cordel, festas, tradições, superstições, contos, mitos, lendas não aparecem por acaso. São elementos da memória popular, que engloba sentimentos e reações diante da história e das transformações.

     Quais as origens do folclore alagoano, quais os componentes culturais que o forjaram? Théo Brandão, com a autoridade de quem estudou a vida inteira e deixou uma obra irrepreensível sobre o assunto, diz que são muitas as contribuições na formatação do nosso folclore. E que não é fácil nem simples demarcar a que grupo pertence uma de suas variantes ou estabelecer com precisão a fronteira de determinada manifestação folclórica. Afirma que há dúvidas em alguns casos e em outros é inteiramente impossível chegar a uma conclusão única e definitiva. Cita como exemplo concreto dessas incertezas o caso da dança existente em várias unidades nordestinas, que aparece ora como Coco, ora como Pagode, ora como Samba.


Instituto Arnon de Mello. Alagoas popular: folguedos e

danças de nossa gente. Maceió: IAM, 2013, p. 24 (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, referentes às ideias, aos sentidos e às construções linguísticas do texto apresentado.A oração iniciada pelo verbo “chegar” exerce, no quarto período do último parágrafo, a função de sujeito.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Esta resolução diverge do gabarito oficial. A banca deu Certo; a resolução abaixo sustenta o contrário e explica por quê — ela não foi reescrita para concordar. Acontece nos dois sentidos: há gabarito que cai em recurso e há resolução que erra. Confira na fonte antes de fixar o entendimento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática da oração iniciada por “chegar” — ❌ ERRADO

Gabarito: ERRADO. A oração iniciada pelo verbo “chegar” não exerce função de sujeito; ela funciona como complemento nominal do adjetivo “impossível”. A passagem que decide é:

“em outros é inteiramente impossível chegar a uma conclusão única e definitiva

Aqui, “chegar a uma conclusão única e definitiva” completa o sentido do adjetivo “impossível” (impossível de quê? — de chegar a uma conclusão). Trata-se de uma oração subordinada substantiva completiva nominal, não de uma oração subjetiva.

Como provar no texto

No trecho, o autor afirma que, em alguns casos, há dúvidas e, em outros, é inteiramente impossível chegar a uma conclusão única e definitiva. A estrutura é:

  • Sujeito: oração subordinada substantiva subjetiva — “é inteiramente impossível que se chegue a uma conclusão” (equivale a “isso é impossível”).

  • Predicado: “é inteiramente impossível” (verbo de ligação + predicativo).

  • Complemento nominal: “chegar a uma conclusão única e definitiva” — completa o sentido de “impossível”.

Para confirmar, basta substituir a oração por um substantivo: “é inteiramente impossível a chegada a uma conclusão”. O termo “a chegada” funciona como sujeito? Não — “a chegada” é o complemento nominal de “impossível”, pois “impossível” exige complemento (impossível de quê?). Se fosse sujeito, a oração seria “que se chegue a uma conclusão é impossível”.

Oração subordinada substantiva
  • 1Subjetiva (sujeito)
    • "Que se chegue é impossível"
    • Teste: "Isso é impossível"
  • 2Completiva nominal (complemento)
    • "É impossível chegar"
    • Teste: "É impossível isso"
    • Completa sentido de adjetivo
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Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que a oração exerce função de sujeito está errada. No trecho, a oração “chegar a uma conclusão única e definitiva” não é o sujeito de “é impossível”; ela é o complemento nominal de “impossível”. A prova: substitua a oração por “isso” — “é inteiramente impossível isso” — e veja que “isso” não é o sujeito, mas o complemento que completa o sentido do adjetivo. Se fosse sujeito, a estrutura seria “isso é inteiramente impossível”, o que não ocorre.

Alternativa E — ✅ Correta

A afirmativa de que a oração não exerce função de sujeito está correta. Como demonstrado, a oração “chegar a uma conclusão única e definitiva” é uma oração subordinada substantiva completiva nominal, pois completa o sentido do adjetivo “impossível”. A função de sujeito seria exercida por uma oração subjetiva, como em “que se chegue a uma conclusão é impossível”, o que não é o caso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir a oração subordinada substantiva subjetiva com a completiva nominal. A pegadinha está em identificar o termo que completa o sentido de “impossível”.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir, substitua a oração por “isso”. Se a frase ficar “isso é impossível”, a oração é sujeito; se ficar “é impossível isso”, a oração é complemento nominal.

Gabarito: letra E

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