Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sintaxe — CESPE / CEBRASPE 2021

PortuguêsSintaxe
Código
ce131199
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-AL
Ano
2021
Nível
Médio

    Tudo o que vem do povo tem uma lógica, uma razão, uma função. Ele nada faz sem motivo, e o que produz está geralmente ligado ao comportamento do grupo ou a uma norma social ou de cunho psíquico e religioso, um traço que vem de tempos longínquos, lá do fundo de nossas raízes, perdidas na noite dos tempos, quando estávamos em formação. Pastoril, Quilombo, Reisado, Coco-de-Roda, literatura de cordel, festas, tradições, superstições, contos, mitos, lendas não aparecem por acaso. São elementos da memória popular, que engloba sentimentos e reações diante da história e das transformações.

     Quais as origens do folclore alagoano, quais os componentes culturais que o forjaram? Théo Brandão, com a autoridade de quem estudou a vida inteira e deixou uma obra irrepreensível sobre o assunto, diz que são muitas as contribuições na formatação do nosso folclore. E que não é fácil nem simples demarcar a que grupo pertence uma de suas variantes ou estabelecer com precisão a fronteira de determinada manifestação folclórica. Afirma que há dúvidas em alguns casos e em outros é inteiramente impossível chegar a uma conclusão única e definitiva. Cita como exemplo concreto dessas incertezas o caso da dança existente em várias unidades nordestinas, que aparece ora como Coco, ora como Pagode, ora como Samba.


Instituto Arnon de Mello. Alagoas popular: folguedos e

danças de nossa gente. Maceió: IAM, 2013, p. 24 (com adaptações). 

Julgue o item seguinte, referentes às ideias, aos sentidos e às construções linguísticas do texto apresentado.Em “Ele nada faz sem motivo”, o termo “sem motivo” exerce a função de complemento da forma verbal “faz”.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de “sem motivo” — adjunto adverbial, não complemento verbal

Gabarito: E (ERRADO). Em “Ele nada faz sem motivo”, o termo “sem motivo” não é complemento da forma verbal “faz”: exerce função de adjunto adverbial de modo/circunstância, pois indica a circunstância em que a ação de “fazer” ocorre. O verbo “fazer”, no contexto, é transitivo direto e tem como objeto direto o pronome indefinido “nada” — “sem motivo” apenas acrescenta uma circunstância, podendo ser retirado sem prejuízo da estrutura sintática da oração.

A banca explora a confusão entre complemento verbal (objeto direto/indireto) e adjunto adverbial. O complemento verbal é exigido pelo verbo para completar seu sentido; o adjunto adverbial é um termo acessório que indica circunstância (modo, tempo, lugar, causa etc.). No trecho, “sem motivo” responde à pergunta “como ele nada faz?” — ou seja, é uma circunstância de modo, não um complemento.

Veja a estrutura da oração:

“Ele nada faz sem motivo”

  • Sujeito: “Ele”

  • Objeto direto: “nada” (quem faz, faz algo — “nada” é o que ele faz)

  • Verbo transitivo direto: “faz”

  • Adjunto adverbial de modo: “sem motivo” (indica a circunstância)

Se “sem motivo” fosse complemento, o verbo “fazer” estaria incompleto sem ele — o que não ocorre: “Ele nada faz” já tem sentido completo. A função de complemento é ocupada por “nada”.

"sem motivo" — função sintática
  • 1Não é complemento verbal
    • Verbo "faz" já tem objeto direto ("nada")
    • Retirada não prejudica a estrutura
  • 2É adjunto adverbial de modo
    • Indica circunstância (como ele nada faz?)
    • Termo acessório
LEVEL · soulevel.com.br
PEGA ESSA DICA!

Para distinguir complemento de adjunto, pergunte: o verbo exige esse termo para ter sentido? Se a retirada do termo não prejudica a estrutura (apenas empobrece a informação), ele é adjunto adverbial. Complemento verbal é obrigatório; adjunto é acessório.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a função sintática: “sem motivo” é um adjunto adverbial de modo, não complemento. A armadilha está em confundir termo acessório com termo integrante — o verbo “fazer” já tem seu complemento (“nada”).

Conclusão: A afirmação está errada, pois “sem motivo” exerce função de adjunto adverbial, e não de complemento verbal. Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/ce131199