Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2021
Português›Interpretação de Textos
Código
ce131200
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-AL
Ano
2021
Nível
Médio
Tudo o que vem do povo tem uma lógica, uma razão, uma
função. Ele nada faz sem motivo, e o que produz está geralmente
ligado ao comportamento do grupo ou a uma norma social ou de
cunho psíquico e religioso, um traço que vem de tempos
longínquos, lá do fundo de nossas raízes, perdidas na noite dos
tempos, quando estávamos em formação. Pastoril, Quilombo,
Reisado, Coco-de-Roda, literatura de cordel, festas, tradições,
superstições, contos, mitos, lendas não aparecem por acaso. São
elementos da memória popular, que engloba sentimentos e
reações diante da história e das transformações.
Quais as origens do folclore alagoano, quais os
componentes culturais que o forjaram? Théo Brandão, com a
autoridade de quem estudou a vida inteira e deixou uma obra
irrepreensível sobre o assunto, diz que são muitas as
contribuições na formatação do nosso folclore. E que não é fácil
nem simples demarcar a que grupo pertence uma de suas
variantes ou estabelecer com precisão a fronteira de determinada
manifestação folclórica. Afirma que há dúvidas em alguns casos
e em outros é inteiramente impossível chegar a uma conclusão
única e definitiva. Cita como exemplo concreto dessas incertezas
o caso da dança existente em várias unidades nordestinas, que
aparece ora como Coco, ora como Pagode, ora como Samba.
Instituto Arnon de Mello. Alagoas popular: folguedos e
danças de nossa gente.
Maceió: IAM, 2013, p. 24 (com adaptações).
Julgue o item seguinte, referentes às ideias, aos sentidos e às construções linguísticas do texto apresentado.A menção feita a Théo Brandão e a qualificação de sua obra são recursos utilizados para reforçar os argumentos apresentados pelo autor do texto.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A menção a Théo Brandão como recurso argumentativo — ✅ CERTO
Gabarito: CERTO. A afirmação está correta porque o texto recorre à autoridade de Théo Brandão — apresentado como alguém que "estudou a vida inteira" e deixou "uma obra irrepreensível" — exatamente para reforçar os argumentos do autor sobre a complexidade de se demarcar as origens do folclore alagoano. A passagem que ancora o veredito é:
"Théo Brandão, com a autoridade de quem estudou a vida inteira e deixou uma obra irrepreensível sobre o assunto, diz que são muitas as contribuições na formatação do nosso folclore."
O trecho mostra que o autor não apenas cita o estudioso, mas o qualifica (autoridade, estudo vitalício, obra irrepreensível) para dar peso à tese que ele defende em seguida: a de que não é fácil demarcar a origem das manifestações folclóricas. Isso é o clássico argumento de autoridade — um recurso argumentativo em que se invoca um especialista para sustentar o ponto de vista do texto.
O que a banca cobrou
A questão pede que você julgue se a menção a Théo Brandão e a qualificação de sua obra servem para reforçar os argumentos do autor. Isso é uma questão de compreensão (informação explícita no texto), não de inferência: o próprio texto entrega a função da citação ao usar a palavra "autoridade" e os adjetivos elogiosos.
Observe a estrutura do parágrafo:
O autor pergunta: "Quais as origens do folclore alagoano, quais os componentes culturais que o forjaram?"
Em vez de responder com opinião própria, ele convoca Théo Brandão — um especialista.
Antes de reproduzir o que Théo diz, ele o qualifica: "com a autoridade de quem estudou a vida inteira e deixou uma obra irrepreensível".
Só então apresenta o conteúdo: "diz que são muitas as contribuições... não é fácil nem simples demarcar...".
Essa sequência é a estratégia argumentativa típica: citar uma fonte confiável para dar credibilidade à tese. A qualificação não é decorativa — ela é o que transforma a citação em argumento. Se o autor apenas dissesse "Théo Brandão diz que...", sem qualificá-lo, o leitor não teria motivo para aceitar a opinião do estudioso. Ao dizer que ele tem "autoridade", "estudou a vida inteira" e tem "obra irrepreensível", o autor reforça a validade do que será dito.
Por que a alternativa "Errado" falha
A alternativa "Errado" contradiz o texto: ela nega exatamente o que a estrutura textual demonstra. Não há nenhuma passagem que sugira que a menção a Théo Brandão seja irrelevante, decorativa ou que enfraqueça os argumentos. Pelo contrário, o texto explicitamente atribui a ele "autoridade" e "obra irrepreensível" — termos que só fazem sentido se a intenção for reforçar o que se afirma. Quem marcasse "Errado" estaria ignorando a função retórica da qualificação, que é o coração da questão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca testa se você percebe a função argumentativa da citação de autoridade. O erro clássico seria achar que a menção a Théo Brandão é apenas informativa ("ele estudou o assunto") e não argumentativa ("sua autoridade sustenta a tese do autor"). O texto deixa claro que a qualificação serve para reforçar os argumentos.
PEGA ESSA DICA!
Ao julgar itens sobre "recursos utilizados para reforçar argumentos", procure no texto as marcas de avaliação (adjetivos, expressões de valor) que o autor usa ao introduzir a fonte. Se houver elogio explícito ("autoridade", "obra irrepreensível"), a função é argumentativa.